Quinta de Chocapalha Arinto Antigo

Apego à ancestralidade e à casta rainha de uma região

Num profundo respeito por métodos ancestrais, representativos de tradições que perduram aos dias de hoje, nasce o estreante Quinta de Chocapalha Arinto Antigo. A nova referência do já emblemático projeto de família, na zona de Alenquer, representa um regresso às origens numa região onde o Arinto fala mais alto.

Texto: Redação «human»

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Oriundo de vinhas velhas, com idades superiores a 30 anos, e exposição a norte, o monocasta da colheita de 2020 é o resultado de um longo período experimental protagonizado pela enóloga Sandra Tavares da Silva, filha do casal produtor Alice e Paulo Tavares da Silva, que procurou explorar a versatilidade da casta branca, dando-lhe o merecido palco.

O regresso às origens, tendo em conta o legado vitivinícola da região dos Vinhos de Lisboa, traduz-se num branco cuja fermentação ocorreu durante 28 dias a baixas temperaturas, com maceração pelicular ou curtimenta, tendo o processo terminado em barricas usadas de carvalho francês. O estágio ocorreu nas mesmas barricas durante 24 meses e em contacto com as borras finas, período ao qual se somaram mais 12 meses de estadia em garrafa.

A dedicação, tanto na vinha como no processo de vinificação, resultou num branco de cor dourada, com um nariz intenso e complexo, marcado pelas notas de petróleo, marmelo e sílex, sendo que na boca torna-se evidente a enorme frescura e densidade que andam de mãos dadas com uma textura pontuada por taninos equilibrados e persistentes. No momento da despedida sobra o final muito longo, com a acidez estruturada a sobressair e a fazer caso para memória futura.

O Arinto Antigo, a mais recente referência da casa, em momento algum deixa de ser uma homenagem à uva que é eleição deste projeto familiar – a título de exemplo, o primeiro colheita Arinto data de 2008. O respetivo lançamento acontece ainda numa altura em que a Quinta de Chocapalha celebra 10 anos de existência de uma adega moderna de linhas direitas, erguida na paisagem vinhateira de Alenquer para se fundir e perder na paisagem.

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A quinta

A Quinta de Chocapalha, situada na Aldeia Galega, em Alenquer, região demarcada de Lisboa, é referida desde o século XVI pelas suas excelentes vinhas e vinhos. Pertenceu, desde os começos do século XIX, a Constantino O`Neil, que mais tarde a doou a Diogo Duff, ilustre fidalgo escocês muito estimado pelo rei D. João VI, que o condecorou com a comenda de Torre e Espada.

A quinta permaneceu na posse da família Duff até à década de 80 do século passado, altura em que foi adquirida por Alice e Paulo Tavares da Silva. O casal investiu na restruturação e na replantação total dos 45 hectares de vinha e na adega e introduziu novas técnicas de cultivo com o intuito de dar continuidade às antigas tradições desta quinta vinhateira, sempre em busca de uma melhoria das qualidades e prestígio dos seus vinhos.

Só na vindima de 2000, momento em que as vinhas atingiram a sua maturidade e a qualidade pretendida, foi decidido proceder ao engarrafamento dos melhores vinhos aí produzidos. Nessa altura, Sandra Tavares da Silva, filha dos proprietários, desafiou os pais a começarem a produzir vinho com as melhores uvas aí produzidas. A direção técnica passou então a ser assegurada por si.

A assinatura de uma marca própria traz responsabilidades acrescidas, e porque a vinha e o vinho são os elementos centrais na Quinta da Chocapalha, é sobre eles que recaem todas atenções da família.

A paisagem da quinta é caracterizada pelos seus altos e baixos, pequenos montes, vegetação abundante, com a Serra de Montejunto ao fundo. Sente-se a paz do campo, goza-se a pureza dos ares, ouve-se o chilrear da passarada e sente-se o espírito da vinha e do vinho. Recentemente, a Quinta de Chocapalha passou também a integrar ofertas enoturísticas, com marcação. Pode-se visitar as vinhas e a adega, fazer uma prova de vinhos e até almoçar.

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