A Coverflex apresentou ontem, quarta-feira, 18 de março, «O Estado da Compensação em Portugal 2026», um estudo anual que analisa como os trabalhadores portugueses percecionam a sua compensação e os benefícios, e o impacto direto na satisfação profissional, no bem-estar financeiro e na vontade de permanecer na empresa. Baseado numa amostra representativa da população empregada em Portugal, o estudo revela que a compensação tem impacto direto no bem-estar e na retenção de talento, e vai muito além do salário: é sobre justiça, reconhecimento, e qualidade de vida.
Numa primeira análise aos dados, salta à vista que metade (48%) dos participantes estão insatisfeitos com o salário, bem como com o pacote de benefícios (46,1%).
Dois terços da população (64,1%) já recebe benefícios extra-salariais – em média, reporta receber mensalmente entre 101 e 200 euros em benefícios.
Olhando para os benefícios mais oferecidos pelas empresas, lideram a tabela despesas de saúde e bem-estar com seguro de saúde (24,6%), seguro de acidentes pessoais (24,6%), descontos (21%), apoio em combustível (22,8%) e pacotes de telecomunicações (20,3%).
Ainda que de um modo geral estes sejam também os benefícios mais desejados pelos trabalhadores (especialmente o seguro de saúde), o ponto de maior discrepância é a oferta de planos de poupança e reforma – oferta nos 13,8%, face a 21,8% de vontade de obter este serviço.
A falta de poder de escolha é outra grande fonte de insatisfação dos inquiridos – quase um terço (26% a 27%) expressam desagrado quanto ao grau de influência e ao envolvimento na hora de planear benefícios. Percebe-se assim que o tecido empresarial deve caminhar para uma maior autonomia neste campo, oferecendo um leque de opções em vez de um pacote de benefícios fixo e igual para todos.
Compensação como amortecedor do stress e gerador de felicidade
Os dados do estudo mostram que a compensação continua a desempenhar um papel central na relação entre trabalhadores e empresas. Ainda que muitos colaboradores revelem níveis razoáveis de satisfação com o seu trabalho, mais de metade indica existir margem para maior satisfação com o seu pacote de compensação, não só ao nível do salário mas também no que toca à disponibilidade de benefícios, percepção de justiça, e adequação às necessidades individuais.
73% dos inquiridos afirmou sentir stress nos três dias anteriores à participação no estudo, sendo que dessa amostra os valores mais elevados (76%) refletem-se nos trabalhadores que estão insatisfeitos com a compensação.
Olhando para níveis de felicidade, vê-se um quadro inversamente proporcional: dos 64% de pessoas felizes nos três dias anteriores ao estudo, a esmagadora maioria (81%) está satisfeita com a sua compensação.
O estudo indica uma relação clara entre compensação e stress. Entre os trabalhadores insatisfeitos com o pacote de compensação, 76% dizem ter sentido stress nos três dias anteriores ao estudo, um valor superior ao registado entre quem está satisfeito. A forma como as empresas estruturam e comunicam a compensação pode, por isso, ter um impacto direto no bem-estar no trabalho.
Compensação como segurança financeira
Os resultados mostram que os benefícios com impacto direto no orçamento mensal podem desempenhar um papel importante no bem-estar financeiro dos trabalhadores. É esta a grande conclusão deste capítulo, ao revelar que menos de metade (43,9%) dos participantes consideram ter «dinheiro suficiente para tudo o que é preciso». Já quem está mais satisfeito com a compensação apresenta bem-estar financeiro mais elevado (68,9%) do que quem está insatisfeito.
Compensação como ferramenta de retenção de talento
O estudo identifica um desalinhamento entre o que as pessoas valorizam e o que as empresas oferecem – metade (52,6%) dos inquiridos diz-se insatisfeito com o pacote de compensação atual.
Esta realidade salta à vista também quando analisamos a dimensão das empresas: quanto maior a empresa menor a satisfação com a compensação. Tal poderá dever-se à expectativa de pacotes de compensação mais robustos e flexíveis.
O estudo mostra que a flexibilidade, o reconhecimento das pessoas, e a personalização da compensação têm um impacto direto na satisfação, no bem-estar e na intenção de permanência na empresa. Os dados indicam que trabalhadores com acesso a pacotes de benefícios mais completos tendem a reportar níveis mais elevados de satisfação com o trabalho e maior intenção de permanecer na empresa.
