Da conformidade legal à cultura de prevenção

Cuidar verdadeiramente das pessoas e das empresas

Texto: Carlos Costa Imagem: DR

A SST tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no contexto empresarial português. Tradicionalmente encarada como uma obrigação legal, esta área evolui hoje para um domínio estratégico, diretamente relacionado com a produtividade, a sustentabilidade e a reputação das organizações.

Apesar dos avanços legislativos e técnicos, os indicadores continuam a revelar fragilidades estruturais. Em 2023, Portugal registou 184.607 acidentes de trabalho, responsáveis por cerca de cinco milhões de dias de ausência. No contexto europeu, o país mantém-se entre os que apresentam maior incidência de acidentes não mortais

Estes dados evidenciam a necessidade de uma mudança de paradigma: da conformidade formal para o cuidado genuíno.

Evolução do conceito de SST

A abordagem tradicional à SST assentava na identificação de riscos físicos e na implementação de medidas corretivas. Contudo, o contexto atual exige uma visão mais abrangente.

Dados recentes indicam que:

– cerca de 50% da população ativa apresenta níveis elevados de stress;

– 61% dos trabalhadores manifesta sinais de burnout ou risco associado;

– mais de 40% reporta pressão excessiva e sobrecarga de trabalho.

A SST deve, assim, integrar dimensões físicas, psicológicas e organizacionais, assumindo-se como uma área multidisciplinar e estratégica.

Impacto económico e organizacional

A ausência de uma cultura de cuidado tem consequências diretas na performance empresarial.

Em Portugal:

– o absentismo laboral apresenta uma taxa média de 4,1%, representando cerca de 2,5 mil milhões de euros anuais;

– os custos associados ao stress e aos problemas de saúde psicológica atingem 5,3 mil milhões de euros por ano.

Para além dos custos diretos, importa considerar os efeitos indiretos:

– redução da produtividade;

– aumento de rotatividade;

– diminuição do compromisso organizacional.

A evidência demonstra que investir em SST não é um custo, mas sim uma decisão estratégica com retorno mensurável.

Boas práticas organizacionais em SST

A evolução para uma cultura de cuidado concretiza-se através da implementação de práticas consistentes e integradas. Vejamos:

1. Integração da SST na estratégia organizacional

As organizações mais maduras integram a SST nos seus modelos de governação.

Práticas-chave:

– definição de indicadores de segurança e bem-estar (KPIs, key performance indicators);

– reporting ao nível da gestão de topo.

– alinhamento com políticas ESG (environmental, social and governance).

2. Programas de promoção da saúde mental

Face à crescente incidência de riscos psicossociais, destacam-se iniciativas estruturadas de apoio.

Práticas-chave:

– programas de apoio ao colaborador (EAP, employment assistance programs);

– acesso a acompanhamento psicológico;

– políticas de equilíbrio trabalho/ vida pessoal.

3. Participação ativa dos trabalhadores

A participação dos trabalhadores é determinante para a eficácia das medidas.

Práticas-chave:

– sistemas de reporting de quase-acidentes;

– reuniões periódicas de segurança (toolbox meetings);

– consulta ativa nos processos de avaliação de riscos.

4. Utilização de tecnologia na prevenção

A digitalização tem vindo a reforçar a capacidade preventiva.

Práticas-chave:

– sistemas de monitorização em tempo real;

– plataformas digitais de gestão de SST;

– formação imersiva (realidade virtual).

5. Promoção da ergonomia e adaptação do trabalho

A adaptação do trabalho ao trabalhador assume especial relevância.

Práticas-chave:

– avaliações ergonómicas regulares;

– adaptação de postos em contexto de teletrabalho;

– prevenção de lesões músculo-esqueléticas.

6. Liderança visível e cultura organizacional

A liderança desempenha um papel central na consolidação da cultura de prevenção.

Práticas-chave:

– envolvimento direto da gestão;

– comunicação clara e contínua;

– reconhecimento de comportamentos seguros.

