Desafios na gestão da mobilidade dos colaboradores

Texto: Sara Ferreira Foto: DR

A mobilidade, entendida não apenas como deslocação física, mas também como capacidade de adaptação a novos contextos, modelos de trabalho e geografias, é um fator-chave na proposta de valor ao colaborador. Os profissionais procuram cada vez mais flexibilidade e oportunidades de crescimento em diferentes locais e projetos. Para os DRH, este cenário exige políticas claras, coerentes e inclusivas, que abordem temas como transição energética, sustentabilidade, redução de custos e, sobretudo, segurança.

A segurança rodoviária continua um dos principais desafios. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte e lesões a nível mundial, impactando a vida das pessoas e a produtividade das empresas. Por isso, as políticas de mobilidade devem incluir programas de formação em condução segura e responsável e sensibilização para comportamentos mais sustentáveis na estrada. Valoriza-se cada vez mais a promoção da condução ecológica e o investimento em tecnologias que monitorizem e melhorem a segurança de veículos e condutores.

A transição energética é outro ponto de inflexão na gestão da mobilidade corporativa. Cresce a adoção de viaturas elétricas, mas com resistências internas. Questões sobre autonomia, carregamento, custos e manutenção são comuns entre os colaboradores. Cabe aos DRH, em parceria com as gestoras de frota e outras áreas da empresa, desenvolver ações de esclarecimento e formação que desmistifiquem as preocupações. Embora o investimento inicial em veículos elétricos seja superior, o total cost of ownership (TCO) tende a ser bem mais baixo (redução de custos de manutenção e energia). Esta informação é essencial para fomentar a aceitação da mudança e consolidar a cultura de sustentabilidade.

Outro aspeto é a diversificação das opções oferecidas. As empresas que disponibilizam soluções de mobilidade alternativa (como bicicletas elétricas ou viaturas de car-sharing) ganham uma vantagem competitiva na atração de talento. Estas iniciativas contribuem para uma imagem corporativa mais sustentável e promovem um estilo de vida mais saudável e equilibrado entre os colaboradores.

Contudo, aqui a eficácia só é garantida se houver mecanismos de monitorização e avaliação. Medir o sucesso da mobilidade centrada no colaborador é essencial para compreender se os objetivos estão a ser atingidos e identificar áreas de melhoria. Os DRH devem ter indicadores que combinem dados quantitativos e qualitativos, como satisfação dos colaboradores, redução de custos operacionais, impacto ambiental e aumento da produtividade.

Inquéritos de satisfação, entrevistas ou focus groups são ferramentas valiosas para avaliar a perceção dos colaboradores sobre as políticas implementadas. Além disso, métricas como diminuição do tempo de deslocação, redução do stress associado ao transporte e adoção de modos de transporte mais sustentáveis são indicadores diretos de sucesso.

A mobilidade empresarial deve ser encarada como uma componente central da cultura organizacional. Os DRH têm a responsabilidade de promover uma mobilidade mais inteligente, segura e sustentável, num mundo em transformação. Ao alinhar as necessidades dos colaboradores com os objetivos estratégicos da empresa, as políticas de mobilidade tornam-se um motor de inovação, produtividade e compromisso com o futuro.



Sara Ferreira, Diretora de Recursos Humanos da Arval Portugal (na foto)


A Arval é especializada em financiamento e gestão de frotas automóveis com serviço completo e novas soluções de mobilidade, alugando mais de um milhão e oitocentos mil veículos em meados de 2025. Todos os dias, mais de 8.600 colaboradores da Arval em 28 países oferecem soluções flexíveis para tornar as viagens contínuas e sustentáveis para seus clientes, que abrangem desde grandes empresas internacionais a pequenas e médias empresas (PME) e micro-empresas locais.

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