Reter talento é dar razões para ficar

Texto: Sandra Lourenço Imagem: DR

A escassez de competências deixou de ser uma tendência para passar a ser uma realidade estrutural. Mas talvez o maior equívoco seja continuar a interpretá-la apenas como um problema de mercado. É também, e sobretudo, uma questão interna, da forma como as organizações pensam, desenvolvem e desafiam o talento que já têm.

A nova geração de profissionais não está menos comprometida. Está menos disponível para contextos que não a façam evoluir. Cresceu num mundo de estímulo constante, aprendizagem rápida e acesso imediato à informação. Chega às empresas com a expectativa, legítima, de continuar esse percurso. E quando encontra estruturas rígidas, planos de formação genéricos e pouca ligação entre o que aprende e o impacto que gera, perde interesse.

É aqui que muitas organizações ainda falham: continuam a tratar o desenvolvimento como um benefício, quando ele é, na verdade, um dos principais fatores de retenção.

Formar não é suficiente. É preciso desenvolver, com intenção, com continuidade e com ligação ao negócio.

É neste contexto que começam a surgir sinais de mudança mais consistentes. Algumas organizações estão a dar um passo atrás para repensar, de raiz, a forma como fazem crescer as suas pessoas. A criação de academias internas é um desses sinais. Mas só faz sentido quando deixa de ser um repositório de formação e passa a ser um verdadeiro motor de transformação.

Quando bem concebidas, estas estruturas vão além da componente técnica. Trabalham competências comportamentais, promovem pensamento crítico, reforçam alinhamento estratégico e criam condições para que cada pessoa compreenda melhor o seu papel no percurso coletivo da organização.

Mais interessante ainda é quando este investimento não se fecha sobre si próprio, mas se estende a clientes e a empreendedores, criando uma lógica de desenvolvimento partilhado.

No fundo, o que está em causa é uma mudança de mentalidade: deixar de encarar o talento como um recurso a gerir e passar a reconhecê-lo como um ativo a desenvolver continuamente.

Num contexto de incerteza e transformação acelerada, as organizações não vão conseguir reter pessoas apenas com propostas salariais competitivas ou benefícios diferenciadores. Isso é o mínimo esperado.

O que fará verdadeiramente a diferença é a capacidade de criar contextos onde as pessoas sintam que estão a crescer, não apenas na função que desempenham, mas naquilo que podem vir a ser.

Porque, no final, o talento não permanece onde tudo é mais confortável. Permanece onde encontra desafio, reconhecimento e futuro.





Sandra Lourenço
, Chief of People, Marketing & Sales do Grupo Your (presença no LinkedIn aqui)


O Grupo Your é uma empresa de capital 100 % português, detido pela Explorer Investments. Com 20 anos de atividade decorridos desde a sua fundação, afirma-se como parceiro financeiro de referência e de confiança das pequenas e médias empresas (PME) em Portugal, apoiando o seu crescimento sustentável. Especializado em serviços de contabilidade, payroll e apoio administrativo, aposta na excelência, no rigor e na proximidade no acompanhamento dos seus clientes, oferecendo soluções financeiras que simplificam a gestão e sustentam decisões informadas.

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