2025 expôs o lado menos glamoroso da revolução: um estudo recente do MIT aponta para taxas de insucesso nos pilotos de inteligência artificial (IA) empresariais que chegam a 90-95%, enquanto muitos AI agents não passam de promessas inflacionadas. Resultado: boards cansados, chief financial officer (CFOs) mais duros e chief human resources officers (CHROs) encurralados entre o entusiasmo público e o ceticismo interno.
Texto: Miguel Bello Foto: DR
A questão não é tecnológica, é estratégica. As organizações trataram a IA como gadget, campanha ou símbolo de modernidade – não como músculo estrutural do negócio. Compraram licenças, criaram task forces, nomearam champions, fizeram workshops impecáveis. E deixaram para depois o que realmente dói: formar as pessoas para criar um AI Mindset,rever processos, governança, competências e accountability. 2026 tem de ser o ano em que deixamos de colecionar pilotos e começamos a construir sistemas.
Tive a sorte de estar no sítio certo, na altura certa. Quando a IA generativa chegou às massas, já estava na Nova SBE – entre a área de estratégia, relações corporativas e visitas a Boston para desenhar a parceria com Harvard que deu origem ao Digital Data Design Institute at Nova SBE and NOVA Medical School. Isso obrigou-me a viver a IA no terreno: com boards, com pequenas e médias empresas (PMEs), em sectores regulados, nos bastidores dos programas e nas conversas difíceis sobre risco, ética e sobretudo impacto.
Hoje trabalho com ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude, numa prática contínua que me permite separar o ruído das ferramentas do que realmente funciona em contexto empresarial. Vi uma PME portuguesa reduzir revisões de propostas comerciais de três dias para quatro horas. Vi equipas executivas cortarem 40% do tempo em relatórios de gestão sem perder rigor. Não por magia – por integração inteligente, governança clara e foco em output. Com recurso a ferramentas simples como NotebookLM ou mais complexas como N8N.
A partir da Nova SBE, tenho procurado ajudar quem quer pensar melhor, decidir melhor e trabalhar melhor com máquinas cada vez mais poderosas ao lado.
Na Nova SBE Executive Education essa experiência materializa-se em três frentes. Programas e academias onde a IA ajuda a mapear perfis, necessidades e clusters de talento em semanas. Management retreats onde equipas de topo trabalham sobre o tema da IA para antecipar cenário, desenhar estratégias e criar aceleradores. E no programa Horizon, de lideranças regenerativas, onde o AI atua como coach, acompanha líderes, combinando simuladores, mentoring e aplicação em contexto real, para consolidar comportamentos e não apenas diplomas.
É aqui que Portugal pode transformar uma desvantagem numa vantagem. Somos suficientemente compactos para experimentar depressa e suficientemente conectados para escalar o que resulta. Se grandes empresas e PMEs assumirem a IA como disciplina central (com ética, estética e métricas), podem sair da curva de desilusão mais maduras do que muitos mercados maiores.
Da mesma forma que a Nova SBE serve muitas vezes de test bed de inovação para novos modelos de negócio, novos produtos e serviços ou novas políticas, Portugal também pode ser o test bed da Europa a nível de IA. Criando vantagens competitivas.
2026 deveria ser menos sobre promessas e mais sobre carácter organizacional: quem aprende com os falhanços, reescreve processos, protege dados, investe em líderes que compreendem a IA e a traduzem para o negócio. É essa a agenda que, a partir da Nova SBE, tenho procurado servir: ajudar quem quer pensar melhor, decidir melhor e trabalhar melhor com máquinas cada vez mais poderosas ao lado.
Quer fazer um teste rápido? Peça ao seu assistente de IA: «Diz-me quantas mensagens já troquei com o ChatGPT até agora. Depois, compara a minha utilização com a de um utilizador médio: sou um utilizador ocasional, regular, intensiva ou avançado? Estima em que percentil me insiro com base no número de mensagens. Por fim, faz uma breve reflexão sobre o tipo de mensagens que costumo enviar.»
A resposta dir-lhe-á se está apenas a falar de IA ou se já começou verdadeiramente a usá-la.
Miguel Bello, Executive Director of Corporate Relations da Nova SBE e AI Portfolio Director da Nova SBE Executive Education (na foto)

A Nova SBE Executive Education aposta em proporcionar a escolha do que aprender, de como aprender e de quando aprender. Defende a experiência de um novo mundo de aprendizagem sem limites – o Infinite Learning –, sendo que a sua visão assenta na premissa de que a educação não se conclui com a obtenção de um diploma ou certificado; pelo contrário, é um processo contínuo que se estende por toda a vida. Este conceito desafia a tradicional visão linear de educação e carreira, propondo uma abordagem mais flexível, adaptativa e personalizada ao desenvolvimento de competências e conhecimentos. A Nova SBE Executive Education dá a possibilidade de customizar totalmente a jornada de aprendizagem, por tema, módulo, método, tempo ou espaço.
