Nesta entrevista, a psicoterapeuta Fernanda Capati partilha a sua perspetiva sobre o DISC enquanto ferramenta complementar para compreender o comportamento visível e promover maior autoconhecimento. Ao longo da conversa, aborda a relação entre comportamento, comunicação, tomada de decisão e relações humanas, defendendo uma utilização do DISC que procura ampliar a consciência e desenvolver maior flexibilidade comportamental.
Texto: Redação «human» Foto: DR
Enquanto profissional com formação e experiência na área do comportamento humano, que novas perspetivas sobre o comportamento humano a Certificação DISC acrescentou à sua experiência e à sua prática profissional?
A Certificação DISC acrescentou sobretudo uma lente mais objetiva e prática para observar o comportamento. Na minha prática, estou habituada a trabalhar com a história de cada pessoa, com as suas emoções, as suas crenças, as suas relações e os seus padrões mais profundos. O DISC trouxe-me uma forma complementar de perceber como tudo isso se manifesta no comportamento visível, na forma de comunicar, tomar decisões, reagir à pressão ou relacionar-se com os outros.
O que considero particularmente interessante é a possibilidade de organizar determinadas tendências comportamentais sem reduzir a pessoa a um perfil. Para mim, o valor está justamente aí: utilizar o DISC como um instrumento de ampliação da consciência, e não como um rótulo.
De que forma o DISC pode complementar outras abordagens utilizadas no acompanhamento e desenvolvimento das pessoas, sem substituir a profundidade e especificidade de cada uma delas?
Vejo o DISC como uma linguagem de acesso, e não como uma explicação total sobre uma pessoa. Ele permite identificar tendências comportamentais de forma bastante clara e, a partir daí, abrir espaço para investigações mais profundas.
Abordagens como a Psicanálise, a Neurociência ou outros referenciais que utilizo no meu trabalho permitem compreender diferentes dimensões da experiência humana. O DISC acrescenta uma leitura muito prática sobre a forma como a pessoa tende a agir e a interagir com o ambiente.
Essa complementaridade é especialmente rica, porque podemos sair apenas da compreensão e avançar para a aplicação: perceber um padrão, reconhecer o seu impacto e desenvolver novas possibilidades de resposta.
Comunicação, relações e tomada de decisão são dimensões muito presentes no seu trabalho. Como pode o conhecimento dos diferentes perfis DISC ajudar uma pessoa a compreender melhor a forma como se relaciona e se posiciona perante as outras pessoas?
Talvez uma das contribuições mais importantes seja ajudar a pessoa a perceber a diferença entre a intenção que tem e o impacto que provoca.
Muitas dificuldades nas relações não surgem necessariamente de uma má intenção, mas de formas diferentes de comunicar, decidir, responder ou estabelecer prioridades. Quando compreendemos melhor o nosso próprio padrão e reconhecemos que o outro pode funcionar de maneira diferente, diminuímos a tendência de interpretar essas diferenças de forma pessoal.
O DISC pode ampliar essa consciência e, principalmente, aumentar o repertório comportamental. Para mim, não se trata de mudar quem somos para nos adaptarmos aos outros, mas de desenvolver flexibilidade suficiente para nos comunicarmos melhor sem perder autenticidade.
«Vejo o DISC como uma linguagem de acesso, e não como uma explicação total sobre uma pessoa. Ele permite identificar tendências comportamentais de forma bastante clara e, a partir daí, abrir espaço para investigações mais profundas.»
Um dos princípios do DISC é reconhecer que diferentes perfis podem responder de formas distintas perante a mesma situação. Que valor pode esta compreensão trazer para profissionais, líderes e equipas em contextos de maior pressão, mudança ou conflito?
Em situações de pressão, mudança ou conflito, tendemos a intensificar comportamentos que já nos são mais naturais. E é justamente nesses momentos que as diferenças individuais podem ser interpretadas de forma equivocada: alguém pode parecer excessivamente direto, resistente, lento, impulsivo ou distante, quando na realidade está a responder à situação a partir do seu próprio padrão comportamental.
Compreender essas diferenças ajuda a retirar parte do julgamento das relações profissionais. Para um líder, por exemplo, significa poder ajustar a comunicação, a forma de dar feedback, distribuir responsabilidades ou conduzir uma mudança considerando que pessoas diferentes necessitam de estímulos diferentes.
Isso não elimina conflitos, mas pode torná-los mais compreensíveis e, consequentemente, mais fáceis de gerir.
Depois da experiência da certificação, onde identifica maior potencial para integrar o DISC no seu trabalho futuro e que tipo de impacto gostaria de conseguir gerar junto das pessoas que acompanha?
Vejo um potencial muito interessante para integrar o DISC tanto no acompanhamento individual e de casal como em trabalhos relacionados com liderança, comunicação e desenvolvimento de equipas.
O que mais me interessa é utilizá-lo como ponto de partida para ampliar a consciência sobre padrões que muitas vezes funcionam de maneira automática. Quando uma pessoa compreende melhor a forma como tende a reagir, comunicar ou tomar decisões, passa também a ter mais possibilidades de escolha.
Esse é o impacto que procuro gerar no meu trabalho, menos automatismo e mais consciência. Não quero que um perfil diga à pessoa quem ela é, mas que lhe ofereça elementos para compreender melhor como funciona, reconhecer o efeito que produz nas suas relações e desenvolver formas mais conscientes de se posicionar no mundo.
Nota: DISC – mais informações aqui; entrevista realizada pela DISC Talent Solutions, em colaboração com o SEAL Group.
»» Com formação em Neurociência, Psicanálise, Terapia Gestalt e Programação Neurolinguística (PNL), Fernanda Capati desenvolve o seu trabalho na área do comportamento humano, acompanhando pessoas individuais e casais e intervindo também no desenvolvimento profissional. Recentemente, acrescentou a certificação em Análise Comportamental DISC à sua formação, integrando esta metodologia na sua prática profissional. Presença no LinkedIn aqui.
