O líder da área de recursos humanos do Grupo Leasys fala de um universo empresarial presente em 11 países e que disponibiliza soluções de mobilidade que vão desde o aluguer a médio e longo prazo até à gestão de frotas de empresas. Baseado em Itália, Patrizio Scifo vê Portugal como «um mercado de talento atrativo e cada vez mais internacional». Fala mesmo das pessoas no nosso país como «um ativo fundamental».
Texto: Redação «human» Fotos: DR
Como desenvolvem e retêm o talento, ajudando os colaboradores a construir carreiras gratificantes e experiências profissionais com significado?
Na Leasys, lançámos um programa de mapeamento de competências, com três níveis de avaliação – colaborador, manager e modelo – para identificar gaps, proporcionar formação direcionada, incentivar a rotação de funções e definir percursos de carreira. Complementamos esta abordagem com programas de mentoring, de reverse mentoring e de desenvolvimento a nível internacional. A gestão presta apoio estratégico, assumindo um papel cada vez mais próximo do de um tutor e ajudando os profissionais com talento a crescer e a alcançar o sucesso.
Quais são as principais prioridades da empresa no que diz respeito ao recrutamento?
É essencial estabelecer parcerias sólidas com headhunters qualificados e manter um diálogo transparente com os candidatos. Procuramos experiência internacional, uma mentalidade multicultural, curiosidade, capacidade de adaptação e abertura à tecnologia, a par das competências específicas para cada função. O potencial é tão importante como a experiência e os conhecimentos atuais, e os candidatos devem partilhar os valores da Leasys e estar preparados para atuar num contexto que combina as identidades bancária e industrial do grupo.
Têm sentido os desafios associados à escassez de talento? Se sim, como estão a responder-lhes?
O mercado do renting é altamente especializado, pelo que determinados perfis podem ser difíceis de encontrar. Em vez de dependermos apenas de talento externo, o que pode contribuir para uma maior rotatividade dos colaboradores e para a inflação salarial, recrutamos nos 11 países onde a Leasys está presente. Em particular, para funções na sede, a flexibilidade em termos de viagens e o trabalho remoto ajudam a preencher vagas, ao mesmo tempo que aumentam a diversidade das equipas internacionais.
«À medida que o negócio deixou de estar exclusivamente centrado em veículos e contratos, o sector passou a exigir cada vez mais competências em áreas como dados, tecnologia, eletrificação, pricing, valores residuais, automação, mobilidade e experiência do cliente, entre outras.»

Como vê o mercado português?
Portugal é um mercado de talento atrativo e cada vez mais internacional, com profissionais qualificados, adaptáveis e com boas competências linguísticas. A sua dimensão relativamente reduzida limita, contudo, o universo de profissionais que combinam conhecimentos de gestão de frotas com competências técnicas, digitais e de sistemas. À medida que o negócio deixou de estar exclusivamente centrado em veículos e contratos, o sector passou a exigir cada vez mais competências em áreas como dados, tecnologia, eletrificação, pricing, valores residuais, automação, mobilidade e experiência do cliente, entre outras.
Operar em Portugal apresenta oportunidades ou desafios específicos no que diz respeito à atração, ao desenvolvimento e à retenção de talento?
A força de Portugal reside num capital humano adaptável e com uma mentalidade internacional. Ainda assim, os conhecimentos especializados em gestão de frotas são limitados, sobretudo nas funções técnicas, pelo que muitas vezes recrutamos tendo em conta o potencial de aprendizagem e desenvolvemos internamente o conhecimento através da experiência, da formação e do mentoring. Isto permite criar um forte nível de conhecimento interno, mas torna também a retenção particularmente importante, uma vez que os colaboradores qualificados são igualmente atrativos para empregadores internacionais. A nossa resposta combina condições competitivas com oportunidades de desenvolvimento, aprendizagem, mobilidade interna, reconhecimento e uma boa experiência do colaborador.
Que iniciativas implementaram para promover a diversidade, a inclusão e a colaboração multicultural em toda a organização?
Queremos aumentar a representação das mulheres em posições de liderança, eliminar as diferenças salariais entre géneros e garantir igualdade salarial para funções equivalentes, cumprindo também os requisitos relativos à contratação de pessoas com deficiência. Apoiamos o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores através de aulas de línguas, que facilitam a colaboração internacional e ampliam as oportunidades de carreira. O compromisso com a diversidade, a inclusão e a igualdade de oportunidades está claramente definido nas nossas políticas internas, que são partilhadas com os colaboradores durante o processo de onboarding.
Como descreve o papel da operação portuguesa no grupo, tanto na perspetiva do negócio como na das pessoas?
Com mais de 30 anos, a operação portuguesa combina um forte conhecimento do mercado com uma sólida experiência na gestão de frotas e tem apresentado um desempenho bem-sucedido num mercado de pequena dimensão, mas competitivo. As pessoas em Portugal são um ativo fundamental, graças ao profundo conhecimento dos clientes, dos processos e dos sistemas. Manter este contributo exige condições competitivas, reconhecimento, desenvolvimento e retenção de colaboradores experientes e de conhecimento crítico.
De que forma a operação portuguesa tem contribuído para o sucesso do grupo e quais são as suas expectativas para os próximos anos?
Portugal contribui através de um desempenho consistente e rentável e de mais de 30 anos de experiência no mercado. Cria também valor através da partilha de conhecimento nos dois sentidos, de boas práticas e da colaboração com outros países. Olhando para o futuro, a prioridade passa por manter uma rentabilidade sustentável, reforçar as sinergias com outros mercados e adaptar-nos à transformação da gestão de frotas e da mobilidade.
«Com mais de 30 anos, a operação portuguesa combina um forte conhecimento do mercado com uma sólida experiência na gestão de frotas e tem apresentado um desempenho bem-sucedido num mercado de pequena dimensão, mas competitivo. As pessoas em Portugal são um ativo fundamental, graças ao profundo conhecimento dos clientes, dos processos e dos sistemas.»

