Formação

Um novo skill

Texto: Sara Sousa Brito Imagem: Freepik

Se antes a IA já era democrática e gratuita para todos, passou a sê-lo também no mundo organizacional – acessível, segura e integrada nos ambientes em que os colaboradores já trabalhavam.

A partir daqui, já não é possível ignorar que existe… e se existe, é para ser usada. O próximo passo é pôr os colaboradores a comunicar com a máquina e a integrar a IA no dia-a-dia – na função, no departamento, na organização.

E este novo skill, ao contrário do que muitos pensam, é uma competência de hemisfério direito e esquerdo. Para tirar o máximo partido da IA, usamos criatividade e lógica em simultâneo. Pensamento sistémico e inovação… resolução criativa de problemas… transformados em prompts eficazes, capazes de converter complexidade em passos simples.

E olhando para as novas competências do futuro, o World Economic Forum (WEF) deste ano acrescentou três diretamente ligadas aos riscos globais: a Cibersegurança, reforçada pelos ataques cada vez mais frequentes, como o recente ataque aos servidores da Amazon que parou o Zoom; a Gestão de Recursos, desde matéria-prima a talento e mão-de-obra – área em que Portugal surge entre os países com maior risco de escassez, mesmo com imigração; e, por fim, a Sustentabilidade, impulsionada pelas alterações climáticas e pela exigência de modelos mais responsáveis. Para estes três riscos, a IA pode ser parte da resposta, apoiando-se em algoritmos preditivos, simulações de cenários, antecipação de necessidades, melhoria de indicadores, inovação em produtos mais sustentáveis ou na capacidade de testar sistemas e fortalecer a segurança. Estas novas competências acabam por substituir algumas das mais soft, embora continuem essenciais a Motivação e a Autoconsciência, sobretudo num contexto de mudança. Surge também a necessidade de novos modelos de liderança – mais facilitadores e estratégicos –, capazes de acompanhar esta nova revolução industrial e a mudança de paradigma na forma como pensamos e trabalhamos. Com melhores indicadores, forecasts e visibilidade, não será por falta de leitura ou antecipação que tomaremos más decisões, nem existirão distâncias entre estratégia e operação, pois a IA apoia toda a execução.

Já não será por não sabermos que algo não acontece. A IA traz transparência ao desempenho organizacional e à ponte entre intenção e implementação. E, sim, tudo isto pode parecer overwhelming. Estamos perante a maior disrupção dos últimos tempos – o antes e o depois da IA não têm comparação possível. Nas organizações, a democratização é real: o poder da informação e do conhecimento está nas mãos de todos os colaboradores, já não é silo de ninguém. Basta saber perguntar… e saber do assunto, claro. Quem não sabe é como quem não vê. E com IA pode dar asneira – porque faz tudo –, mas sempre com sign off humano. É para quem sabe.





Sara Sousa Brito
, Partner da People Value


A People Value tem uma equipa com mais de 20 anos de experiência no mundo dos recursos humanos e das organizações. Na consultora acredita-se que o desenvolvimento das pessoas e das organizações é o resultado do envolvimento, paixão e inovação. A cada dia investe na criação de soluções de aprendizagem e desenvolvimento, na busca de garantir satisfação para os clientes. Define a sua missão da seguinte forma: «Construir as condições para que as pessoas se sintam motivadas e inspiradas no trabalho e, assim, alavancar o sucesso das organizações.

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