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Como vêem no nosso país as práticas de 'coaching'?
[JAC] Portugal despertou para o 'coaching', profissionalmente e com dimensão qualitativa, há relativamente pouco tempo - cerca de quatro anos. Neste momento em Portugal o 'coaching' está na moda e em franco desenvolvimento. Por estes motivos, o conceito de 'coaching' ainda tem significados diferentes para muitas pessoas, favorecendo que o mesmo seja aplicado a práticas profissionais também elas muito distintas, sendo que algumas das quais nada têm a ver com 'coaching'. Para outros, a palavra 'coaching' revelou-se como uma excelente oportunidade de darem um 'refreshment' à divulgação das suas ofertas no mercado, nomeadamente nas áreas da formação e da consultadoria, entre outras, sem que a essência das mesmas fosse realmente alterada. Estamos convictos de que este facto se deve, antes do mais, a um efectivo e ainda muito generalizado desconhecimento do real significado do 'coaching'. Este é um dos principais motivos pelos quais estamos, desde há vários anos, totalmente apostados na promoção do esclarecimento do conceito. Esta confusão ocorreu já há alguns anos em muitos outros países, como por exemplo na nossa vizinha Espanha, dando origem a muita confusão, com reflexos negativos não só na coesão dos profissionais do sector mas também na descredibilização da actividade pelo próprio mercado. Um bom esclarecimento de todos promoverá o crescimento da exigência dos clientes, reflectindo-se na qualidade das práticas de 'coaching'. Por outro lado, somos da opinião de que a partilha de experiências e o debate entre 'coaches' é fundamental, não só para se criar massa crítica no mercado mas também para alargar o número de 'coaches' que defendem e praticam um paradigma de 'coaching' credível e eficaz. Temo-nos empenhado fortemente na dinamização do 'coaching' não só em Portugal mas também a nível internacional, nomeadamente da International Coaching Federation (ICF) em Portugal - porque nos identificamos com o seu paradigma de 'coaching' e também porque sabemos que sendo esta a maior estrutura de associativismo em 'coaching' a nível mundial proporciona enormes oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento e certificação aos seus associados. Por outro lado, reconhecemos a importância de estarmos em estreita sintonia com os profissionais da nossa vizinha Espanha, pelo que com eles somos membros-fundadores e dirigentes da Associação Iberoamericana de Coaching (AIC), entre outras.
Que comparações se poderão fazer com as melhores práticas a nível internacional?
[ATP] Consideramos, acima de tudo, que se trata de uma questão de diferença de escala. Há em Portugal práticas de 'coaching' ao nível do que de melhor se faz pelo mundo. No entanto, são ainda poucos os profissionais portugueses a este nível. Apesar da formação em 'coaching' ser indispensável, não basta ter-se frequentado formação e deter-se certificações em 'coaching'. Antes do mais, um 'coach' de excelência é alguém com muita maturidade, bom senso, sensibilidade, positividade, experiência de vida, que gosta de genuinamente de pessoas e de as ver brilhar. A um 'coach' executivo é exigida também uma grande compreensão do contexto empresarial e de mercado. Estamos satisfeitos por vermos, por exemplo nos congressos da ICF onde sempre participamos, a importância crescente daquilo que sempre defendemos: a importância da experiência profissional do 'coach' em diversificados contextos empresariais. Um 'coach' com estas características é muito mais competente na colocação de «perguntas poderosas» - a ferramenta por excelência do 'coaching'.
Que contributos julgam conseguir trazer para esta área, sobretudo em Portugal, com o livro «Ferramentas de Coaching»?
[JAC] Esperamos, acima de tudo, que o livro se constitua como um fórum de partilha e de desenvolvimento de competências em 'coaching', contribuindo para a excelência do 'coaching' a nível nacional e internacional. Acreditamos que a excelência nunca acontece por acaso e que o desenvolvimento pessoal e profissional é conseguido em co-criação com os outros. O conceito de co-criação com os leitores, em que o livro assenta, materializa-se através de um 'website', especialmente concebido para acolher os contributos sobre cada uma das ferramentas, ou sugestões de outras, que nos comprometemos a ter em consideração na revisão da edição seguinte. E porque gostamos de tirar partido das mais recentes potencialidades das tecnologias, este é o primeiro livro português a incluir o «QR Code», uma espécie de código de barras destinado a ser interpretado por telemóvel, dando acesso de imediato a um 'micro-site' especialmente preparado para telemóvel.
O que é que está na base do livro e como é que depois chegaram ao que agora apresentam?
