Os profissionais de direção de operações (chief operating officers, COO) das empresas europeias desempenham hoje um papel cada vez mais estratégico, assumindo responsabilidades que vão muito além da eficiência operacional. A transformação digital, a adoção da inteligência artificial (IA), a sustentabilidade e a necessidade de reforçar a resiliência das organizações estão a redefinir esta função, segundo o estudo The New COO: From Efficiency Engineer to Business Orchestrator, da Oliver Wyman.
De acordo com a análise, os COO apresentam hoje percursos profissionais mais longos e diversificados antes de assumirem a função. Enquanto antes de 2015 tinham exercido, em média, quatro cargos, atualmente acumulam entre seis e oito funções ao longo da carreira antes de chegarem ao cargo de COO. Paralelamente, a experiência profissional média antes da nomeação aumentou de 11 para 17 anos.
O estudo mostra igualmente que a permanência média no cargo aumentou de quatro para seis anos, refletindo mandatos mais longos e uma crescente importância estratégica da função. Em simultâneo, o papel do COO evoluiu de uma função centrada na eficiência operacional para uma posição de coordenação de ecossistemas empresariais cada vez mais complexos, onde coexistem prioridades como a digitalização, a IA, a sustentabilidade, a gestão do risco e a resiliência operacional.
Para compreender esta evolução, a Oliver Wyman identifica três grandes prioridades que irão moldar a agenda dos COO até 2030. A primeira consiste na construção de operações mais resilientes e digitais, através da adoção de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), da automatização, da gestão do risco e do desenvolvimento de cadeias de abastecimento mais resilientes.
A segunda centra-se na integração da IA e da sustentabilidade nas operações, incluindo a utilização de aprendizagem automática nos processos produtivos, a otimização do consumo de energia e de materiais e a resposta aos requisitos regulatórios relacionados com os critérios ESG (environmental, social and governance) e a gestão de dados.
A terceira prioridade passa pela expansão de ecossistemas colaborativos, pelo desenvolvimento de novas capacidades organizacionais, pela criação de cadeias de valor orientadas para a neutralidade carbónica e pelo reforço das competências das equipas. O estudo sublinha, contudo, que estas três prioridades coexistem e devem ser desenvolvidas em paralelo, refletindo a crescente complexidade da função.
Península Ibérica mostra evolução distinta da observada noutros mercados europeus
A análise da Oliver Wyman mostra que a evolução do perfil dos COO na Península Ibérica apresenta diferenças relativamente às tendências observadas noutros mercados europeus. No que respeita à experiência profissional antes de assumirem a função, os COO em Espanha e Portugal acumulam atualmente cerca de 20 anos de experiência, o dobro do registado antes de 2015. Entre os mercados analisados, a Península Ibérica apresenta o maior aumento da experiência acumulada antes da nomeação para COO.
Também ao nível da experiência em diferentes setores de atividade, a Península Ibérica segue uma trajetória distinta. Enquanto na Alemanha, em França e nos Países Baixos diminuiu a percentagem de COO com experiência em diferentes setores, em Espanha e Portugal essa proporção aumentou 10 pontos percentuais, atingindo 94% no período mais recente analisado.
No que diz respeito à experiência internacional, a evolução também difere da observada noutros mercados europeus. Enquanto na Alemanha, em França e nos Países Baixos diminuiu a percentagem de COO com experiência profissional em diferentes países, em Espanha e Portugal essa proporção aumentou ligeiramente, mantendo-se acima da registada nos restantes mercados analisados.
Evolução para CEO continua a ser um dos percursos possíveis
A nível europeu, o estudo identifica dois percursos distintos para os COO. Uma parte destes executivos transita para funções de chief executive officer (CEO), enquanto outra permanece em funções operacionais, aprofundando a especialização e assumindo responsabilidades crescentes na coordenação de operações, parceiros e plataformas digitais.
Os dados mostram que a percentagem de COO que transitam para funções equivalentes às de CEO diminuiu na Europa, passando de 24% antes de 2015 para 15% no período mais recente analisado. Entre os COO que chegam a CEO, 75% fazem essa transição durante os primeiros cinco anos no cargo.
Uma função cada vez mais estratégica
Segundo a Oliver Wyman, a evolução da função demonstra que os COO assumem atualmente um papel central na estratégia das organizações. Para responder a um contexto marcado pela transformação tecnológica, pelas exigências em matéria de sustentabilidade, pela crescente complexidade das cadeias de abastecimento e pela volatilidade geopolítica, estes executivos necessitam de combinar experiência operacional, conhecimento tecnológico e capacidade de coordenação entre diferentes áreas e parceiros.
O estudo conclui que os COO mais bem-sucedidos serão aqueles que consigam desenvolver um modelo integrado de operações, reforçar as capacidades das suas equipas e responder, em simultâneo, aos desafios da digitalização, da IA, da sustentabilidade e da resiliência operacional.
O estudo completo pode ser consultado aqui.
A Oliver Wyman
A Oliver Wyman é uma empresa da Marsh, organização em destaque em risco, resseguro, capital, pessoas e investimentos e ainda consultoria de gestão, prestando assessoria a clientes em 130 países. Com uma receita anual de 27 mil milhões de dólares e mais de 95.000 colaboradores, a Marsh contribui para construir a confiança necessária para prosperar, através do poder da perspetiva.
