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Isabel Borges
Fortalecer cada vez mais a cultura da empresa

Década e meia de actividade de uma empresa de recursos humanos 100% nacional, a Multitempo, que está integrada no grupo empresarial RHmais. Um aniversário que serve de pretexto para uma conversa com Isabel Borges, a gerente, que afirma querer «fortalecer sempre e cada vez mais a cultura da empresa» e para quem «cada um dos 15 anos tem sido uma aposta ganha».

Por António Manuel Venda

Que balanço faz destes 15 anos de actividade da Multitempo?
O balanço é extremamente positivo e cada um dos 15 anos tem sido uma aposta ganha. A Multitempo soube sempre interpretar correctamente os sinais de um mercado cada vez mais exigente. Nesse sentido, foi pioneira em criar um conjunto de processos que satisfizeram e ultrapassaram plenamente as expectativas dos seus clientes. Ao longo dos 15 anos, a história da nossa empresa fez-se pela introdução de factos inovadores em cada ano, os quais tiveram impacto directo necessariamente nos clientes, nos negócios, no crescimento, e isso é muito gratificante para nós.
Como foi neste período, na sua perspectiva, a evolução da actividade do trabalho temporário, a que a empresa se dedica?
Face às alterações do sistema produtivo, houve necessidade de adaptar as normas que regulam a legislação laboral. Estes dois factores, devidamente conjugados, contribuíram para a desmistificação da utilização do trabalho temporário, a tal ponto que actualmente as empresas contam cada vez mais com esta forma de contratar, tendo como resultado a institucionalização de uma forma avançada de criação de emprego. O recurso ao trabalho temporário é, e continuará a ser, um instrumento de gestão fundamental de rentabilização dos recursos humanos nas empresas. O tecido empresarial português é composto, sobretudo, por pequenas e médias empresas (PME), cuja estrutura não detém uma direcção de recursos humanos, daí a necessidade da compra de serviços deste tipo para fazer face às oscilações de mercado e reduzir custos operacionais.
Pensa que a actividade ainda poderá evoluir mais, ou teremos já chegado a um ponto máximo? Isto em relação tanto a boas práticas das empresas da actividade como ao enquadramento legal e à dimensão do mercado.
O trabalho temporário surgiu da necessidade de as empresas responderem de forma ágil às alterações ocorridas no mercado. E porque este mesmo mercado é evolutivo, face a esta realidade, só as empresas clientes que souberem interpretar correctamente a verdadeira utilidade do trabalho temporário poderão tirar mais partido dele. Por outro lado, com esta atitude, a selecção sobre a utilização das empresas de trabalho temporário far-se-á de forma eticamente correcta e mais moralizadora para as empresas que cumprem a legislação em vigor. Também devemos considerar o facto de Portugal ter uma taxa de utilização de trabalho temporário muito abaixo da média europeia. Outro facto relevante é o de o t rabalho temporário se assumir como uma ferramenta essencial de gestão no desenvolvimento das empresas. Está intimamente associado a um rigor orçamental na contenção de custos e a uma redefinição de regras na gestão dos efectivos. Mais um aspecto a salientar é que o trabalho temporário possibilita às empresas a existência de estruturas mais leves e o recurso a técnicos especializados apenas quando é necessário. Ou seja, é reconhecido por ser economicamente útil e ter um valor social correcto. No contexto europeu actual, só as empresas que forem flexíveis poderão ser mais produtivas e competitivas, e é aqui que entra a grande oportunidade para as empresas de trabalho temporário, pois como entidades especializadas oferecem também um conjunto de serviços integrados na área de recursos humanos, nomeadamente recrutamento e selecção e ainda formação.
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Devo referir também que, analisado o recurso a esta forma de contratação sob o ponto de vista meramente social, existe por parte das empresas de trabalho temporário uma preocupação em reintegrar os trabalhadores no sentido de os adequar à actividade profissional que anteriormente era exercida, assim como dar uma oportunidade aos jovens que pretendem iniciar-se no mercado de trabalho, o que de outro modo seria difícil que acontecesse. Posso concluir que o trabalho temporário, por si só, é um parceiro no combate ao desemprego, criando novas oportunidades de trabalho.
Como é que a integração da sua empresa num grupo ligado à área de recursos humanos influenciou o desenvolvimento que teve nestes 15 anos?
A Multitempo foi criada quando o Grupo RHmais já tinha uma grande implantação no mercado e uma vasta experiência na área de recursos humanos, o que facilitou a sua integração no meio empresarial. Foi portanto herdeira do 'know-how', da cultura, dos valores e das metodologias do grupo. Contudo, desenvolveu metodologias próprias, reforçando as competências do grupo no mercado.
Como perspectiva agora o futuro da Multitempo?
