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Hugo Bastos Alves
Uma aposta nas ‘soft skills’

A Galileu apresenta a partir deste mês uma nova oferta formativa na área das ‘soft skills’, em parceria com o Instituto Profitecla. Oportunidade para uma conversa com Hugo Bastos Alves, um dos responsáveis da empresa, que considera as ‘soft skills’ «tão importantes quanto as ‘hard skills’, sendo directamente responsáveis pela correcta aplicação dos conhecimentos técnicos».

Por António Manuel Venda

Qual a razão para apostarem na formação em ‘soft skills’, tendo em conta os profissionais que formam, mais direccionados para a tecnologias de informação (TI)?
Trata-se de competências que, sendo essenciais para os profissionais de todas as áreas, são também necessários, e muitas vezes exigidas, nos profissionais TI. Tendo consolidado a sua posição no mercado da formação em TI, a Galileu analisou as várias possibilidades de crescimento e concluiu ser esta uma área de extrema importância no mercado empresarial – ter competências em métodos de comunicação e análise de pessoas é essencial para o êxito de qualquer projecto. Com uma oferta alargada às ‘soft skills’, a Galileu passa a disponibilizar soluções globais e integradas que respondem às necessidades formativas das empresas e dos profissionais em diferentes áreas, potenciando o seu crescimento e o seu sucesso. Desta forma, lançámos a nova oferta formativa em ‘soft skills’, englobando áreas estratégicas como Gestão e Cultura nas Organizações, Gestão e Marketing e Segurança e Saúde do Trabalho, entre outras.
Acha que é ao nível de ‘soft skills’ que os profissionais de TI poderão ter ainda no nosso país algumas dificuldades?
Regra geral é mais fácil ganhar competências técnicas do que desenvolver ‘soft skills’ – um processo que muitas vezes envolve mudanças de hábitos e comportamentos já enraizados nos profissionais. No entanto, estas ‘soft skills’ são tão importantes quanto as ‘hard skills’, sendo directamente responsáveis pela correcta aplicação dos conhecimentos técnicos. Um exemplo disto é o facto de os profissionais de TI terem, tendencialmente, alguma dificuldade em comunicar sobre questões técnicas com os seus colegas que não têm as mesmas competências. A nova oferta formativa da Galileu pretende aproximar o desenvolvimento dos dois níveis de competências, técnicas e pessoais, que consideramos serem essenciais nos profissionais de hoje.
Isto não será um problema mais amplo, que se coloca ao nível de muitas áreas técnicas, não apenas a das TI?
De facto, a lacuna em ‘soft skills’ abrange todas as áreas profissionais. O sistema de educação valoriza o desenvolvimento de competências técnicas, especialmente teóricas, sem no entanto disponibilizar ferramentas de gestão de equipas, gestão de tempo ou técnicas de vendas, entre muitas outras, em variadas áreas. É frequente assistirmos a evoluções de carreira em que profissionais chegam a gestores sem nunca terem tido acesso a competências de gestão ou liderança. Daí a importância desta oferta formativa, desenvolvida por profissionais da área da formação comportamental e direccionada especialmente ao mercado empresarial, oferta que consideramos sólida e fundamental para a preparação de profissionais e empresas de sucesso.
Que influência pode ter no trabalho de um profissional de TI a falta de preparação nestas áreas mais de âmbito comportamental?
Um profissional com conhecimentos técnicos mas sem competências pessoais não está a tirar partido de todo o seu potencial. A capacidade de comunicação e interacção em equipa, e mesmo a forma como é aplicada a base técnica, tudo isso pode ser explorado e fomentado através das ‘soft skills’.
Esperam com esta formação que os profissionais possam ter ganhos a que níveis?
O desenvolvimento de ‘soft skills’ é essencial para profissionais com competências e cargos técnicos. Os profissionais de TI com competências comportamentais mais desenvolvidas ganham claramente em flexibilidade e capacidade de adaptação, tendo uma maior facilidade de comunicação com os restantes membros da sua equipa. A aplicação das ‘soft skills’ em ambientes complexos e tecnológicos permite tirar um maior partido da base de conhecimento técnico, optimizando processos e rentabilizando os profissionais e as empresas. Mas, de uma forma geral, o desenvolvimento de competências em ‘soft skills’ é essencial para profissionais de todas as áreas, com funções mais ou menos técnicas, permitindo-lhes realizar todo o seu potencial. A nova oferta formativa da Galileu é dirigida a todos os profissionais que pretendam melhorar as suas competências pessoais.
A formação que agora disponibilizam não trata apenas das ‘soft skills’, conjuga-as com ferramentas tecnológicas do dia-a-dia dos profissionais. Como chegaram a estes programas?
Se considerarmos que a as competências técnicas e as competências pessoais são igualmente importantes para a evolução e o desenvolvimento dos profissionais e das empresas, nada mais lógico do que criar produtos que associam as duas componentes, fomentando o desenvolvimento das duas áreas de competências em conjunto. Assim, a Galileu desenvolveu cursos ‘soft skills’ com uma forte componente prática, suportados por TI, como «Gestão Eficaz de Tempo com Outlook», «Gestão de Cobranças com PHP/ Primavera», «Gestão de Special Accounts com Microsoft CRM» ou «Técnicas de Prospecting com Microsoft CRM». No futuro, a oferta formativa em ‘soft skills’ com suporte das TI irá ser alargada. Para o lançamento da nova oferta foram escolhidas temáticas bastante importantes para o sucesso das eEmpresas, especialmente no contexto económico actual, e ‘software’ bastante disseminado e utilizado no mercado empresarial, ‘software’ que consideramos ser uma potente ferramenta de suporte às ‘soft skills’ em causa.
Como é a colaboração com o Instituto Profitecla neste projecto formativo? Ou seja, como foi o desenvolvimento do projecto e como está agora a concretizar-se?
A parceria com o Instituto Profitecla já vinha de trás e nesse sentido trata-se de uma evolução natural. De uma forma muito simples, a Galileu passa a disponibilizar toda a oferta formativa do Instituto Profitecla, contando com todo o seu ‘know-how’ e toda a sua experiência nesta área.
Têm notado algumas dificuldades, nomeadamente porque ao nível de ‘soft skills’ há tradicionalmente um afastamento dos profissionais de TI no seu percurso formativo?
Os profissionais das TI começam a compreender que as ‘soft skills’ são extremamente importantes na forma como desempenham a sua actividade e aplicam as suas competências técnicas, permitindo um maior aproveitamento do seu potencial. Assim, tem havido um maior interesse por este tipo de formação também por parte destes profissionais e uma preocupação em complementar a respectiva formação profissional com esta área.
Este projecto pode servir de exemplo para futuros programas vossos? E pensam que podem ser vistos como uma boa prática pelo mercado e inclusive replicados na sua lógica nos programas de outras instituições tradicionalmente ligadas à formação tecnológica?
Temos a certeza de que será um projecto que terá boa receptividade, visto que associa dois conjuntos de competências com igual importância no mercado de trabalho e os desenvolve em conjunto, explorando uma vertente mais prática das ‘soft skills’, associada a ‘software’ utilizado no dia-a-dia pelos profissionais. Nesse sentido, não temos dúvidas de que será uma aposta ganha, um projecto a desenvolver ainda mais e um exemplo a seguir.

18/10/10





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