Olhar para a hotelaria como uma escola de oportunidades

Texto: António Marto Imagem: DR

Há poucos sectores onde a relação entre aquilo que fazemos e a reação de quem está do outro lado seja tão direta. O cliente chega, é recebido, coloca uma questão, pede uma sugestão, avalia um serviço ou apresenta um problema. E, muitas vezes, não há tempo para pensar na resposta amanhã, por interpostos canais. É preciso responder naquele momento.

E no que é que esta relação mais direta resulta? Desde logo, junto dos profissionais que ainda estão a ganhar experiência no sector, pois permite-lhes aprender a trabalhar em equipa, a lidar com diferentes indivíduos e a reagir perante situações que nem sempre estavam previstas. E, estejamos cientes, é importante compreender desde cedo os pequenos detalhes podem fazer uma grande diferença num processo tão complexo e relevante como é a experiência do cliente.

Ultrapassada esta primeira fase evolutiva, há a possibilidade de crescer. Nesta área, uma carreira pode começar numa função operacional e evoluir para responsabilidades de supervisão, gestão de equipas ou liderança. Os percursos são diferentes e dependem em larga medida das competências e ambições de cada um. Mas a possibilidade de progressão é uma das características que tornam a hotelaria particularmente interessante.

Para isso, porém, não basta identificar talento. É preciso desenvolvê-lo. A formação não pode terminar quando alguém entra numa empresa, deve acompanhar o profissional ao longo do percurso. As empresas têm de estar cientes que a criação de oportunidades para as suas pessoas aprenderem e adquirirem conhecimentos é fator imperativo, igualmente, para o sucesso sustentável da organização.

Também por isso, reter talento é tão importante como recrutar. A hotelaria é um sector com elevada mobilidade. Há profissionais que mudam de função ou de geografia à procura de novos desafios. E essa mobilidade pode ser uma vantagem, pois permite conhecer outras realidades, ganhar experiência e abrir novas portas. O problema surge quando as pessoas saem, não porque encontraram um novo desafio, mas porque deixaram de encontrar razões para ficar. Quando falta reconhecimento ou uma perspetiva de futuro, a empresa perde conhecimento e experiência. E essa perda acaba por ter impacto na qualidade do serviço.

É aqui que as lideranças assumem um papel determinante. A hotelaria precisa de líderes próximos das suas equipas, capazes de ouvir, reconhecer e dar feedback. Liderar não é apenas organizar horários, distribuir tarefas ou cumprir objetivos definidos no início do ano. É criar confiança e dar às equipas motivos para quererem fazer melhor.

Da mesma forma que, no que concerne à introdução de inovações tecnológicas no sector, a simplificação de processos e a automatização de tarefas são fundamentais, ao libertar tempo para aquilo que continua a ser difícil de substituir, a relação com o cliente e a capacidade de criar uma experiência que faça alguém querer voltar.

Para aproveitar este potencial, empresas e instituições de ensino têm de trabalhar mais próximas. A formação precisa de estar ligada às necessidades reais do sector e as empresas devem participar na preparação dos futuros profissionais. É uma relação de benefício mútuo, pois quem está a estudar conhece melhor a realidade que vai encontrar, enquanto as empresas recebem pessoas mais preparadas.

Perante o acima exposto, a hotelaria não tem de ser apenas o lugar onde se começa a trabalhar. Pode ser o lugar onde se aprende, também, a liderar ou a assumir responsabilidades. É essa dimensão que tem de ser mais considerada sempre que se fala deste sector.



António Marto é fundador da Bolsa de Empregabilidade. Nascido em 20 de maio de 1987, em Fátima, Portugal, desde muito jovem que começou a trabalhar em atividades de turismo para cobrir as suas despesas de vida e pagar os estudos. É apaixonado pelo contacto com o público e pelo desafio de criar novas oportunidades e caminhos para soluções de negócios, teve a oportunidade de mostrar o seu trabalho na Associação Fórum Turismo, onde entrou em 2015 como estagiário, sendo atualmente presidente da Direção. A sua carreira profissional tem sido marcada pela vinculação a nomes de iniciativas como Bolsa de Empregabilidade, Hospitality Education Awards – os prémios que valorizam o talento em Educação e Formação em Turismo em Portugal, além de Tomorrow Tourism Leaders e Portugal Tourism Challenge. Mais recentemente, criou o Fórum Consulting para inovação e estratégia para o turismo. Recentemente foi reconhecido com o título de Jovem Líder da TNews e da Nova SBE Westmont Institute of Tourism & Hospitality nos Prémios Líderes do Turismo. Licenciado pelo Instituto Politécnico de Leiria (ESTM) e com um mestrado do Instituto Politécnico de Lisboa (ISCAL), tem ainda formação nas áreas de Turismo e Relações Públicas, Marketing Digital, Empreendedorismo e Inovação Empresarial. Presença no LinkedIn aqui.


A Bolsa de Empregabilidade é um hub e uma plataforma de recrutamento baseada em Portugal, especializada no sector de Turismo e Hotelaria. Foi criada em 2016 – impulsionada pelo Fórum Turismo – para combater a escassez de mão-de-obra e otimizar a ligação entre a oferta e a procura no sector das viagens e hospitalidade. Procura ligar profissionais, estudantes e outras pessoas quem procurem desafios profissionais aos departamentos de recursos humanos de hotéis, agências de viagens e empresas do sector. Organiza eventos físicos e feiras de recrutamento anuais em várias regiões de Portugal Continental (como Lisboa, Porto, Algarve, Alentejo e Centro), bem como o TourismOn, um evento pensado para escolas e estudantes que querem conhecer e explorar todas as possibilidades de uma carreira em Turismo.

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