O «S» de ESG

Papel dos RH

O termo ESG (environmental, social and governance) tem sido utilizado para identificar práticas empresariais e de investimento que têm como finalidade assegurar a sustentabilidade das organizações. O ESG constitui, assim, uma mudança de paradigma nas relações entre as organizações e os seus investidores, deixando de se centrar apenas nos conceitos de lucro e de produtividade.

Texto: Raquel Andrade/ Helena Manoel Viana

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Neste sentido, o critério «S» de ESG está relacionado com o modo como as organizações se relacionam com os seus colaboradores e com os seus valores, com as cadeias de fornecimento, bem como com as comunidades junto das quais desenvolvem os seus negócios e os seus stakeholders.

Assim, os Recursos Humanos (RH) têm um papel crítico na garantia de implementação do «S». Temas como a diversidade e a inclusão, a igualdade, a adoção de modelos de trabalho flexíveis e o work-life balance, a transparência e a objetividade/ justiça nos processos de tomada de decisão, a garantia de condições de trabalho dignas, a promoção da saúde mental e do bem-estar dos colaboradores, o cumprimento das prescrições sobre segurança e saúde no trabalho (SST), entre outros, tornam-se, cada vez mais, parte da agenda diária das equipas de RH. É premente desenvolver e fortalecer estratégias que permitam o desenvolvimento de relações eficazes e baseadas na transparência e no respeito mútuo.

Existe já alguma legislação nacional que impõe medidas que se enquadram no critério «S», especialmente a nível da diversidade (criação de quotas para o género sub-representado nos órgãos de topo de organizações públicas e privadas) e inclusão (o estabelecimento de quotas para a integração de pessoas com deficiência).

Não obstante, é essencial frisar que o critério «S» não significa apenas cumprir os normativos mínimos legais, mas antes adotar um padrão ético de atuação e assumir um compromisso, caso contrário as organizações deixarão de ter, aos olhos dos colaboradores e de outros players do mercado, uma social license to operate, condicionando negativamente o seu branding.

Há já vários estudos que indiciam que as organizações com colaboradores altamente satisfeitos têm um melhor desempenho de ESG, em comparação com a média global de organizações, bem como que, ao incorporarem na sua estratégia temas da diversidade e da inclusão, têm uma melhor performance, não só financeira, como a nível da atração e da retenção de talento.

Assim, as organizações que forem capazes de refletir estas expectativas e aspirações de sustentabilidade nas suas práticas empresariais terão maior probabilidade de obter retornos positivos, crescer e gerar valor.

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»»»» Raquel Andrade é managing consultant na SHL Portugal; Helena Manoel Viana é associate na Vieira de Almeida (VdA)

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