Podem continuar a investir milhares de euros em programas de formação que ninguém conclui, em plataformas LMS (learning management system) que quase só servem para cumprir requisitos de compliance, ou em workshops onde parte das pessoas está a responder a e-mails. Ou podem aceitar uma verdade desconfortável: a formação profissional, tal como a conhecemos, já não funciona.
Texto: Daniel Lança Perdigão Foto: DeF
A inteligência artificial (IA) não veio melhorar a formação. Veio destruí-la… e reconstruí-la de raiz.
Em 2030, empresas que ainda usem modelos tradicionais estarão na era dos dinossauros. A IA generativa já permite criar percursos de aprendizagem totalmente personalizados, adaptados ao ritmo, ao contexto e às necessidades de cada colaborador. Já não falamos de «um curso para todos», mas de uma formação única para cada pessoa.
O que está a transformar tudo? Assistentes de IA no fluxo real de trabalho. Em vez de fazer um curso de Excel, o colaborador pergunta como criar uma tabela dinâmica, recebe uma resposta adaptada ao seu projeto e aprende enquanto executa. Formação deixa de ser um evento e torna-se um processo contínuo, invisível e integrado.
E os key performance indicators (KPIs) de formação? Taxa de conclusão? Irrelevante. Horas de formação? Métrica do século passado. O que importa agora é o impacto real no desempenho. A IA permite, pela primeira vez, responder à pergunta que os chief financial officers (CFOs) mais fazem: «Qual é o ROI [return on investment] da formação?» A resposta vem com dados: mudanças de comportamento, aumento de produtividade, redução de erros. A formação deixa de ser custo e passa a gerar resultados.
Depois temos a simulação avançada. Realidade virtual com IA que replica situações críticas, de negociações complexas a gestão de crises, com feedback imediato e personalizado. O erro deixa de ter um custo. Experimentar passa a ser aprender.
E o ponto mais revolucionário: IA como mentora pessoal 24/7. Não falo de chatbots básicos, mas de sistemas que conhecem o histórico de cada colaborador, antecipam lacunas de competências, sugerem microaprendizagens relevantes e medem o impacto no desempenho.
Exemplo prático: equipa de vendas com 30 pessoas, níveis variados de experiência, a vender produtos técnicos. Antes? Formação genérica de três dias, role-plays forçados, manuais ignorados. Agora? Pode fazer-se uma pequena sessão presencial de indução, para alinhar e preparar para o uso da IA e humanizar a transição. Depois, cada vendedor tem um assistente que conhece o catálogo, o histórico de clientes e as objeções mais comuns. Durante chamadas, recebe sugestões em tempo real. Depois, a IA analisa a conversa, identifica fragilidades (por exemplo, discovery ou fecho) e cria micromódulos de cinco minutos ajustados a essas lacunas. Em três meses, não há 30 vendedores. Há 30 planos de desenvolvimento únicos. E os resultados aparecem no pipeline.
Implementar IA na formação não é comprar uma ferramenta e esperar magia. É repensar toda a estratégia. O papel dos formadores muda, de transmissores de conteúdo para designers de experiências.
Mas atenção: implementar IA na formação não é comprar uma ferramenta e esperar magia. É repensar toda a estratégia. O papel dos formadores muda, de transmissores de conteúdo para designers de experiências. Exige bons dados. E coragem para matar programas que existem… «porque sim».
A questão não é «se» vão adotar IA na formação. É «quando» e «como». Mais importante: vão liderar esta transformação ou ser arrastados por ela?
Se estas linhas vos fizeram pensar «temos de falar sobre isto», então é porque está mesmo na hora.
Na UpSideUp, não propomos soluções mágicas. Desenhamos estratégias realistas de transformação da formação com IA, adaptadas ao contexto e à maturidade de cada organização. Porque o futuro da formação não é tecnologia. É inteligência aplicada a pessoas.
Daniel Lança Perdigão, Partner da UpSideUp (na foto)

Na UpSideup acredita-se na inovação e no poder dos visuais, da comunicação, da tecnologia e da inteligência artificial (IA) para transformar o mundo. Há um comprometimento em criar soluções inovadoras que impactem positivamente a vida das pessoas e o desempenho das organizações. Isto ao mesmo tempo que se valoriza a equipa de colaboradores, a qual é a força motriz do sucesso da empresa. Outro aspeto fundamental na UpSideUp é a importância da ética, da diversidade, da inclusão e da colaboração, numa empresa socialmente responsável, comprometida com a sustentabilidade ambiental.
