Empresas já não procuram apenas viagens de incentivo, procuram impacto

As empresas mudaram a forma como olham para os programas de incentivo. O que durante muitos anos foi encarado sobretudo como uma recompensa para colaboradores passou a assumir um papel cada vez mais estratégico no reforço da cultura organizacional, no reconhecimento de talento, na aproximação entre equipas e na concretização de objetivos de negócio.

Na experiência acumulada no desenho de programas de incentivo para diferentes organizações, a IN.TO by UPPartner tem identificado uma mudança consistente na forma como as empresas abordam estas iniciativas.A conversa deixou de estar centrada apenas no destino ou na experiência e passou a focar-se, cada vez mais, no impacto que estas iniciativas podem gerar na cultura organizacional, no alinhamento das equipas e na concretização de objetivos de negócio.

Gonçalo Lucena, head para Incentives & MICE da IN.TO by UPPartner, assinala que o mercado do turismo corporate evoluiu significativamente nos últimos anos, fazendo notar que o problema é que a forma como muitos destes programas continuam a ser desenhados ainda não acompanhou essa transformação. E acrescenta: «Durante muitos anos, o sucesso de um programa de incentivo media-se pela qualidade da viagem. Hoje, isso já não chega. As empresas investem nestas experiências porque querem reforçar a cultura, reconhecer equipas, criar alinhamento ou aproximar pessoas. Se esse objetivo não estiver presente desde o primeiro momento, o destino acaba por ser apenas o cenário.»

Segundo o responsável, muitas organizações continuam a iniciar estes projetos pela escolha do destino, do hotel ou do operador, quando a primeira pergunta deveria ser outra: o que é que esta experiência deve mudar dentro da organização?

À medida que cresce a necessidade de demonstrar o retorno de cada investimento, estas iniciativas deixam de ser avaliadas apenas pela experiência proporcionada aos participantes e passam a ser analisadas pelo impacto que conseguem gerar na cultura, no compromisso das equipas e nos objetivos da empresa.

Apesar desta evolução, o mercado continua frequentemente organizado por especialidades. Operadores turísticos, DMC (destination management company), hotéis, parceiros locais, agências de comunicação, produtores de conteúdos e outros fornecedores participam em diferentes fases do projeto, mas nem sempre enquadrados por uma estratégia comum que ligue todas essas componentes ao objetivo da organização.

Gonçalo Lucena refere ainda que este continua a ser um dos maiores desafios do sector, e explica: «Portugal tem excelentes operadores, excelentes hotéis e excelentes especialistas em cada área. O desafio nunca foi a falta de qualidade da oferta. O verdadeiro desafio está em garantir que todas essas competências trabalham para responder ao mesmo objetivo da empresa e não apenas para executar bem a sua função.»

Esta leitura acompanha também as tendências identificadas internacionalmente. O Incentive Travel Index 2025, desenvolvido pela SITE, pela Incentive Research Foundation e pela Oxford Economics, mostra que os programas de incentivo continuam a ganhar relevância estratégica para as organizações, ao mesmo tempo que aumenta a complexidade da sua conceção e coordenação. O estudo evidencia ainda que muitas empresas continuam a ter dificuldade em integrar estas iniciativas nas suas estratégias de gestão de pessoas e em alinhar todos os intervenientes envolvidos num objetivo comum.

«Enquanto continuarmos a pensar primeiro na viagem e só depois no objetivo, estaremos sempre a desperdiçar parte do potencial que estas experiências podem ter nas pessoas e nas organizações. O verdadeiro desafio já não é organizar uma excelente viagem, é desenhar uma experiência capaz de produzir um impacto concreto para quem nela investe», afirma a concluir Gonçalo Lucena.

A UPPartner

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