A MC Sonae está a expandir as iniciativas de integração da inteligência artificial (IA) nos processos de trabalho das suas equipas, as quais, no período de um ano, permitem poupar aos colaboradores cerca de 100 mil horas de trabalho. Este projeto prevê capacitar cerca de 4.000 colaboradores, através de um investimento de cerca de 500 mil euros em formação nesta área.
As tarefas impactadas com estas ferramentas e processos que agora envolvem IA vão desde reuniões, processamento e sumarização de documentos, automatização de processos de pesquisa e investigação, validação de inventários, processamento e consumo de informação, entre outros.
Esta poupança de tempo está a permitir às pessoas focarem-se em tarefas de maior valor e que requerem aporte do conhecimento e intuição humana.
Atualmente, a MC tem em curso duas iniciativas. O AIccelerate é o programa estratégico da MC para acelerar a adoção de IA em toda a organização, e o AI First está a transformar a forma como a MC desenvolve software que permite incorporar a IA nas ferramentas da MC. Em conjunto, estes dois projetos refletem a evolução de uma utilização individual de ferramentas de IA para um modelo em que a tecnologia passa a integrar os processos de trabalho, de decisão e de criação de valor.
O AIccelerate assenta em três vertentes: a primeira corresponde ao AIOps, um programa que integra a IA nos processos do negócio, reduzindo o esforço manual e automatizando tarefas. A segunda são os AI Enabled Products, um conjunto de 13 produtos de IA que apoiam decisões importantes no retalho, em áreas como preços, seleção de produtos, cadeia de abastecimento, conformidade e personalização. A terceira é a Enterprise AI Adoption, que procura reforçar o conhecimento sobre IA, a confiança na sua utilização e a capacidade de orientar a sua adoção em toda a organização.
O AIOps, em particular, foi o primeiro programa a colocar a IA dentro dos processos de trabalho e a medir os ganhos. A iniciativa decorreu na MC entre junho e agosto de 2025, envolvendo uma equipa de 13 pessoas e cerca de 2.500 horas de trabalho, ao longo de um ciclo de análise, priorização, testes e definição de um plano de adoção.
Os resultados demonstraram uma redução de 40% no tempo necessário para criar user stories, de 60% no tempo dedicado a dívida técnica e de 25% no tempo médio de execução de workflows. O programa permitiu ainda alcançar uma poupança de 17% nos custos de cloud, identificar 43 casos de uso de IA e executar 11 provas de conceito, acompanhadas por recomendações de adoção.
Depois de comprovado, o modelo foi redesenhado para poder ser replicado nas diferentes unidades de negócio e, em 2026, já é adotado em seis áreas da MC, abrangendo diretamente cerca de 150 pessoas – que conseguiram poupar num ano as cerca de 100 mil horas referidas, reafectando-as a funções de valor acrescentado – e será expandido a outras três áreas no último trimestre de 2026.
A MC acaba de lançar o Enterprise AI Adoption, o programa de formação estruturado e modular dedicado à capacitação da organização em IA. Com base nos resultados do assessment respondido por 4.000 pessoas, está a desenvolver um percurso de e-learning que será disponibilizado, de forma faseada, com o objetivo de reforçar a literacia em IA e criar uma base comum de conhecimento.
Com estas iniciativas, a MC procura criar uma abordagem transversal à capacitação em IA, envolvendo diferentes níveis da organização e acompanhando a evolução das competências necessárias para responder aos desafios e oportunidades da tecnologia.
A empresa
Com 40 anos de experiência, a MC é uma empresa em destaque no sector de retalho alimentar em Portugal e no sector de saúde, beleza e bem-estar na Península Ibérica. Em 2024 teve um volume de negócios de 7.619 milhões de euros, em 1.560 lojas, com cerca de 44.000 colaboradores.