Ao longo deste período, a Multitempo criou as condições para enfrentar com confiança o futuro, que se perspectiva seja de manutenção da qualidade e do rigor, com inovação permanente, diversificação das áreas de negócio, antecipação de tendências do mercado e aposta em sectores emergentes e em novas áreas geográficas.
Que especificidades tem a gestão de uma empresa ligada a trabalho temporário?
A alínea a do artigo 172 do «Código de Trabalho» refere «o contrato de trabalho a termo celebrado entre uma empresa de trabalho temporário e um trabalhador, pelo qual este se obriga, mediante retribuição daquela, a prestar a sua actividade a utilizadores, mantendo-se vinculado à empresa de trabalho temporário». É estabelecida uma relação triangular, onde o poder patronal cabe à empresa de trabalho temporário e o poder de supervisão e orientação, por delegação, cabe ao utilizador do trabalho temporário, o cliente. As especificidades, as obrigações, as responsabilidades, os processos administrativos, o cumprimento de prazos, sempre em conjugação com as necessidades do cliente, decorrem de uma relação normal de contratação de trabalhadores.
Consegue fazer algum paralelismo entre a gestão de pessoas numa empresa como a Multitempo e a gestão de pessoas feita por um director de recursos humanos de uma empresa utilizadora da mão-de-obra que disponibilizam?
Sem dúvida. O director de recursos humanos de uma empresa tem dois tipos de preocupações: as técnicas e as administrativas. As técnicas situam-se numa primeira fase: recrutar os melhores candidatos dentro do perfil técnico definido para cada função e assegurar a boa execução das suas tarefas; acompanhar a sua evolução dentro da organização, proporcionar o seu desenvolvimento garantindo formação adequada, estar atento ao absentismo, etc. Por outro lado, existe o aspecto administrativo, a burocracia que envolve a relação de um colaborador com a empresa que o contrata e remunera, os descontos para a Segurança Social, os descontos para efeitos de impostos, etc. Há uma partilha de preocupações entre a empresa de trabalho temporário e o director de recursos humanos; a responsabilidade em ambos os casos é muita, num caso porque responde perante a sua administração, noutro - o da empresa de trabalho temporário - porque responde perante o seu cliente. Objectivamente, a empresa de trabalho temporário actua ao lado do director de recursos humanos, mas no sentido de garantir-lhe o sucesso, no melhor desempenho das respectivas funções, trazendo mais-valia à sua gestão.
Como são tratadas na Multitempo as questões ligadas a saúde e segurança das pessoas?
São questões tratadas com extrema relevância, não só pela sua vertente legal mas também por se tratar de matéria de grande importância para o sucesso nas relações empresariais. Sendo a Multitempo uma empresa que cede colaboradores nos mais diversos sectores de actividade,  assume que a vertente de saúde, higiene e segurança no trabalho (SHST) deve ser entendida como parte integrante do processo de parceria com os seus clientes. Para isso recorre a prestadores de serviço de referência no mercado, assegurando assim, com este, um serviço de qualidade. Ou seja, escolhe parceiros devidamente legalizados, que cumpram com todos os requisitos legais e que executem a avaliação médica dos seus colaboradores com meios e serviços de elevado padrão. Consegue, portanto, demonstrar junto dos clientes que os serviços em que recaiu a sua opção trarão seguramente ganhos, sabendo que os colaboradores colocados são os adequados ao desempenho da função ou das funções a exercer. Os serviços de SHST são, assim, organizados para promoção e vigilância da saúde dos colaboradores e para controlo dos riscos profissionais a que estão expostos. E esta organização é feita em duas grandes áreas: exames médicos de aptidão na admissão dos trabalhadores temporários, por um lado, e saúde no trabalho para os colaboradores dos quadros. Tudo isto faz parte integrante de uma das filosofias da Multitempo, que se traduz na expressão «para si, escolhemos os melhores».
E as questões ligadas à formação dos trabalhadores temporários? Foi inclusive criada uma academia técnica na Multitempo. Como funciona essa academia?
A Academia da Área Técnica é um projecto que consiste na criação, no desenvolvimento e no reconhecimento de competências dos técnicos de recursos humanos da Multitempo. É um projecto que se encontra em constante desenvolvimento, um projecto dinâmico que está sujeito a evoluções, permitindo a inclusão de novos procedimentos através de sugestões de todos os elementos da empresa. Existe uma contínua criação de ferramentas e meios que permitem que a área técnica partilhe informações e experiências, e em simultâneo, após as devidas avaliações, é possível também o reconhecimento desse desenvolvimento de competências, que leva à aquisição ou à renovação dos certificados de competência técnica. Isto garante que o trabalho desenvolvido pelos nossos técnicos é feito obedecendo a rigorosos critérios de qualidade, previamente estabelecidos.
Em que perspectiva pode o trabalho temporário ser atractivo para as pessoas, e qual o papel das empresas da actividade neste ponto?