[ATP] O livro foi criado a partir da constatação de que não existia, a nível mundial, um livro de 'coaching' que reunisse um conjunto diversificado de ferramentas de 'coaching', de diferentes orientações e «escolas». Por outro lado, também nós fizemos questão de partilhar com o mercado várias ferramentas da nossa autoria, as quais desenvolvemos durante as práticas de 'coaching' que levámos a cabo com decisores e profissionais dos mais diversificados ramos de actividade, em Portugal e no estrangeiro. Temos consciência de que este livro só foi possível porque temos já hoje uma bagagem e uma visão muito abrangentes do 'coaching', a par de um número elevadíssimo de horas de 'coaching' executivo e corporativo, 'coaching' comercial, 'coaching' de liderança, 'team coaching', etc. Por outro lado, sentimo-nos extremamente motivados pelo facto de constatarmos que temos uma caminhada ilimitada pela frente ao nível do nosso próprio desenvolvimento e da nossa própria aprendizagem, e queremos fazê-la em co-criação com o mercado.
Que expectativas têm em termos de acolhimento do livro, quer pelos profissionais ligados às empresas, em geral, quer mais especificamente pelos profissionais de 'coaching'?
[JAC] O acolhimento do livro já excedeu as nossas melhores expectativas, o que é sempre uma agradável surpresa. Foi oficialmente lançado nas livrarias portuguesas na segunda semana de Dezembro, no entanto, desde há vários meses, ainda durante a sua escrita, fomos tendo convites de várias editoras brasileiras para o publicarem, o mesmo acontecendo em Espanha. No início do passado mês de Dezembro, na «Annual International Conference 2009», da ICF, onde participam profissionais e autores de livros de 'coaching' de todo o mundo, fizemos a primeira apresentação internacional do livro e obtivemos de imediato pedidos para que o livro fosse traduzido para inglês e francês. Sabemos que a nossa editora, a Lidel, já está em negociações internacionais para o efeito. Em relação aos profissionais de 'coaching' portugueses, já recebemos 'feedbacks' muito positivos, não só devido ao facto de ser o primeiro livro a reunir um número tão alargado de ferramentas mas também em relação ao facto de o livro ser útil para a prática do 'coaching'. No entanto, acima de tudo o que esperamos é que a comunidade portuguesa de 'coaches' se envolva na sua co-criação contínua, tornando-o cada vez mais rico, mais abrangente e mais útil ao mercado.
Têm alguma explicação para o facto de o 'coaching' nos últimos anos ter registado em Portugal uma significativa notoriedade?
[ATP] A notoriedade crescente do 'coaching' em Portugal deve-se a dois factores principais. Em primeiro lugar, os modelos tradicionais de qualificação dos recursos humanos, como por exemplo a formação, já não serem suficientes para dar resposta às novas exigências de desenvolvimento dos talentos e da performance dos decisores. O mercado está altamente imprevisível, competitivo e acelerado. Este tipo de contexto exige processos que, em vez de fornecerem respostas e indicarem o caminho, sejam capazes de ajudar cada pessoa a tomar consciência de onde está, decidir onde quer chegar e como vai lá chegar, potenciando ao máximo as suas capacidades. Este processo é equivalente para equipas empresariais em 'team coaching'. Em segundo lugar, como já referimos, a palavra 'coaching' trouxe alguma novidade ao mercado, sendo acolhida com entusiasmo por vários operadores no campo dos recursos humanos, e entrou na moda.
O que é na verdade o 'coaching'? E de que forma pode ser útil não só a quem trabalha nas empresas, mas à generalidade das pessoas?
[JAC] Nas suas várias formas, o 'coaching' é um poderoso processo de desenvolvimento pessoal e profissional, que se opera através de um processo de co-criação de novas possibilidades. Como gostamos de dizer na nossa empresa, 'achieving the best of you'. Tal como consta do referencial da ICF, com o qual nos identificamos - «O 'coaching' é uma relação permanentemente focada nos clientes e na sua tomada de medidas no sentido da realização dos seus sonhos, metas ou desejos. Este processo utiliza um processo de inquérito e de descoberta pessoal, por forma a construir no cliente um nível de consciência e de responsabilidade, proporcionando-lhe uma estrutura de apoio e de 'feedback'.» O 'coaching' diferencia-se da formação porque é o cliente quem define aquilo que quer trabalhar e os objectivos que quer atingir. O 'coaching' diferencia-se da consultoria porque não é função do 'coach' dar recomendações sobre a melhor forma de resolver as situações. O 'coaching' diferencia-se da terapia porque o seu principal objectivo não é resolver problemas psicológicos ou relacionais, mas sim potenciar a excelência. O 'coaching' foca-se no futuro promovendo a autonomia.
Por exemplo, se especificarmos, como pode o 'coaching' ajudar um gestor de topo, um político ou uma estrela do mundo do espectáculo ou do desporto?
[ATP] Não foi por acaso que o 'coaching' teve grande parte da sua origem, e do seu desenvolvimento, junto de gestores de topo, nos Estados Unidos. De facto, quanto maiores forem a visibilidade, a responsabilidade na tomada de decisões, as solicitações diversificadas e complexas a que permanentemente se está sujeito, o número e a diversidade de pessoas que se lidera ou com quem se lida, mais importante é ter um 'coach'. Nestes casos, o 'coach' é, regra geral, uma pessoa externa à empresa, que tem a vantagem de possuir um olhar neutro. Esse 'coach' é a pessoa com quem se pode partilhar o que se está a sentir, que desafia, que ajuda a clarificar aquilo que verdadeiramente se quer alcançar e a identificar as alternativas para o fazer, que reforça a responsabilização. O processo de 'coaching' ajuda os clientes a definir e a atingir os seus objectivos pessoais e profissionais de uma forma mais rápida, e com uma facilidade que seria impossível de outra forma.
