O Dia Mundial da Empatia é assinalado esta sexta-feira, 12 de junho. Ao invés de perguntarmos se a nossa organização está cheia de pessoas empáticas, vamos antes perguntar: criámos as condições para que a empatia aconteça na nossa organização?
Texto: Cristina Nogueira da Fonseca Imagem: DR
No mundo do trabalho, continuamos a tratar a empatia como uma característica individual. Líderes empáticos, colegas empáticos, pessoas naturalmente mais sensíveis, mais disponíveis, mais atentas ao outro.
E isto importa e importa muito, porque todos sentimos a diferença em trabalhar com alguém que nos escuta até ao fim antes de responder, que pergunta antes de julgar, ou que tem a sensibilidade de perceber que por trás de um comportamento pode estar cansaço, medo, insegurança ou apenas um dia mais difícil e noites mal dormidas.
Mas numa empresa a empatia não pode depender da sorte de termos boas pessoas no caminho, não pode viver só na personalidade de chefias, na generosidade de alguns colegas, na sensibilidade de quem, mesmo sob pressão, ainda consegue acolher o outro.
Porque quando a empatia depende apenas das pessoas, torna-se frágil; quando depende só da sorte das pessoas certas, aparece nalguns dias, nalgumas equipas, nalgumas relações e tendencialmente vai desaparecer à primeira pressão: quando apertam os prazos, quando chega a mudança, quando surgem os conflitos, quando o desgaste se instala.
E por isso precisamos de começar a falar de empatia como cultura.
Muitas organizações dizem valorizar a empatia, mas continuam a funcionar de forma pouco empática, com agendas impossíveis, reuniões atrás de reuniões, comunicação contraditória, lideranças inacessíveis, ausência de reconhecimento, pouco ou nenhum espaço para conversas honestas e uma enorme dificuldade em lidar com a vulnerabilidade.
Uma organização empática não é aquela onde toda a gente é sempre extra simpática, onde nunca há tensão ou onde não existem conversas difíceis. Uma organização empática é a que desenha práticas e formas de trabalhar que ajudam as pessoas a serem vistas, escutadas e respeitadas, sobretudo quando há exigência, resultados a cumprir e decisões difíceis a tomar.
Porque a empatia é isso mesmo, trazer a presença de humanidade para os momentos de exigência.
Muitas organizações dizem valorizar a empatia, mas continuam a funcionar de forma pouco empática, com agendas impossíveis, reuniões atrás de reuniões, comunicação contraditória, lideranças inacessíveis, ausência de reconhecimento, pouco ou nenhum espaço para conversas honestas e uma enorme dificuldade em lidar com a vulnerabilidade.
Uma cultura empática mede-se pelo que a organização faz quando alguém diz que está sobrecarregado, quando alguém erra. Mede-se pela forma como se acolhe uma dificuldade de saúde mental, pela maneira como uma chefia responde a um pedido de ajuda, pela capacidade de mudar processos que estão a desgastar equipas e pela coragem de ouvir aquilo que, talvez, não seja confortável ouvir.
É aquela onde as pessoas não precisam de deixar a sua humanidade à porta para conseguirem trabalhar.

Cristina Nogueira da Fonseca, Executive Director da Happytown Portugal (presença no LinkedIn aqui)

A Happytown Portugal, fundada em 2016, é a primeira consultora portuguesa dedicada em exclusivo à felicidade e ao bem-estar nas organizações. Em 2025 continua com a missão de criar relações de confiança com os seus clientes, promovendo competências e edificando estratégias para o fortalecimento das pessoas e dos seus negócios.