O trabalho temporário poderá ser encarado de diversas formas, dependendo do tipo de pessoa, das suas expectativas profissionais e da altura da vida. Pode ser visto como uma porta de entrada no mercado de trabalho, quer para recém-licenciados, quer para jovens à procura do primeiro emprego, pois representa uma primeira visão sobre a actividade profissional e as empresas, podendo em muitos casos servir de alavanca para uma carreira profissional. Outras pessoas encaram o trabalho temporário como uma forma de se manterem no mercado de trabalho. Existem ainda outras que optam pelo trabalho temporário como uma forma de demonstrar as suas capacidades e aptidões, para que possam mais tarde ser reconhecidos na sua actividade. Existem ainda outras pessoas que, por razões diversas, vêem no trabalho temporário uma forma de conciliar a vida profissional com a vida pessoal, não querendo criar vínculos muito fortes com as empresas para que possam em simultâneo desenvolver outras actividades. Em todas estas abordagens, o trabalhador temporário possui todos os direitos e deveres que qualquer outro trabalhador com um vínculo laboral - vencimento, férias, subsídios, segurança social, etc - e, apesar da duração do contrato poder ser mais curta do que as demais contratações, um bom profissional é sempre reconhecido e terá sempre garantido um posto de trabalho. Esse posto de trabalho é assegurado pela qualidade do profissional e não pela forma de contratação.
Voltando aos 15 anos da Multitempo, têm algumas iniciativas previstas relacionadas com este aniversário?
Sim. Para além do habitual jantar de convívio entre algumas dezenas de colaboradores e convidados, a Multitempo prepara-se para homenagear alguns colaboradores pela sua antiguidade na empresa e também atribuir certificados de competência técnica a outros. Mas o marco destes 15 anos é simbolizado num vídeo institucional especialmente preparado para o efeito e que será oferecido a colaboradores, clientes e parceiros. Nele poderá espreitar-se a história da Multitempo: a empresa, o que faz, para quem trabalha. Nesse vídeo reúne-se breves depoimentos das principais personalidades que constituem a Multitempo actualmente, como o presidente do Conselho de Administração do Grupo RHmais, eu própria como gerente da empresa, o director administrativo e financeiro do Grupo RHmais, o coordenador do Departamento Administrativo e Financeiro, os directores das quatro delegações a nível nacional, a directora técnica, a responsável pelo Gabinete de Qualidade e Inovação, para além de um trabalhador temporário.
Como estão a comunicar ao mercado, nomeadamente às empresas utilizadoras, e também aos trabalhadores, o facto de terem chegado aos 15 anos de actividade?
Através de várias acções internas e externas. Começámos por fazer o envio de um 'teaser' a clientes e parceiros, envio concluído com a entrega, no dia do nosso aniversário, do vídeo institucional já referido anteriormente. Para além disso, vamos fazer a divulgação através do nosso 'site', criámos um painel alusivo à data, que será colocado à entrada da sede; e vamos enfeitar as nossas instalações com balões e ainda fazer inserções publicitárias nalguns meios.
Como acha que é percebida quer pelo mercado, quer pelos trabalhadores a imagem da Multitempo?
O retorno que temos tido dos nossos clientes e dos nossos trabalhadores é bastante positivo. Julgo que a imagem da Multitempo é a de uma empresa que se tem pautado pela aposta na qualidade do serviço prestado, que se rege de forma certificada e inovadora e que tudo tem feito para potenciar a optimização e a flexibilização da gestão dos recursos humanos dos clientes e dar as melhores condições aos trabalhadores.
Em termos da sua carreira, que balanço faz do percurso que tem tido na Multitempo?
O meu percurso na Multitempo iniciou-se através de um desafio, de um convite feito em 1995 pelo presidente do Grupo RHmais, Helder Braz, para criar de raiz uma empresa de trabalho temporário no grupo, assumindo o cargo de directora comercial. Em 2003 assumi a gerência da empresa. Esta evolução permitiu-me um conhecimento bastante aprofundado em todas as vertentes, conhecendo bem a empresa, as pessoas que fazem parte dela e os seus clientes. Eu cresci e aprendi com a empresa, e a empresa também foi crescendo comigo. A minha carreira dentro da Multitempo resume-se a um processo de aprendizagem constante e permanente. Tudo o que fiz, faço e farei no âmbito desta empresa, é de forma apaixonada, com muito empenho e dedicação. Criei uma equipa de quadros de confiança e de elevada competência técnica, que me acompanha desde a fundação da Multitempo.
E que desafios coloca a si própria?
Ser cada vez mais exigente, e colocar todos os dias novas metas para contrariar o estado de comodismo que algumas empresas às vezes atingem. Sou curiosa, atenta aos sinais e às mensagens que o mercado nos vai passando, gosto de fazer acontecer e tenho um enorme sentido de responsabilidade e preocupação em relação ao crescimento das pessoas com quem trabalho, além de um respeito máximo para com o negócio dos clientes. Por vezes, revolto-me com a minha inquietude exagerada, resultante da necessidade de querer fortalecer sempre e cada vez mais a cultura da empresa.

16/03/10





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