Particularizando o caso do desporto. Como vêem esse mundo e os ensinamentos que muitas vezes aí se vai buscar para a gestão das empresas? E que contributos podem daí advir para o 'coaching' a executivos, por exemplo?
[JAC] Muita gente quando pensa em 'coaches' pensa em treinadores do desporto. No nosso país consideramos que essa perspectiva do 'coaching' foi reforçada pelo facto de o treinador de futebol José Mourinho ter estado muito tempo a treinar uma equipa inglesa e os 'media' se terem referido com grande frequência ao 'coach' Mourinho. Muita gente desconhece que a palavra 'coach' em inglês significa não só «treinador» mas também «carruagem» ou «autocarro». Sem prejuízo do facto de o conceito de 'coaching' a que nos referimos significar «carruagem» - um facilitador que ajuda outro de forma voluntária a ir de um ponto a outro - e não «treinador», o mundo do desporto tem, naturalmente, muitos paralelismos e ensinamentos para a gestão das empresas que um 'coach' executivo deve compreender e saber estimular o seu cliente a potenciar. Trabalho de equipa, liderança, objectivos claros, organização, resiliência, treino, esforço, auto-motivação, dedicação, atitude positiva, tomada de decisão, meritocracia, avaliação e resultados são, entre outros, alguns desses conceitos presentes quer no desporto, quer nas empresas.
Na vossa actuação como profissionais de 'coaching', que aspectos são de destacar? E como estão esses aspectos reflectidos no livro?
[ATP] A principal questão que está presente na nossa actuação como profissionais de 'coaching', que sempre realçamos e está claramente explicitada no livro, é a convicção e a consciência que temos de que o 'coach' é, ele próprio, a sua melhor ferramenta de 'coaching'. Isso significa que o 'coach' tem, antes de mais, que dominar um conjunto de ferramentas internas, que exigem um grande auto-conhecimento, grande auto-motivação e uma aposta constante na sua evolução como pessoa e como profissional, que lhe permitem um relacionamento equilibrado consigo próprio e com os outros. Por outro lado, a experiência mostra-nos a importância de saber compreender o contexto do cliente para um adequado enquadramento de tudo o que é dito e não dito. Foi nosso objectivo ir mencionando estes aspectos ao longo de todo o livro, não só no momento em que falamos sobre a nossa visão do 'coaching' mas também nos comentários sobre as várias ferramentas.
Como podem ser aplicadas as ferramentas de 'coaching' que apresentam no livro, e como é que vocês próprios as aplicam no vosso trabalho, na vossa vida inclusive?
[JAC] As ferramentas de 'coaching' devem ser utilizadas à medida que se vão revelando pertinentes num processo de 'coaching'. Um 'coach' maduro não tem receitas e não depende de ferramentas externas - por exemplo, aplicações de questionários, 'assessments', etc. Por outro lado, um verdadeiro 'coach' profissional é alguém que, para além da experiência humana e profissional que possui, já investiu, e continua a investir permanentemente, na sua formação em 'coaching'. O que é mais fascinante no 'coaching' é que este é um processo transversal a todas as áreas da nossa vida, e onde a competência de 'coaching' mais se manifesta é na capacidade que adquirimos de colocar perguntas poderosas, independentemente do contexto em que nos encontramos. Tanto nos encontremos no papel de pais, como de líderes de uma equipa, como de amigos, como de conjugues, esta competência traz-nos muito valor acrescentado.
Que projectos têm para o futuro, em termos da área do 'coaching' e da sua divulgação?
[ATP] Temos inúmeros projectos. Acima de tudo, iremos continuar a fomentar a afirmação, a consolidação e o prestígio do 'coaching' executivo em Portugal e no contexto ibero-americano. Para tal, pretendemos continuar a participar activamente nos contextos associativos em que já nos encontramos - por exemplo, o 'chapter' português da ICF, 'committees' internacionais da ICF, a AIC, o EMCC - European Mentoring & Coaching Council e a ASESCO - Asociación Española de Coaching. E iremos continuar a partilhar com a comunidade portuguesa de 'coaches' as nossas experiências, reflexões e investigações, continuar a liderar o 'coaching' comercial não só em termos nacionais mas desde logo a nível ibérico, através do nosso foco contínuo nessa área, e na constituição de uma equipa de 'coaches' comerciais de referência. E também continuar a oferecer ao mercado projectos de 'coaching' executivo e de liderança totalmente customizados e diferenciadores pelos resultados que os mesmos são capazes de produzir, além de continuarmos a apostar no nosso desenvolvimento em contexto internacional, participando em todos os eventos relevantes onde podemos partilhar com os melhores 'coaches' de todo o mundo. |