Verónica Ahrens, da Cegoc

«A IA será o motor de transformação nos RH.»

Texto: Redação «human» Foto: DR

O que podemos esperar na área de RH para 2026?

Olho para 2026 com a convicção de que a integração da inteligência artificial (IA) e de novas tecnologias será o grande motor de transformação nos RH. Acredito que vamos assistir a uma automatização cada vez maior das tarefas rotineiras, libertando tempo para aquilo que realmente importa, a criação de valor junto das pessoas. O employee experience deve tornar-se central, não apenas na experiência do dia-a-dia, mas também no investimento no bem-estar e no desenvolvimento das competências certas para o futuro do negócio. Vejo ainda a cultura organizacional a ganhar protagonismo, alinhada com a estratégia. Para mim, o desafio será sempre garantir que a tecnologia está ao serviço da experiência humana, tornando a área de RH cada vez mais relevante dentro da empresa.

Como olha para a realidade do Brasil em RH?

Encontro no Brasil um país vibrante na área de RH, com muita ousadia na adoção da tecnologia e criatividade nas soluções. São várias as soluções digitais que já fazem parte do dia-a-dia. Além disso, nota-se um cuidado crescente com temas essenciais, como bem-estar, saúde mental, diversidade e inclusão e ainda cultura organizacional. Sinto também que a dimensão do país e as suas desigualdades trazem alguns obstáculos, da rotatividade à resistência à mudança. Ainda assim, é essa mistura de inovação com sensibilidade que me inspira e que faz do RH brasileiro uma referência no desenvolvimento do lado mais humano das organizações.

O que é que mais destaca em termos de inovação no Brasil relativo à gestão do talento?

O que me impressiona no Brasil é o ecossistema de HR techs, com um crescimento muito acelerado, que tem levado inovação a entidades de todas as dimensões. Vejo soluções digitais cada vez mais inteligentes a simplificar o recrutamento, a formação e o desenvolvimento personalizado. Gosto de verificar que o reconhecimento não passa apenas pelo salário, mas também por práticas que valorizam o colaborador como indivíduo. Essa atenção ao salário emocional e à experiência de trabalho, muito apoiada pela tecnologia, é um exemplo de como a inovação pode, e deve, andar lado a lado com a valorização das pessoas.

Como compara a realidade brasileira nesta área com a portuguesa?

O Brasil vive um momento de grande transformação e rapidez, sobretudo pelo impulso da tecnologia e pela diversidade cultural. Portugal, por sua vez, está a consolidar uma visão mais estratégica dos RH, muito por força da escassez de talento, que obriga as empresas a apostarem no desenvolvimento e na retenção. Valorizo a capacidade de inovação do Brasil e admiro a estabilidade e o foco no longo prazo que identifico em Portugal. Acredito que ambos podem aprender mutuamente, ao conjugar agilidade, tecnologia e uma cultura de valorização das pessoas.

Vê pontos de contacto significativos entre as várias geografias lusófonas em RH?

Encontro, sinceramente, muitos pontos de contacto entre os países de língua portuguesa. Em todos, senti sempre uma grande valorização das relações humanas no trabalho; gostamos de proximidade, confiança, respeito. Todos enfrentamos os desafios de reter talento jovem, reduzir as limitações entre as competências existentes e as exigidas pelo mercado, e adaptar-nos aos desafios do digital. A mobilidade de profissionais e a partilha cultural que existem no espaço lusófono dão azo à troca de experiências e ao enriquecimento. No fundo, estamos todos a tentar equilibrar tecnologia, cultura e propósito, em busca de melhores ambientes de trabalho.

O que é que mais a marcou em RH na sua carreira?

O que mais me marcou foi perceber, na prática, a força transformadora dos RH quando assumem o seu papel estratégico dentro das organizações. Desde cedo, tive consciência de que não são as ferramentas ou os processos que mudam uma estrutura, mas sim as pessoas que tomam decisões, que se relacionam e constroem resultados. Ficou-me muito claro, ao longo dos anos, que um clima saudável e lideranças inspiradoras fazem mesmo toda a diferença. Cresci muito ao ver o impacto que um RH parceiro da liderança e focado em pessoas pode ter no sucesso do negócio.

E o que é que mais a motiva neste âmbito?

O que mais me motiva é, sem dúvida, testemunhar a evolução das pessoas e contribuir para que alcancem o seu potencial. Gosto de estar próxima da estratégia e perceber como cada colaborador pode fazer a diferença nos resultados alcançados. Enfrentar resistências e apoiar equipas a saírem da sua zona de conforto tornou-se uma paixão. Valorizo muito sentir que, quando há abertura à mudança, tanto as pessoas como as empresas crescem. E, para mim, é esse impacto positivo o que dá sentido ao meu trabalho.

Há algum aspeto adicional que queira referir?

Gostava apenas de reforçar a importância do equilíbrio entre tecnologia e humanidade nos RH. É inegável que a tecnologia trouxe ganhos extraordinários, mas se não cuidarmos do nosso lado humano, o propósito, as relações, o sentido de pertença, corremos o risco de nos afastarmos do essencial. Precisamos de criar espaços onde as pessoas possam colaborar e inovar, e sentir que contribuem para algo maior. Acredito que este equilíbrio entre eficiência tecnológica e experiências humanas ricas é o caminho para organizações mais sustentáveis e saudáveis.

Verónica Ahrens é head of team building solutions na Cegoc. Com um percurso internacional sólido e mais de 15 anos de experiência na área da formação experiencial para líderes e equipas, tem uma visão global e uma experiência comprovada na conceção e na entrega de programas de desenvolvimento imersivos, para equipas e organizações. Ao longo da sua carreira, liderou equipas de projetos em empresas de diferentes sectores e geografias – da América Latina à Europa, passando por países como França, Itália, México, Brasil (o seu país natal), Argentina e Estados Unidos. Antes de integrar a Cegoc, desempenhou funções de gestão na filial do Grupo Cegos no Brasil, como responsável por uma equipa de inovação e qualidade.

A Cegoc, fundada em dezembro de 1962, integra o prestigiado Grupo internacional Cegos. Com posição de destaque em soluções de Learning & Development, People & Culture Consulting e Learning Services, está na vanguarda da transformação do desenvolvimento de pessoas nas organizações. Desenvolve soluções que transformam conhecimento em ação, assegurando um impacto significativo e mensurável nos negócios dos clientes e contribuindo para a realização de transformações críticas nas suas equipas e organizações.

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