Janeiro tem uma energia curiosa de ponto de partida. É um mês permeável a reflexões e intenções, e em que a necessidade e a energia de mudar parece mais forte.
Texto: Inês Teles Palhinha Imagem: Freepik
A marcação do tempo em anos, meses e semanas é uma construção humana que se tornou necessária à ordem coletiva e individual.
Desde as primeiras civilizações, as pessoas sentiram necessidade de criar ciclos temporais e que marcavam estações, colheitas, frio, calor, sobrevivência. O ano, antes de ser número, foi necessidade.
Em Roma, as datas eram ajustadas conforme conveniências políticas, mandatos e estratégias de poder. O calendário gregoriano só se consolidou no século XVI.
Ainda que a marcação do tempo seja um acordo coletivo, janeiro carrega o peso simbólico do começo. Mesmo sabendo que o tempo é contínuo, o corpo e a mente respondem às pausas, aos marcos, às transições. Um ponto em comum onde todos, mais ou menos ao mesmo tempo, olham para trás e para frente e sentem um impulso acrescido.
Mas o ano tem 12 meses, 52 semanas e 365 dias de oportunidades de recomeçar, de «fazer acontecer».
Depois de janeiro chega fevereiro.
Mais curto no calendário, mas muitas vezes pesado no sentir. O entusiasmo inicial dá lugar ao cansaço, à rotina retomada, às primeiras frustrações. Aquilo que parecia simples em janeiro começa a exigir consistência, disciplina, paciência.
Quantos de nós ao longo do ano adiamos? Adiamos começar um projeto pessoal? Aprender uma nova língua? Voltar a estudar? Fazer uma viagem? Começar a cuidar de nós? Ficar quando fugir parece mais fácil? Ou sair quando ficar parece mais conveniente?
Quantos de nós, em fevereiro, já sentimos que «falhámos»?
Que perdemos o timing.
Que o ano já não é nosso.
Talvez porque confundimos começo com continuidade.
Janeiro dá o impulso. Mas é quando o impulso acaba que a escolha começa. Que percebemos que crescer raramente é rápido e quase nunca confortável.
Quantos de nós ao longo do ano adiamos? Adiamos começar um projeto pessoal? Aprender uma nova língua? Voltar a estudar? Fazer uma viagem? Começar a cuidar de nós? Ficar quando fugir parece mais fácil? Ou sair quando ficar parece mais conveniente? Quantas vezes adiamos começar porque não nos sentimos «prontos»? Parar mesmo quando isso implica deixar cair algumas coisas?
Há sempre coisas que deixamos para depois.
Uma conversa que precisa de acontecer.
Um sonho que ficou para «quando der tempo».
Um curso que salvámos nos favoritos.
Uma mudança que sabemos que faria bem, mas que ainda não começou.
E o tempo passa… e com ele a frustração de não fazer aquilo que a vontade pede.
Adiamos porque o ritmo é rápido, porque o momento parece nunca ser o ideal.
Adiamos porque é mais fácil ficar onde já sabemos o caminho.
Impulso é sobre não deixar o essencial para depois.
É sobre dar o primeiro passo, mesmo sem ter todas as respostas.
É escolher o movimento.
Porque o crescimento não acontece por acaso.
Acontece quando nos decidimos mover – um passo de cada vez, através de ações e escolhas diárias. Porque consistência é o impulso que decidiu ficar. É repetir mesmo quando o entusiasmo se transformou em rotina, mesmo quando janeiro já se transformou em março e mais ninguém está a falar em recomeços.
O verdadeiro «fazer acontecer» não mora no entusiasmo do início, mas na escolha diária, na repetição do hábito. A forma mais prática de impulsionar uma mudança é mudar o que fazemos.
Quando o hábito se torna parte de quem somos e não apenas o que fazemos, é muito provável que o mantenhamos.
E isso pode começar em fevereiro.
Pode começar a uma terça-feira.
Pode começar hoje.

Inês Teles Palhinha, Gestão e Desenvolvimento de Talento | BPI
O BPI é um dos cinco maiores grupos financeiros portugueses, estando centrado nas atividades de banca de empresas e de retalho e na prestação de serviços financeiros. Em fevereiro de 2017, passou a fazer parte do grupo CaixaBank, criando-se assim um dos maiores grupos financeiros da Península Ibérica, com capacidade para oferecer um conjunto de produtos e serviços que facilitam e agilizam as operações financeiras das empresas, independentemente da sua localização geográfica no mercado ibérico.
