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Jorge Martins
Gerir recursos humanos numa empresa de segurança

São 6.600 colaboradores, integrados em quatro áreas e segmentos especializados, e distribuídos por 20 filiais. A Securitas presta serviços na área de segurança e por isso a maioria dos colaboradores está «no cliente», o que obriga «a mecanismos robustos de acompanhamento, suporte e motivação». Jorge Martins, director de recursos humanos da empresa em Portugal, explica como isso é feito e fala da importância do processo de recrutamento e da formação.

Por Ana Leonor Martins

Sendo a Securitas uma empresa de segurança, quais as especificidades que se verificam ao nível da gestão que é feita ao nível dos recursos humanos?
Existem várias especificidades na gestão dos recursos humanos nesta actividade. Desde logo, o facto de o serviço ser prestado na casa do cliente, longe da Securitas, o que obriga a ter mecanismos robustos de acompanhamento, suporte e motivação dos colaboradores. A integridade é um dos aspectos mais valorizados. Os clientes confiam-nos um dos bens mais preciosos, a chave das suas instalações. Este é sem dúvida um aspecto muito sensível.
E como se avalia a integridade num processo de recrutamento?
O processo de recrutamento e selecção tem de ser suficientemente flexível para permitir satisfazer as necessidades da empresa nesta área em todos os locais onde opera, mas muito rígido no que diz respeito à verificação e à análise do perfil e das competências dos candidatos. O sistema de gestão da empresa é a ferramenta onde arrumamos a informação necessária para a nossa actividade. A estrutura organizacional da Securitas está virada para a descentralização dos processos. Temos um organigrama 'flat', com incidência maximizada, ao nível da gestão, nas filiais. Estas têm todas as competências - a de recursos humanos incluída - para o negócio se desenvolver. Este modelo possibilita maior especialização e motivação dos nossos colaboradores. A formação também é um processo crítico na nossa actividade.
Mas como decorre o processo de contratação?
A remessa das candidaturas é feita exclusivamente pela Internet. Não são aceites candidaturas em papel em nenhum ponto do país; mesmo quando os candidatos se dirigem às nossas instalações, para se inscreverem, convidamo-los a inserirem as suas candidaturas nas salas com meios informáticos, que temos à disposição. Concentramos as nossas energias na análise qualitativa do processo de recrutamento e selecção. Queremos que os colaboradores iniciem a actividade na posição que melhor se adeqúe às suas competências e onde se sintam melhor. Orgulhamo-nos de ter uma das mais baixas taxas de 'turnover' do grupo e do nosso sector de actividade, um pouco acima dos 10%. No último ano recrutámos cerca de 800 novos colaboradores. Para além da formação inicial de 100 horas que é ministrada, temos que acolher e integrar os novos colaboradores, para que se sintam bem na empresa.
E que outras preocupações têm ao nível da formação?
A formação de reciclagem, tal como o processo de recrutamento, é um aspecto crítico - garantir que os colaboradores têm as competências necessárias para a boa realização dos serviços. Para que tal aconteça, socorremo-nos de duas ferramentas muito importantes: o 'feedback' dos clientes sobre a avaliação dos serviços e o sistema de avaliação de desempenho.
Quantas pessoas compõem a Securitas e por que áreas essenciais se distribuem?
Somos 6.600 colaboradores, integrados em quatro áreas e segmentos especializados. Estas unidades são compostas por 20 filiais de Vigilância Especializada, Vigilância Mobile e Segurança Aeroportuária, de Norte a Sul, incluindo as regiões autónomas. A estrutura de apoio ao negócio está concentrada na sede da empresa, na qual se incluem a Direcção de Recursos Humanos, a Direcção Financeira, a de Sistemas de Informação e a de Marketing.
Como actuam na motivação e no acompanhamento das equipas, sendo que a maior parte dos vossos activos humanos se encontra nos clientes? Como é feita essa gestão à distância?
O ponto de força da nossa organização está na filial. Esta estrutura é que possibilita a proximidade da empresa em relação aos colaboradores que prestam serviço nos clientes, quer ao nível dos Recursos Humanos, quer no desenvolvimento da actividade. Este acompanhamento no terreno é feito por supervisores que utilizam equipamentos tecnológicos de apoio às suas funções. Através de novas ferramentas tecnológicas temos alocado cada vez mais pessoas no acompanhamento operacional junto dos vigilantes e dos clientes. Esta tendência deve acentuar-se nos próximos tempos. Possuímos as ferramentas e a informação necessárias junto dos colaboradores, o que possibilita dar respostas rápidas a estes e apoiá-los no trabalho diário.
Quais os pilares fundamentais da política de recursos humanos da Securitas?
Os recursos humanos são um elemento fundamental de suporte aos objectivos estratégicos da empresa, ao negócio e à performance financeira; são usados de forma táctica e de forma estratégica para criar vantagem competitiva, atrair, reter e desenvolver os colaboradores. A função Recursos Humanos é baseada na nossa filosofia de negócio, na estratégia e nos valores da empresa. Os seus objectivos estratégicos são os seguintes: atrair os colaboradores mais qualificados; reter os melhores colaboradores; desenvolver e formar os colaboradores; assegurar o cumprimento das leis e das regulamentações aplicáveis; e assegurar o cumprimento das políticas e dos procedimentos da empresa.
