Entrevistas
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Doralicio Siqueira Filho
Um encontro RH com mais de três décadas de história

Realiza-se de 19 a 21 de Maio, na cidade de Gramado, no Brasil. É a edição de 2010 do «Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos» (ESARH), que tem com o tema genérico «A integração entre gerações no mundo corporativo». Com mais de três décadas de história, é um evento marcante na América Latina, nomeadamente para os profissionais da gestão de recursos humanos. É aqui apresentado pelo coordenador geral da Comissão Organizadora, Doralicio Siqueira Filho, que aproveita para lançar o convite aos gestores de pessoas de Portugal para também estarem presentes.

Por António Manuel Venda

Quais são os aspectos que destaca no ESARH?
O foco do ESARH, que acontece há 34 anos, é  gestão de pessoas envolvendo toda a análise e todo o planeamento da acção humana no mundo organizacional, abordando temas que contribuem para o entendimento do nosso papel como autores significativos na história das organizações. É um evento destinado a todas  as pessoas que gravitam no complexo mundo das relações laborais, tornando-se um espaço especial para a partilha e a construção de conhecimentos. O ESARH integrou ao longo deste período de tempo cerca de 25.000 participantes de diferentes recantos do Brasil e das Américas, e caracteriza-se como o evento mais latino-americano da gestão de pessoas. Diferencia-se por ter sido o primeiro no continente que contemplou simultaneamente a aprendizagem cognitiva e a emocional, além disso no seu 'design' são projectadas dezenas de 'workshops' vivenciais, há as conferências magnas interactivas e ainda 'talk shows', gerando espaços para potencializar a aprendizagem e integrar diferentes culturas. O êxito e o reconhecimento Internacional alcançado pelo ESARH resultam da forte pesquisa para a  concepção temática, buscando respostas às necessidades organizacionais de cada época. E também da identificação de 'experts' e mestres nacionais e internacionais com amplo domínio de conhecimento, sabedoria e mestria prática para coordenar  os temas definidos. Isto, é claro, além de haver formas diferenciadas de aprendizagem para grandes plateias - em média de 800 a 1.000 participantes - e de se propiciar uma ampla integração e a partilha  de conhecimento entre os conferencistas e os participantes, cuidando-se ainda de estabelecer uma ampla rede de relacionamentos entre os próprios congressistas, via 'web' e via actividades socioculturais.
Que percurso tem sido feito por este evento ao longo das suas várias edições?
O percurso iniciou-se no sul do Brasil, como um evento nacional. Houve edições no estado da Bahia e no Rio de Janeiro e em São Paulo. Finalmente, a partir de 1994, o ESARH solidificou a sua sede na bela e tranquila cidade de Gramado, um pólo turístico localizado na Serra do Rio Grande do Sul, onde acontecem edições a cada dois anos. Neste período, o ESARH tem sido realizado em parceria com instituições bem expressivas no Brasil, como a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e  a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD).
Os eventos ligados a recursos humanos são muito participados no Brasil, e em geral na América do Sul, ao contrário do que acontece por vezes na Europa. Por que é que os temas de recursos humanos atraem tantas atenções aí?
Estes eventos conseguem um alto número de participantes no Brasil porque a área é considerada há alguns anos como  fundamental para a sobrevivência e a evolução das organizações de trabalho. Creio que é importante realçar que a evolução da gestão de pessoas no Brasil alcançou um nível de aperfeiçoamento que é pouco encontrado em países considerados como do primeiro mundo. Também é importante realçar que os presidentes e os principais dirigentes de empresas têm prestigiado os eventos de recursos humanos, como palestrantes, ou integrando painéis de debate ou mesmo como participantes. No próprio ESARH realizamos há poucos anos, em paralelo, um fórum de presidentes de empresas, cujos resultados muito enriqueceram os nossos debates.
No caso do ESARH, quais os temas, dentro da área de recursos humanos, que mais procuram discutir?
Os temas que têm sido mais focados no ESARH transcendem a área de recursos humanos e buscam sempre aquilo que mais é exigido para a potencialização das pessoas e o desenvolvimento organizacional. Como exemplo, refiro os temas das três últimas edições: « O poder das relações na gestão da performance / gestão sustentável», «Liderando competências humanas e organizacionais» e « O valor da diversidade na excelência organizacional». Na continuidade, a edição de 2010 terá como foco o tema «A integração entre gerações no mundo corporativo».
Esses são os temas que mais preocupam as empresas, por exemplo, no Brasil?