O estudo mostra que a compensação está cada vez mais ligada à experiência de trabalho e à retenção de talento nas empresas. À medida que as organizações continuam a desenvolver modelos mais flexíveis, transparentes e personalizados, cresce também a oportunidade de reforçar o bem-estar dos colaboradores e a competitividade das empresas.
Compensação como ferramenta de equidade salarial
Os homens mostram-se, em média, um pouco mais satisfeitos com a compensação do que as mulheres (5,26 versus 4,7), o que reflete o facto de as mulheres ganharem menos.
A análise confirma que as mulheres reportam, em média, rendimentos inferiores aos dos homens, concentrando-se em escalões de rendimento mais baixos. O estudo sublinha que a equidade salarial não é apenas uma questão de imagem ou credibilidade: afeta diretamente a satisfação e a retenção de talento. Bandas salariais transparentes e auditorias regulares são essenciais para reduzir a desigualdade e a injustiça percebida.
Inês Odila, country manager da Coverflex em Portugal, refere: «Existem sinais muito positivos de evolução nas práticas de compensação em Portugal, com cada vez mais empresas a integrar benefícios nos seus pacotes salariais. Ao mesmo tempo, fica claro que ainda existe margem para continuar a evoluir, tornando os pacotes de compensação mais completos, flexíveis e adaptados às diferentes fases de vida das pessoas. Quando as empresas conseguem estruturar e comunicar bem essa proposta de valor, o impacto na satisfação e na retenção dos colaboradores é significativo.»
Em resumo, apesar de alguns serviços estarem amplamente disseminados, como o subsídio de refeição, há ainda um grande caminho por parte das empresas no sentido de alinhar a oferta de pacotes de compensação com as expectativas do colaborador.
O seguro de saúde, a flexibilidade salarial, os incentivos de longo prazo e os modelos de benefícios flexíveis continuam a ter uma adoção relativamente limitada, embora sejam claramente valorizados pelos trabalhadores, o que evidencia uma oportunidade para as organizações continuarem a fazer evoluir as suas práticas de compensação.
Mais do que o valor do salário isoladamente, o que mais influencia a satisfação dos trabalhadores é a forma como o pacote de compensação é percebido no seu conjunto. Pacotes de benefícios mais completos e bem estruturados estão associados a maior bem-estar, maior satisfação com o trabalho, e uma maior vontade de permanecer na organização.
O estudo
«O Estado da Compensação em Portugal 2026» baseia-se numa amostra representativa da população portuguesa empregada, com recolha de dados realizada em outubro de 2025. Foram inquiridos 804 profissionais: 47,9% homens e 52,1% mulheres.
Este estudo procura compreender como as pessoas vivem o trabalho em Portugal: quais são as suas expectativas, que fatores contribuem para a sua satisfação, e onde existem oportunidades para evoluir.
A Coverflex
Fundada em 2019 por Luís Rocha (ex-TUI Musement), Miguel Santo Amaro (ex-Uniplaces), Nuno Pinto (ex-Kide), Rui Carvalho (ex-Unbabel) e Tiago Fernandes (ex-Bitmaker), a Coverflex é uma a solução de compensação flexível que permite às empresas reduzir custos e maximizar o potencial de rendimentos dos seus colaboradores. As empresas podem agregar a gestão da compensação para além do salário: benefícios, seguros, subsídio de refeição, budgets e descontos exclusivos. Os colaboradores podem desbloquear todo o seu potencial de rendimentos, personalizar o seu pack de compensação, fazendo escolhas sobre como gastar o seu orçamento naquilo que melhor lhes convém, utilizando o seu cartão pessoal VISA e a aplicação.
Desde a sua fundação, a startup já levantou 20 milhões de euros em capital de risco, incluindo a maior ronda pre-seed de sempre em Portugal (cinco milhões) e uma das maiores da Europa, em abril de 2021. Foi considerada #1 LinkedIn Top Startups em 2022 e, em 2023, foi nomeada a melhor empresa (50-100 colaboradores) para trabalhar em Portugal pela Great Place To Work Institute.