A crise de que tanto se fala afectou a vossa actividade?
O abrandamento da actividade dos nossos clientes tem um efeito directo nas necessidades de segurança. O ajustamento em baixa de alguns horários nos nossos clientes tem sido compensado com abertura e início de serviços em novos clientes. O balanço é neutro no que diz respeito à produção. No entanto, as margens comerciais estão sob grande pressão. Na conjuntura actual constatamos que empresas frágeis são obrigadas a cessar actividade por impossibilidade de cumprimento para com os colaboradores e o Estado.
A responsabilidade social também é para vocês uma área importante. Em que se consubstancia esta preocupação?
A dimensão da empresa, quer no número elevado de clientes, quer no número de colaboradores, coloca-nos sob grande pressão para que tudo corra bem. E correr bem significa clientes muito satisfeitos com o nosso serviço e colaboradores motivados e felizes. A nossa actividade é desenvolvida na indústria de segurança, que é regulamentada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) e por instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho (IRCT). A Securitas assume a responsabilidade pela liderança de processos, no desenvolvimento da indústria da segurança. Uma parte importante deste desenvolvimento é melhorar as normas e as remunerações dentro da indústria, tendo em vista assegurar o acesso ao trabalho qualificado e especializado. Através da cooperação com empresas clientes, organizações do trabalho, sindicatos e autoridades públicas, melhoramos esta indústria e criamos oportunidades para novos serviços e novos mercados. Liderando este desenvolvimento, a Securitas mantém a sua força competitiva e a sua rentabilidade a longo prazo, conseguindo em simultâneo aumentar as competências profissionais dos seus colaboradores através da formação, da melhoria da remuneração e da criação de melhores oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional numa indústria cuja importância nem sempre é reconhecida pelos intervenientes no sector.
É essencialmente uma responsabilidade social a nível interno.
As empresas devem ter uma fortíssima responsabilidade social. Repugna-nos a ideia do incumprimento legal, a coberto de concursos a preços baixos ou outras situações; também nos repugna o desprezo com que muitas empresas não cumprem com as obrigações para com os seus trabalhadores, por exemplo o não pagamento ou os atrasos no pagamento pelo trabalho prestado. Com alguma frequência herdamos situações muito complexas sob o ponto de vista social - como por exemplo a integração de colaboradores de outras empresas, que pura e simplesmente não lhes pagavam os respectivos ordenados nem cumpriam com as respectivas obrigações para com a Segurança Social e o Estado. Tendo por objectivo a elevação dos 'standards' na indústria de segurança e na sociedade, colaboramos com várias entidades para ajudar a elevar a fasquia na área da responsabilidade social. Dentro destas, destaco a colaboração com a Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE).
Os colaboradores reconhecem essa preocupação?
Os colaboradores são o elo fundamental neste processo. Eles são, a par com os clientes, a parte interessada mais importante na nossa política integrada. Fomos pioneiros na nossa indústria, alguns anos atrás, trazendo para o topo das nossas preocupações a ética e a responsabilidade social, a segurança e saúde no trabalho, a redução dos riscos profissionais e a protecção do meio ambiente. Partilhamos estes valores com os nossos colaboradores desde o primeiro dia da formação inicial. Ajudamos muitos colegas a melhorar as suas competências profissionais e escolares. São muitos os colaboradores que concluíram o nono ano, o décimo segundo ano de escolaridade, a formação universitária ou outras especializações no país e no estrangeiro.
Como é ser director de recursos humanos na Securitas?
É particularmente gratificante. A função Recursos Humanos é crítica nesta empresa - cerca de 90% dos nossos custos são relacionados com as pessoas. Sermos bem sucedidos na nossa missão - recrutar os melhores profissionais, reter os bons colaboradores, contribuir para o seu desenvolvimento e a sua formação, assegurar o cumprimento das leis e dos regulamentos aplicáveis, bem como das políticas e dos procedimentos da empresa, tudo isso exige uma actuação muito ágil próxima do terreno, ou seja, junto das filiais e dos colaboradores. Esta é a parte que mais aprecio no meu trabalho. Felizmente que a parte administrativa e burocrática da gestão de recursos humanos tem dado lugar ao desenvolvimento do potencial humano interno. Orgulhamo-nos de a maioria dos quadros da empresa provirem do interior da mesma. Estou convencido de que temos os melhores recursos humanos da indústria de segurança. Não somos nós a dizê-lo, são os nossos clientes, e também os colaboradores através do 'survey' interno que a casa-mãe sueca leva a cabo directamente com eles, de dois em dois anos.

12/07/10





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