Há um paradoxo curioso no mercado de trabalho atual: fala-se muito sobre as novas gerações, mas ouve-se pouco o que elas têm para dizer. Multiplicam-se análises, relatórios e debates sobre o que as motiva, o que valorizam e o que esperam das empresas. Mas, no meio de tanto discurso, esquece-se frequentemente o essencial – estas gerações não querem ser definidas. Querem ser compreendidas. E, acima de tudo, querem coerência entre o que as empresas dizem e o que realmente fazem.
Texto: Teresa Sabino Imagem: Freepik
Integrar as novas gerações não é uma questão de comunicação, é uma questão de autenticidade. Porque as pessoas entram pelo discurso, mas ficam pela experiência. E essa experiência começa a construir-se logo no primeiro dia – na forma como são recebidas, como são ouvidas e como percebem se a cultura que lhes foi prometida existe, de facto, no quotidiano. Quando a realidade não corresponde à expectativa, o entusiasmo inicial transforma-se em desilusão. E quando a confiança se quebra cedo, é difícil voltar a construí-la.
Durante muito tempo, acreditou-se que bastava modernizar o discurso para atrair talento jovem: adotar uma linguagem mais descontraída, criar espaços informais e comunicar valores como propósito, flexibilidade e bem-estar. Mas a integração não acontece no design do escritório nem nas frases inspiradoras das redes sociais. A integração acontece nas relações. Na forma como as lideranças acolhem ideias novas, como promovem diálogo entre gerações e como demonstram, no dia a dia, que as palavras se traduzem em práticas.
As novas gerações procuram consistência, não perfeição. Querem saber que trabalham num lugar que aprende com os erros, que aceita a mudança e que se preocupa genuinamente com as pessoas. Querem sentir que há espaço para crescer, e que o equilíbrio tão falado é mais do que uma promessa teórica. Quando isso acontece, a ligação é natural. Mas quando não há coerência – quando o que se comunica não é vivido – a motivação desaparece com a mesma rapidez com que chegou.
É nesse ponto que muitas empresas se perdem: tentam moldar as novas gerações ao modelo antigo, esperando que se adaptem sem questionar. Mas o papel destas gerações não é romper com o que existia – é desafiar o que já não faz sentido. E esse desafio é valioso. Obriga as organizações a evoluir, a repensar práticas e a tornar-se mais humanas e transparentes. O que antes era uma estrutura rígida, hoje precisa de se tornar um organismo vivo, capaz de ouvir, ajustar e integrar.
Integrar novas gerações é, no fundo, um exercício de escuta. É abandonar o «nós sempre fizemos assim» e abrir espaço para o «como podemos fazer melhor juntos?». É reconhecer que há sabedoria em ambos os lados – na experiência de quem já construiu e na visão fresca de quem chega.
A coerência tornou-se o novo diferencial competitivo. Num contexto em que todas as empresas falam de propósito, são as que o vivem que se destacam. São as que mostram, através de decisões e comportamentos, que os seus valores resistem à pressão e não se esgotam nas palavras. É essa coerência que gera confiança – e a confiança é o alicerce de qualquer relação duradoura.
Um estudo da Deloitte confirma isso: 46% dos profissionais da geração Z e 37% dos millennials afirmam considerar deixar o emprego quando não se identificam com a cultura da empresa. Estes números revelam algo profundo – o que afasta não é a exigência, é a falta de verdade. As pessoas não querem empresas perfeitas, querem empresas coerentes. Lugares onde possam crescer sem abdicar daquilo em que acreditam.
Integrar novas gerações é, no fundo, um exercício de escuta. É abandonar o «nós sempre fizemos assim» e abrir espaço para o «como podemos fazer melhor juntos?». É reconhecer que há sabedoria em ambos os lados – na experiência de quem já construiu e na visão fresca de quem chega. É na combinação dessas perspetivas que nascem equipas mais equilibradas, criativas e resilientes.
As empresas que compreenderem isto vão mais longe. Porque não se limitam a adaptar-se – evoluem. Criam culturas vivas, que crescem com as pessoas e não à sua custa. Culturas que inspiram confiança, atraem talento e, sobretudo, o mantêm.
No fim, o que une gerações não são discursos nem estratégias de employer branding. É o exemplo. E o exemplo só existe quando há coerência entre o que se diz e o que se faz. As novas gerações não procuram empresas que falem sobre o futuro. Procuram empresas que o construam com elas – com transparência, propósito e verdade.

Teresa Sabino é licenciada em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), tendo iniciado a sua carreira na área financeira, e ao longo do percurso abraçou também desafios na gestão de pessoas. Desde 2006 é diretora de recursos humanos e financeira na UPPartner, empresa onde combina experiência em liderança, estratégia e desenvolvimento organizacional com uma forte componente de gestão financeira.

Fundada em 1989, a UPPartner é uma plataforma multidisciplinar que repensa a forma como se faz comunicação, transformando-a em crescimento estratégico para marcas e organizações. Com mais de 36 anos de experiência e uma equipa de mais de meia centena de profissionais especializados, integra diferentes áreas numa abordagem one-stop-buy, que alia estratégia, criatividade e execução para oferecer soluções consistentes e impactantes.
Guiada por um propósito claro – criar soluções relevantes e sustentáveis –, a UPPartner aposta na especialização por sectores, na inovação orientada por dados e na cocriação entre equipas e clientes. Mais do que criar, procura gerar impacto duradouro tanto nos resultados como nas relações. O seu trabalho foi reconhecido ao longo dos anos com mais de 90 prémios nacionais e internacionais, que distinguem a sua criatividade, a inovação e o impacto. A solidez e a sustentabilidade do seu percurso são ainda comprovadas por diversas certificações e parcerias estratégicas.
A UPPartner representa Portugal na 27Names, a maior aliança europeia de agências independentes, e é membro ativo da APECATE e da APECOM. Mantém ainda colaborações com entidades como a APVE – Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, reforçando a sua ligação ao sector e o compromisso com a inovação. Com uma cultura de proximidade, humanismo e inovação, continua a desafiar o status quo, cocriando com os seus clientes soluções que fazem a diferença.
