Durante anos, o percurso de muitos quadros superiores técnicos foi relativamente linear: especialização, aumento de complexidade técnica, reconhecimento interno e progressão salarial. Contudo, cada vez mais profissionais altamente qualificados chegam a um ponto de saturação. Já dominam a sua área e são uma referência técnica dentro da estrutura organizacional onde se encontram inseridos, mas não raras vezes são nesta fase confrontados com uma importante questão: será isto para sempre?
Texto: Marco Arroz Imagem: Freepik
O desejo de assumir funções de gestão surge, muitas vezes, pela procura de impacto, influência e a possibilidade de tomar decisões estratégicas nas organizações. Isto porque em muitas realidades empresariais, a progressão está associada à gestão e mesmo que existam carreiras técnicas paralelas, a liderança continua a ser vista como o verdadeiro patamar de poder e de decisão.
Graças a isso, deparamo-nos, por vezes com uma certa ilusão dentro das organizações: a de que um excelente técnico será, necessariamente, um bom gestor. No entanto, o que a experiência nos mostra é que a transição de técnico para gestor poderá ser uma das mudanças mais complexas dentro de uma carreira profissional.
Enquanto um especialista técnico é valorizado pelo seu conhecimento profundo na área, bem como pela autonomia e rigor técnico, o gestor é avaliado pela capacidade de influência, pela tomada de decisão sob contexto de incerteza, pelo desenvolvimento de pessoas e pela visão estratégica. Perante competências distintas, pode ocorrer o erro de assumir que o desempenho técnico elevado é um preditor automático de uma eficaz capacidade de liderança.
Em muitas realidades empresariais, a progressão está associada à gestão e mesmo que existam carreiras técnicas paralelas, a liderança continua a ser vista como o verdadeiro patamar de poder e de decisão.
As principais dificuldades da transição são facilmente identificáveis pelos próprios profissionais que passam por esta experiência. Desde logo, é comum sentir-se a perda da identidade profissional num momento inicial em que o técnico que construiu a sua reputação neste âmbito, ao passar para a gestão, deixa de ser o especialista e passa a depender da performance dos outros.
Paralelamente, este profissional pode sentir-se perdido na medição do seu próprio desempenho. Graças a uma evidente mudança de métricas de um sucesso deixa de ser a resolução de um problema técnico e passa a ser a garantia de que a equipa o resolve.
Por outro lado, poderá passar-se pela dificuldade em delegar. Muitos dos gestores mais recentes poderão ter tendência para intervirem demasiado, potenciando uma microgestão que frustra as equipas. Neste âmbito, é ainda de referir que, enquanto a área técnica é previsível e estruturada, a gestão de pessoas remete para a vertente emocional que nem sempre é lógica. Liderar exige, por isso, uma inteligência emocional que nem sempre é desenvolvida ao longo de carreiras altamente técnicas.
Em última análise, o sucesso desta transição dependerá sempre da vontade real de liderar pessoas (e não apenas o estatuto), assim como da disponibilidade para desenvolver novas competências comportamentais. O profissional que passa por este momento, deverá ter a consciência de que está a dedicar-se a uma nova profissão e não apenas a um novo cargo.

Marco Arroz, National Senior Manager de Recrutamento e Seleção Especializado do Clan (presença no LinkedIn aqui)

Com mais de 30 anos de experiência no sector dos recursos humanos, o Clan (anteriormente Multipessoal) é uma empresa portuguesa que disponibiliza uma plataforma digital que liga pessoas e empresas de forma inovadora. Oferece um ecossistema integrado de soluções, destacando-se para as empresas os serviços de trabalho temporário, outsourcing, recrutamento e seleção, facility services, recruitment marketing e consultoria digital. Aos candidatos e colaboradores, o Clan proporciona uma experiência tecnológica otimizada, com processos 100% digitais e acesso a informações de emprego relevantes. No Clan, a tecnologia e o toque humano unem-se para construir relações de confiança, lealdade e compromisso a longo prazo. Porque todos os trabalhos são importantes, o Clan trabalha para ligar as pessoas ao emprego certo.