Na sua perspetiva, quais são os maiores desafios de liderança e gestão de talento associados à sua função?
Os principais desafios estão relacionados com três áreas fundamentais: atrair, desenvolver e reter as competências e os talentos que serão críticos no futuro; fazer evoluir a liderança para impulsionar a mudança, a colaboração, o empowerment, a inclusão e os resultados; e construir um pipeline sólido de talento e sucessão. O objetivo é alinhar a estratégia de pessoas com a estratégia de negócio, identificar bem cedo o potencial, acelerar o desenvolvimento, promover a diversidade e a mobilidade e garantir a continuidade em funções críticas.
Olhando para a sua carreira, quais foram os ensinamentos mais valiosos que teve na sua atual função e ao longo da sua experiência no grupo?
O ensinamento mais valioso foi o de respeitar sempre as pessoas e liderar através da credibilidade, e não do autoritarismo, fazendo sempre promessas que tenho a certeza de poder cumprir e avaliando cuidadosamente as consequências das decisões estratégicas. As experiências difíceis de reestruturação e de redução de efetivos ensinaram-me a encarar cada oportunidade de contratação como um presente e que, por isso, o processo de seleção deve ser rigoroso e estar centrado no que é melhor para a empresa. Por fim, o contacto com as pessoas, especialmente com os colegas mais jovens, enriquece-me continuamente e mantém-me aberto ao diálogo, curioso e recetivo a novas ideias e à inovação.
Pode deixar uma última partilha para os leitores da «human»?
Sim. Acredito que a área de recursos humanos desempenha um papel fundamental na proteção do emprego, no desenvolvimento de competências e na utilização responsável da inteligência artificial. Uma vez que esta pode ameaçar postos de trabalho, a área de recursos humanos deve acompanhar o seu impacto no mercado de trabalho e garantir que a tecnologia permanece ao serviço da inteligência humana, apoiando os trabalhadores através de formação contínua, rotação de funções e reafectação profissional. As competências abrangentes serão cada vez mais valorizadas, enquanto a hiperespecialização poderá tornar-se uma vulnerabilidade. É por isso que na Leasys os programas de integração têm ajudado os colaboradores a compreender o potencial da inteligência artificial e a utilizá-la de forma eficaz, preservando, apoiando e desenvolvendo o potencial das pessoas.
—

Patrizio Scifo
Head of human resources no Grupo Leasys, Patrizio Scifo está baseado em Turim, Itália. Tem mais de 25 anos de experiência, sobretudo na indústria automóvel, com os últimos 15 ligado a recursos humanos. É formado em Direito pela Università degli Studi di Torino. Presença no LinkedIn aqui.

A Leasys resulta de uma joint venture entre a Stellantis e o Crédit Agricole Personal Finance & Mobility. Oferece soluções de mobilidade que vão desde o aluguer a médio e longo prazo até à gestão de frotas de empresas, garantindo uma mobilidade eficiente, racional, segura e sustentável. A empresa finalizou a aquisição da atividade da ALD Automotive em Portugal, na sequência do acordo vinculativo assinado pela Stellantis e pelo Crédit Agricole Personal Finance & Mobility, criando uma nova divisão – a Leasys Mobility.
Na Leasys destaca-se uma nova ideia de mobilidade eficiente e sustentável, com propostas de soluções que colocam o cliente em primeiro lugar para oferecer a melhor experiência de mobilidade.