Posso reafirmar que durante um ano pesquisamos as tendências mundiais, visando identificar o que realmente preocupa os dirigentes das empresas e os gestores de recursos humanos e de desenvolvimento. Isto para lançar temáticas voltadas para o futuro e dessa maneira objectivar  contribuições significativas para a satisfação das necessidades organizacionais.
Como vê a gestão das pessoas, em termos gerais, no Brasil?
Vejo os responsáveis pela  gestão de pessoas muito preocupados e comprometidos em envolver-se nos negócios das organizações, saindo de uma posição relativa para uma verdadeira pro-actividade. Não só focando-se internamente nas empresas, mas também com forte acção para  os clientes e o próprio cenário das comunidades em que estão envolvidos. Sem falsa modéstia ou bairrismo, posso assegurar  a partir do mundo que consigo alcançar que a gestão de pessoas no Brasil se encontra no mais alto nível.
Essa gestão distingue-se de alguma forma da que é feita nos países de língua espanhola do vosso continente?
Seguramente, na actualidade, o Brasil é a referência em termos de desenvolvimento da área de gestão de pessoas neste continente. A maioria dos países que conheço ou que enviam delegações ao ESARH e a outros encontros brasileiros fazem-no porque percebem essa diferença qualitativa.
E em relação a Portugal, qual a sua sensibilidade em relação à forma como são vistas por cá as questões ligadas à gestão das pessoas nas organizações?
Confesso que não tenho condições para fazer uma comparação com Portugal, por falta de vivência específica. Mas já trabalhei em Espanha e noutros países de ponta no continente europeu e posso afirmar que somos menos dependentes de lideranças e mais abertos em termos de caminhos para a potencialização das pessoas. Hoje  no Brasil investe-se muito em desenvolvimento, não só de líderes mas de todos os funcionários na maioria das empresas e inclusive nas instituições públicas.
Uma profissional de recursos humanos brasileira, que está ligada ao ESARH - Denize Athayde Dutra -, publicou em tempo em Portugal uma crónica chamada «O jeitinho brasileiro na gestão das pessoas». Como comenta esta expressão?
Bem, quanto à Denize, que neste ano coordena a concepção temática do ESARH,  creio que ao referir-se ao «jeitinho brasileiro» deve estar a basear-se na forma flexível e nas maneiras de improvisação que são características não só de gestores mas também de outros  coordenadores e supervisores que actuam na área e que não ficam presos a formalismos; bem pelo contrário, tentam soluções usando a criatividade, que aliás é uma característica do povo brasileiro.
Voltando ao ESARH, o que pode um profissional de recursos humanos esperar do evento, nomeadamente um profissional do Brasil ou até de outros países da América Latina?
Os profissionais do Brasil e os latinos que estão a inscrever-se no ESARH certamente que encontrarão um evento muito dinâmico. O evento tem mais de 60 actividades, nomeadamente 'workshops', oficinas vivenciais, 'talk shows', conferências interactivas e muita integração e oportunidade de trocas com gente qualificada e de culturas distintas. Além de uma temática que busca não só identificar as diferenças de expectativas e actuações das quatro gerações que convivem no mundo organizacional, mas  ao mesmo tempo propiciar aos participantes um olhar transdisciplinar na busca de sinergias entre as gerações e,  principalmente, identificar como cada geração pode potencializar as outras, num verdadeiro processo de ajuda mútua que contribuirá para gerar muitas sinergias e certamente melhores resultados. Para orquestrar estes e outros objectivos, teremos mais de 50 conferencistas, brasileiros e internacionais, que certamente transportarão para o ESARH muito conhecimento e inovação. Teremos ainda para partilhar com os nossos participantes uma verdadeira interacção com representantes da geração Y, pois acontece em paralelo com o evento o «Fórum Brasil de Trainees, Estagiários e Empreendedores».
E um profissional de recursos humanos de Portugal, que expectativas pode ter em relação ao ESARH?
Os profissionais de recursos humanos de Portugal terão acesso a todas as possibilidades citadas, além da vantagem do idioma, visto que a maioria dos 'speakers' são de língua portuguesa. Ocorre também, em paralelo, uma «Expo» com expositores de produtos e serviços  dedicados a área da gestão de pessoas. E tenho a certeza de que os portugueses ficarão muito felizes com a hospitalidade e o cuidado que o povo de Gramado dispensa aos estrangeiros e também com o especial cuidado que a Comissão Organizadora dedica aos participantes, especialmente os que viajam de longe. Além de que Gramado tem uma excelente hotelaria, uma culinária especial e uma enorme cortesia.

22/02/10





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