Comunicar bem

Texto: Philippe Hecht Imagens: Marketing Feel

Num contexto organizacional, porque é que a clareza na comunicação continua a ser um desafio para tantas equipas? A maioria dos problemas dentro das equipas não nasce da falta de talento nasce da falta de clareza. Briefings mal definidos, decisões mal interpretadas e reuniões que geram mais dúvidas do que respostas acabam por criar ruído constante. E esse ruído traduz-se em energia desperdiçada e desalinhamento.

O erro mais comum é confundir comunicação com volume. Comunicar melhor não é falar mais, é reduzir o espaço entre o emissor e o recetor e mitigar a possibilidade de interpretações erradas. E isso começa antes das palavras.

O que está na base de uma comunicação realmente clara dentro das equipas? Clareza interna.

Não existe comunicação clara sem alinhamento. Se uma ideia está confusa, transmitir essa ideia para a equipa só vai gerar confusão numa maior escala, independentemente de quão bem formulada pareça. É por isso que a comunicação é a base de qualquer equipa, de qualquer projeto, de qualquer negócio.

– O que estou realmente a dizer? 

– Porque é que isto importa? 

– O que espero que aconteça depois? 

Sem estas respostas, qualquer mensagem torna-se abstrata.

De que forma as equipas podem reduzir o risco de interpretações erradas?

Assumindo que nenhum dos recetores tem contexto ou conhecimento aplicado suficiente para que a matéria seja «estupidamente lógica». Cada pessoa interpreta com base no seu contexto, na sua experiência e no seu estado emocional. Ou seja, a mensagem nunca chega «neutra». Fugindo a esta «maldição do conhecimento», conseguimos estar focados na receção da mensagem e isso torna todo o processo mais descomplicado.

Um modelo simples funciona na maioria dos contextos:

– Abertura: captar atenção com o essencial

– Corpo: desenvolver com lógica e foco 

– Fecho: reforçar e direcionar ação

Além disso, existe um princípio muito poderoso: a regra dos três.

O cérebro retém melhor informação quando organizada em estruturas de três ou três ideias-chave. Quando tentamos comunicar tudo, acabamos por não fixar nada, por isso a melhor opção é descomplicar com sistemas que aumentam probabilidades de sucesso.

Mas nem tudo é estrutura e mecanismos de sucesso. Até que ponto a componente emocional influencia a comunicação nas equipas?

Mesmo em ambientes profissionais, comunicar não é apenas lógica, é também biologia. Emoções como stress, pressão ou medo de julgamento influenciam diretamente a forma como as pessoas falam, ouvem e interpretam.

Isto reflete-se em comportamentos como:

– respostas defensivas 

– reações desproporcionais 

– falta de participação ou silêncio

Equipas com comunicação eficaz não ignoram esta dimensão. Criam espaço para ouvir sem interromper, questionar sem atacar e responder com intenção, não por impulso. O verdadeiro propósito de uma comunicação em equipas deveria ser alinhar, não impressionar. Muitas pessoas comunicam com o objetivo de parecer competentes, ao invés de se focarem no impacto/ resultado coletivo que podem gerar.

Comunicar bem não é usar linguagem sofisticada, é garantir que todos saem com a mesma leitura da situação. Se no final de uma conversa existem múltiplas interpretações, a comunicação falhou. Reduzir o ruído não é falar mais baixo, é reduzir as entropias na comunicação entre o emissor e o(s) recetor(es) com intenção, clareza e propósito.

No final, não é sobre o que foi dito.  É sobre o que ficou.





Philippe Hecht
, especialista na arte de descomplicar a comunicação/ Marketing Feel (presença no LinkedIn aqui)


A Marketing Feel é uma agência de marketing feita para marcas que querem crescer, destacar-se e conquistar o mercado. Cria conteúdos que chamam a atenção, estratégias que posicionam e experiências que geram impacto – on-line e off-line.

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