Entrevistas
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Afonso Batista
O recrutamento e a selecção de pessoas em 2010

A entrada de pessoas nas empresas neste novo ano, ainda com os ventos da crise bem presentes. O líder de um grupo empresarial de recursos humanos, Afonso Batista, perspectiva o que poderá acontecer.

Por António Manuel Venda

Quais os sectores em que poderá haver maior actividade em termos de recrutamento e selecção de pessoas para as empresas, neste ano de 2010?
Haverá um aumento significativo de novas oportunidades nas áreas de tecnologias, saúde, turismo e energias. Nestas áreas vão-se marcar todas as novas tendências e os seus profissionais irão beneficiar de crescimento a nível de carreira, assim como as empresas irão beneficiar do crescimento destes mercados. É também importante observar em que zonas geográficas é que estes sectores irão crescer, pondo em causa a possível deslocalização, tanto de candidatos como empresas, para mercados emergentes, como é o caso de Angola, onde a Msearch está presente através do Grupo Multipessoal. Apesar de já se terem deslocado várias empresas e pessoas para esta zona, continua a haver necessidades locais e espaço para entrar neste mercado.
Que áreas, nas empresas, serão as mais privilegiadas em termos de contratações?
Em Portugal os sectores da s aúde, da educação, das novas tecnologias e do turismo são os do futuro. É fácil perceber que com a evolução da medicina as pessoas terão mais longevidade, e associado a este facto coloca-se a questão da qualidade que pode estar associada a esta mesma melhoria de condições de vida; promovendo maiores recursos há saúde, áreas de lazer e entretenimento. Por isso mesmo serão sectores de oportunidades efectivas, tanto para quem terá que escolher uma formação superior como para o elevado número de técnicos especializados e mesmo colaboradores de baixa qualificação.
Quais as competências que deverão ser mais valorizadas?
Mais do que a formação académica, como um conjunto de dados teóricos que podem auxiliar o colaborador a absorver informação ao longo do seu percurso profissional, existem outros atributos, como as competências, que são cada vez mais valorizados pelas empresas. Na prática, características pessoais como empreendedorismo, criatividade, visão, adaptabilidade, resiliência e polivalência são parâmetros determinantes na validação de um candidato por parte de um empregador. Mais do que as competências técnicas, a maioria das empresas valorizam um conjunto de características pessoais que permitam ao candidato aprender e reaprender funções, mudar procedimentos de forma a torná-lo preparado para as constantes mudanças e evoluções do mercado bem como das próprias empresas.
Como poderá ser feito o balanço entre qualificações académicas e experiência?
Quando pensamos nas garantias que o curso superior poderá dar a nível de futuro, chegamos à conclusão de que actualmente esta já não é uma ferramenta que assegure empregabilidade ou mesmo carreira/ projectos. As questões da formação associadas às competências pessoais dos candidatos é o que determinam a maior ou a menor competitividade de um candidato face ao mercado de trabalho. No mercado nacional verificar-se-ão algumas reestruturações de companhias que podem levar à necessidade de recrutamento de quadros superiores, com experiência e ' know-how' para incorporar valor acrescentado em organizações que podem estar a atravessar momentos conturbados. Contudo, o crescimento de candidatos disponíveis no mercado é mais elevado, por força da actual crise. Esses serão os casos em que a experiência efectiva e o conhecimento de determinados sectores de actividade podem fazer realmente a diferença.
Como perspectiva a integração de jovens nas empresas, nomeadamente através de programas de estágios, apoios do Estado ou protocolos entre empresas e universidades?
No actual contexto, fortemente marcado pelo desemprego, assume particular acuidade a falta de perspectivas para os jovens à procura do primeiro emprego. As empresas, pressionadas por uma crise económica de graves proporções, reduzem os recrutamentos, optam pelo recurso a trabalho eventual e para o preenchimento de funções-chave preferem, naturalmente, pessoas com experiência e maturidade pessoal e profissional.
Como inserir então os jovens que chegam ao mercado de trabalho?
Em muitos casos esses jovens são portadores de bons currículos académicos, mas com pouca ou nula experiência de trabalho. Uma das soluções passa, obviamente, por estágios de inserção na vida activa. Todavia, essa solução implica promover e adoptar uma política concreta de estágios a estabelecer entre as escolas, as empresas e os estagiários, através de protocolos bem elaborados onde fiquem claramente definidas as expectativas e as responsabilidades de todas as partes envolvidas. No Grupo Multipessoal, somos contra a utilização de estagiários como recurso a mão-de-obra barata, não lhes dando perspectivas nem enquadramento empresarial adequado, bem como somos contra a incapacidade de muitos estagiários revelarem interesse, motivação e vontade de aprender e se integrarem na vida da respectiva empresa.
No caso particular do Estado, que papel poderá este desempenhar?
Admitindo que o Estado não tem que se envolver e resolver todos os problemas, mas porque o da criação de projectos de emprego para jovens no início da vida profissional activa assume uma importância fundamental, deveria coordenar esforços e políticas, nomeadamente junto das associações empresariais, das escolas e de diferentes organismos. Isto para que se promovesse uma efectiva política de estágios com um objectivo claramente definido: bem preparar a entrada nas empresas de jovens com talento, expectativas e vontade de serem um activo importante na criação de valor, tanto para essas mesmas empresas como para as suas carreiras futuras.

29/01/10





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