Do cumprimento à cultura: fatores críticos de sucesso

A transição para uma cultura de cuidado exige:

– compromisso da liderança;

– integração da SST na estratégia;

– envolvimento dos trabalhadores;

– monitorização contínua;

– abordagem preventiva e não reativa.

Mais do que implementar medidas isoladas, importa transformar a forma como as organizações pensam e gerem o trabalho.

Eixos de intervenção

Na Psicologia, cuidar verdadeiramente das pessoas em contexto de trabalho significa atuar antes, durante e depois do risco. A SST não se esgota na prevenção de acidentes físicos: inclui também a proteção da saúde mental, a qualidade das relações, a segurança psicológica, a capacidade das lideranças para cuidar das equipas e a criação de ambientes onde as pessoas possam trabalhar com desempenho, dignidade e equilíbrio.

É neste enquadramento que organizamos a nossa intervenção em seis grandes eixos.

O primeiro é o diagnóstico e a avaliação. Inclui a avaliação qualitativa e quantitativa de riscos psicossociais, ajustada à dimensão da organização, bem como o Sistema Integrado de Avaliação e Gestão de Riscos Psicossociais. Inclui ainda avaliações psicológicas a pedido do médico do trabalho, avaliações para vigilantes e profissões reguladas, avaliação psicológica em procedimentos concursais e auditorias de segurança psicológica da liderança.

O segundo eixo é a prevenção e gestão dos principais riscos psicossociais. Aqui integram-se programas de prevenção de burnout, gestão de stress laboral, prevenção de assédio e violência, gestão de fadiga e sono em regimes de turnos ou funções de elevada exigência, psicologia da segurança comportamental e programas integrados de segurança comportamental e gestão de crise. Soluções como RespectShield, FatigueGuard, ReturnStrong e o Programa Estruturado de Sustentabilidade Psicológica Organizacional permitem transformar a prevenção em processos concretos, mensuráveis e ajustados à realidade de cada empresa.

O terceiro eixo centra-se na liderança e nas equipas. A consultoria em liderança psicologicamente saudável, o coaching individual, executivo, de equipas e on-the-job ajudam a desenvolver lideranças mais conscientes, capazes de promover confiança, clareza, responsabilização e segurança psicológica. Quando as chefias estão preparadas para reconhecer sinais de desgaste, gerir conflitos e comunicar melhor, toda a organização ganha.

O quarto eixo é a intervenção e apoio em momentos críticos. A intervenção psicológica em crise organizacional, as consultas SOS, as linhas de atenção psicológica e o apoio psicológico individual, on-line ou presencial, permitem uma resposta rápida, ética e especializada quando surgem situações de sofrimento, conflito, trauma, instabilidade emocional ou risco acrescido.

O quinto eixo é o acompanhamento do regresso e da continuidade laboral. O apoio na reintegração após licenças médicas e programas como o ReturnStrong promovem regressos mais seguros, sustentáveis e articulados com a medicina do trabalho, os recursos humanos e as lideranças.

Por fim, valorizamos a literacia e a capacitação. Workshops, infografias e ações de sensibilização tornam os temas psicológicos mais acessíveis e ajudam a criar uma cultura preventiva.

Cuidar das pessoas é, também, cuidar das empresas. Organizações psicologicamente saudáveis tendem a ter equipas mais envolvidas, menor absentismo, melhor retenção de talento, mais segurança e maior capacidade de adaptação. A Psicologia aplicada à SST é, por isso, uma resposta humana e estratégica: protege a saúde, fortalece a cultura organizacional e contribui para empresas mais sustentáveis e competitivas.

Serviços agrupados por áreas

1. Diagnóstico, avaliação e gestão de riscos psicossociais

Inclui avaliação qualitativa e quantitativa de riscos psicossociais, Sistema Integrado de Avaliação e Gestão de Riscos Psicossociais, auditoria de segurança psicológica da liderança e avaliações psicológicas específicas.

2. Prevenção de riscos psicossociais e promoção de ambientes saudáveis

Inclui programas de prevenção de burnout, gestão de stress laboral, prevenção de assédio e violência, gestão de fadiga e sono, segurança comportamental e sustentabilidade psicológica organizacional.

