À medida que a inteligência artificial (IA) assume um papel central nas organizações, a verdadeira inovação passa cada vez mais pela compreensão do comportamento humano. É neste cruzamento entre tecnologia, empatia e decisão que se posicionam o trabalho de Luís Silva, fundador da BrightGroup e presidente do Porto Tech Hub (PTH), por um lado, e a atuação da DISC Talent Solutions, por outro.
Texto: Redação «human» Foto: DR
Com soluções pioneiras de empatia digital aplicada aos negócios, a BrightGroup integra princípios de comportamento humano nos seus algoritmos, promovendo uma tecnologia mais consciente e relacional. Certificado como DISC Behaviour Analyst, Luís Silva partilha nesta entrevista a sua visão sobre a aplicação da metodologia DISC na liderança, na tomada de decisão e no desenvolvimento de IA ao serviço das pessoas.
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Realizou a Certificação DISC Behaviour Analyst na DISC Talent Solutions. Como é que essa formação influenciou a sua visão sobre comportamento humano e a forma como hoje aplica o DISC nos projetos da BrightGroup?
Já utilizava a metodologia DISC antes da certificação, sobretudo em processos de recrutamento e em coaching a nível pessoal e executivo. O DISC sempre me ajudou a compreender melhor motivações, estilos de comunicação, formas de lidar com pressão e processos de tomada de decisão.
A certificação veio aprofundar esse conhecimento e dar-lhe maior rigor, permitindo-me aplicar o modelo de forma mais consciente, estruturada e ética. Hoje, essa experiência prática influencia diretamente a forma como aplicamos o DISC na BrightGroup: não como um exercício teórico, mas como uma ferramenta de leitura humana, aplicada tanto às pessoas como às experiências digitais que desenvolvemos.
A BrightGroup está a integrar princípios comportamentais e de empatia nos seus algoritmos e nas suas soluções de IA. Como é que a metodologia DISC contribui para tornar a tecnologia mais humana e relacional?
Na BrightGroup acreditamos que a IA só cria verdadeiro valor quando compreende o comportamento humano por detrás dos dados. A metodologia DISC contribui precisamente para isso, ao oferecer um modelo claro para interpretar padrões comportamentais e estilos de interação.
Ao integrar princípios do DISC nos nossos algoritmos e nas nossas soluções, conseguimos ajustar linguagem, ritmo, nível de detalhe e tipo de interação consoante o perfil comportamental do utilizador. Isto permite transformar a tecnologia de um sistema meramente funcional numa experiência mais relacional, próxima e humana.
Num contexto em que muitas soluções de IA são vistas como frias ou distantes, de que forma o uso do DISC ajuda a criar experiências mais empáticas, personalizadas e eficazes para negócios e utilizadores?
Num contexto como esse, o uso do DISC permite-nos introduzir empatia de forma estruturada. Reconhecer que diferentes perfis comportamentais respondem a diferentes abordagens é essencial para criar experiências eficazes.
Ao adaptar a interação ao comportamento do utilizador, conseguimos gerar maior confiança, engagement e relevância. A empatia digital deixa assim de ser um conceito abstrato e passa a assumir-se como uma vantagem competitiva clara, com impacto real nos resultados dos negócios e na satisfação dos utilizadores.
«Ao integrar princípios do DISC nos nossos algoritmos e nas nossas soluções, conseguimos ajustar linguagem, ritmo, nível de detalhe e tipo de interação consoante o perfil comportamental do utilizador.»

Quais têm sido os principais desafios ao traduzir um modelo comportamental como o DISC para lógica algorítmica e sistemas de IA? E que aprendizagens mais relevantes retira deste processo?
Um dos principais desafios é evitar simplificações excessivas. A experiência em recrutamento e coaching mostra-nos que o comportamento humano é dinâmico, contextual e evolutivo – e os sistemas de IA têm de respeitar essa complexidade.
A principal aprendizagem tem sido encarar o DISC como um modelo de orientação, e não como uma classificação rígida. Em IA, isso implica desenvolver sistemas adaptativos, que aprendem com o comportamento ao longo do tempo, ajustam hipóteses e mantêm sempre espaço para nuance e evolução.
Perspetivando o futuro, como vê a evolução da liderança, da tomada de decisão e da tecnologia quando modelos como o DISC são integrados em soluções de IA orientadas para pessoas?
Olhando para jusante, acredito que a liderança será cada vez mais consciente do impacto do comportamento humano na tomada de decisão. A minha experiência com o DISC em processos de liderança e coaching mostrou-me que liderar não é aplicar um único estilo, mas sim adaptar a comunicação, as expectativas e o nível de autonomia a cada pessoa e a cada contexto.
Quando modelos como o DISC são integrados em soluções de IA, a tecnologia passa a apoiar os líderes de forma mais informada e humana, ajudando a antecipar reações, a ajustar abordagens e a tomar decisões mais equilibradas. A IA não substitui a liderança – reforça a autoconsciência, a empatia e a eficácia humana nas organizações.lhorar a comunicação e promover o equilíbrio entre diferentes perfis comportamentais. Através de feedback estruturado, workshops e sessões de coaching, é possível potenciar os pontos fortes de cada elemento, trabalhar áreas de desenvolvimento e construir equipas mais colaborativas, conscientes e orientadas para resultados, contribuindo para um desempenho elevado e sustentável.
Nota: DISC – mais informações aqui; entrevista realizada pela DISC Talent Solutions, em colaboração com o SEAL Group.
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»» Luís Silva é fundador da Bright Group e presidente do Porto Tech Hub.
A BrightGroup, sediada no Porto, é uma empresa que aposta numa nova plataforma de empatia digital que pretende mudar a forma como as marcas comunicam com os seus clientes on-line.
O Porto Tech Hub é uma associação sem fins lucrativos criada por empresas de tecnologia para promover o Porto como um centro tecnológico global de excelência, focando na retenção de talento e na capacitação. Organiza a conferência anual Porto Tech Hub, promove iniciativas de formação e apoia comunidades locais de TI (tecnologias de informação).
