A inteligência artificial (IA) está a transformar a forma como trabalhamos, permitindo que um número crescente de profissionais realize tarefas que, anteriormente, exigiam competências especializadas e um maior investimento de tempo. Neste sentido, a democratização da tecnologia tem vindo a transformar o papel dos líderes nas organizações. À medida que as barreiras à criação e à aplicação da tecnologia continuam a cair e a criatividade se dissipa, torna-se essencial reconhecer os limites, promover a aprendizagem contínua e criar as condições para que as equipas experimentem ferramentas e evoluam de forma responsável.
Gavin Rotach (na foto), head do Group IT da Zühlke, assinala: «À medida que a IA torna a criação de tecnologia mais acessível, o desafio para as organizações consiste em encontrar o equilíbrio certo entre liberdade e responsabilidade. Temos de dar às pessoas espaço para experimentar e inovar, mantendo simultaneamente uma governação, segurança e proteção de dados adequadas. O papel das TI [tecnologias de informação, IT] está, por isso, a evoluir para garantir que existem as condições certas para que a inovação ocorra de forma segura e responsável.»
Neste contexto, a Zühlke partilha algumas tendências emergentes de IA que estão a redefinir a liderança tecnológica nas empresas:
1. A democratização da criação tecnológica
O aumento das competências para utilizar estas tecnologias no sector tecnológico está a provocar transformações significativas no seio das empresas. A IA está a permitir que cada vez mais pessoas compreendam e se envolvam em processos que, tradicionalmente, estavam reservados ao desenvolvimento de software. Isto constitui uma mudança face ao paradigma que, durante muito tempo, concentrou quase exclusivamente nas equipas de IT a responsabilidade de criar tecnologia. Essa centralização nas equipas de IT traduzia-se numa espécie de função de controlo: eram elas que determinavam o que era tecnicamente viável, quais as ferramentas a usar e de que modo. Atualmente, à medida que essas ferramentas se vão tornando mais acessíveis às várias áreas da organização, o papel do IT está a sofrer uma reconfiguração.
2. A mudança do papel da IT: de controlo para capacitação
O papel das equipas de IT já não pode limitar-se ao controlo da tecnologia, mas sim à criação das condições que permitam aos outros departamentos explorar, testar e inovar de forma segura e responsável. Liderar tecnologicamente significa, hoje, desenvolver mecanismos que protejam a organização e, ao mesmo tempo, garantir um espaço seguro onde a tecnologia possa ser disponibilizada, fomentando a curiosidade das equipas e apostando na sua formação contínua. Neste cenário, a capacidade de adaptação torna-se cada vez mais determinante, já que a IA está a alterar funções e modelos de trabalho a um ritmo que torna difícil prever quais as competências técnicas que serão mais valorizadas nos próximos anos. Liderar significa, assim, traçar um rumo claro e construir a confiança necessária para que as equipas possam experimentar, aprender e crescer.
3. A avaliação de competências centrada no uso crítico da IA
As competências dos candidatos devem ser avaliadas de forma adequada às diferentes fases do processo de recrutamento. Realizar uma tarefa deliberadamente sem recorrer à IA pode demonstrar conhecimento e esforço, mas levanta uma questão cada vez mais pertinente: se existe uma ferramenta capaz de tornar determinado trabalho mais rápido, eficiente ou rigoroso, por que razão não a utilizar? O valor passa pela capacidade de perceber quando e como recorrer a estas ferramentas, avaliar criticamente os resultados que produzem e reconhecer as situações em que o conhecimento e o julgamento humano continuam a ser indispensáveis.
À medida que criar tecnologia se torna algo ao alcance de um número cada vez maior de pessoas, liderança, governance, cibersegurança e desenvolvimento de competências deixam de poder ser tratados como dimensões separadas. A próxima fase da adoção da IA não será determinada apenas pela qualidade dos modelos ou pela rapidez com que as empresas implementam novas ferramentas, mas pela capacidade das organizações para criarem culturas que conciliem autonomia para experimentar, espaço e tempo para reconhecer o que ainda não se sabe, e responsabilidade para compreender os riscos da tecnologia utilizada. É neste equilíbrio que se irá desenhar o futuro da liderança tecnológica.
A Zühlke
Fundada em 1968 na Suíça, a Zühlke é uma consultora e prestadora de serviços que desenvolve projetos tecnológicos para clientes em todo o mundo. Com escritórios em diferentes cidades da Europa e da Ásia, está presente em 10 países com mais de 1.900 colaboradores. As suas equipas multidisciplinares e multinacionais desenvolvem funções essenciais a todas as fases de projeto, desde estratégia a operação e produção.