3. Liderança, cultura e desenvolvimento de equipas

Inclui consultoria em liderança psicologicamente saudável, coaching individual, executivo, de equipas e on-the-job.

4. Intervenção em crise e apoio psicológico

Inclui intervenção psicológica em crise organizacional, consulta SOS, linhas de atenção psicológica e apoio psicológico individual on-line ou presencial.

5. Regresso ao trabalho e reintegração

Inclui apoio na reintegração após licenças médicas e programas estruturados como o ReturnStrong.

6. Formação, literacia e sensibilização

Inclui workshops, infografias e ações de capacitação para líderes, equipas e organizações.

Ergonomia, uma necessidade estratégica

A ergonomia deixou de ser uma opção, é uma necessidade estratégica.

Cada dia sem prevenção tem um custo.

A causa de grande parte dos problemas de saúde relacionados a ergonomia está em:

– posturas incorretas;

– movimentos repetitivos;

– levantamentos de cargas;

– equipamentos inadequados;

– organização deficiente das tarefas;

– permanência prolongada sentado/ de pé;

– …

Uma avaliação ergonómica correta vai permitir à empresa implementar medidas que possam prevenir/ evitar as lesões músculo-esqueléticas.

Quando a ergonomia é uma prioridade, temos:

– menos lesões

– menos absentismo

– maior produtividade

– mais conforto e motivação

– melhor ambiente de trabalho

– maior retenção de talento

– cultura de segurança mais forte.

Pessoas mais saudáveis criam organizações mais fortes.

Cuidar das pessoas hoje é contruir o sucesso de amanhã.

Trabalhar melhor, viver melhor e regressar a casa em segurança todos os dias.

Serviços disponibilizados

Para esta área temos ao dispor uma série de serviços à disposição dos nossos clientes:

– avaliação ergonómica por postos de trabalho;

– estudos ergonómicos em contexto industrial;

– avaliação de carga física e organizacional;

– formação prática em ergonomia;

workshop em ergonomia.

Adicionalmente a estes serviços, disponibilizamos também de:

– avaliação de iluminação, temperatura e humidade relativa;

– avaliação de ruído;

– qualidade de ar;

– monotorização do radão;

– avaliação de contaminantes químicos;

– avaliação de efluentes gasosos (partículas totais e PM10; CO, CO2, SO2 e NOx; fluoretos e cloretos; compostos orgânicos voláteis, COV’s, totais e específicos; metais pesados; entre outros)

Estes serviços vão contribuir para cuidar verdadeiramente das pessoas e assegurar que as empresas, por esta via, também estão a ser cuidadas e a tornar-se mais competitivas no mercado, pela força das suas equipas.

Conclusão

Os dados evidenciam que Portugal enfrenta desafios relevantes em matéria de SST, tanto ao nível da sinistralidade como dos riscos emergentes associados à saúde mental.

Contudo, as boas práticas já existentes demonstram que é possível evoluir para modelos organizacionais mais seguros, saudáveis e produtivos.

Cuidar verdadeiramente das pessoas e das empresas implica uma mudança profunda:

– de uma lógica de obrigação para uma lógica de compromisso;

– de medidas reativas para uma prevenção integrada;

– de uma visão técnica para uma abordagem humana.

As organizações que liderarão o futuro são aquelas que reconhecem que o seu maior ativo são as pessoas – e que cuidar delas é, simultaneamente, um dever e uma vantagem competitiva.





Carlos Costa
, Diretor Técnico da Quirónprevención Portugal; presença no LinkedIn aqui


A Quirónprevención é uma empresa de prevenção de riscos profissionais. Orienta os seus esforços para cumprir a missão de cuidar das organizações, garantindo a segurança dos seus locais de trabalho e a saúde das suas pessoas. Trabalha não apenas para promover uma cultura preventiva nas organizações, mas na sociedade em geral, pois os seus responsáveis acreditam que uma atitude preventiva vai além do ambiente de trabalho. A sua aposta é em soluções diferenciadoras, com uma forte orientação para o bem-estar, a saúde e segurança dos trabalhadores.

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