Entrevistas
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Fátima Rebelo
Gerir a informação das organizações

Numa altura em que a informação disponível e os meios através dos quais ela é veiculada são cada vez mais e a velocidade a que circula é cada vez maior, saber gerir a informação de forma eficaz é condição imprescindível para que nos possa ser útil. E é isso que faz a Manchete, a gestão da informação das organizações, para que num ambiente de grande imediatismo e mediatismo dos acontecimentos estas possam manter-se competitivas. Fátima Rebelo, ‘managing partner' da empresa, explica como.

Por Ana Leonor Martins

Quando existe e como surgiu a Manchete?
A Manchete foi fundada em Março de 1996 e surgiu devido a uma necessidade clara do mercado nacional, de haver um maior acompanhamento da informação das organizações. Hoje é a maior empresa portuguesa de gestão de informação, com 14 anos de história e mais de 250 clientes. Apresenta um volume de negócios crescente ao longo dos anos e faz parte das principais associações internacionais, sendo a primeira empresa portuguesa a alcançar o estatuto de Premier Partner da Society of Competitive Intelligence Professionals (SCIP).
Como eram a oferta existente nesta área e a resposta do mercado há 14 anos, e como são agora? Como tem sido a evolução?
A Manchete surgiu com uma inovação ao nível da costumização dos serviços, assim como da utilização de novas tecnologias. Criámos o primeiro portal de ‘clipping on-line' em 1997, o «NetPress». Até aí os serviços de recortes de imprensa em Portugal eram fornecidos em fotocópia ou através de envio por linha telefónica. A introdução da Internet como um canal de distribuição de notícias foi totalmente inovadora e implementada no mercado pela Manchete. Relativamente a novas perspectivas para o futuro, iremos até ao fim deste ano – acompanhando as melhores práticas internacionais – deixar de utilizar o AVE como critério de medição da eficácia das relações públicas, visto ter-se mostrado ao longo dos anos uma métrica não correspondente ao real valor de acções de relações públicas.
Em que é que consiste o dia-a-dia de uma empresa de gestão da informação?
O dia começa de madrugada para garantir a disponibilização do ‘clipping' diário o mais cedo possível. Estamos divididos em diversas equipas, sendo que o processo de produção passa pela digitalização da imprensa diária e depois pela análise dessa mesma informação, extraindo o que de relevante exista para os nossos clientes. Posteriormente existe elaboração de sumários executivos e relatórios de análise mediática, de reputação e inteligência competitiva. Nós, tal como os ‘media', não temos feriados nem férias. Funcionamos 24 horas, sete dias e nos 365 dias do ano. Tudo tem de estar bem alinhado com os objectivos dos clientes. Não pode haver falhas, nem humanas nem tecnológicas. Encontramos também durante o dia alguns momentos de lazer, e temos uma rede social interna, onde não se fala de trabalho. Somos uma equipa muito jovem e dinâmica e preservamos um ambiente de trabalho informal e bem-disposto.
Como é que é feita a gestão da informação? Ou seja, como se asseguram que nenhuma informação vos escapa?
Ao longo dos anos temos feito um grande investimento quer em tecnologia, quer em recursos humanos para assegurar este fim. Neste momento, os analistas da Manchete têm várias ferramentas de apoio ao seu trabalho diário, desde o ‘software' de análise de ‘media' até ao processo de controlo de qualidade anterior à informação ser disponibilizada aos clientes.
Quantas pessoas compõem a equipa da Manchete e por que áreas se distribuem?
São cerca de 60 pessoas, distribuídas pelas três áreas de negócio: Media, Reputation e Intelligence. O grosso dos recursos humanos encontra-se na área de Media, mas também devido à nossa forte componente de inovação temos uma larga equipa de tecnologias de informação (TI) que se concentra no desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas, antecipando as exigências do mercado.
O que é que caracteriza essas diferentes áreas de actuação da empresa?
Na área de Media reside todo o tratamento da informação em termos de recolha e classificação da mesma, de acordo com os parâmetros definidos pelos clientes. A área de Reputação debruça-se sobre o impacto que a informação tem sobre os públicos-alvo, fazendo-se uma análise qualitativa e quantitativa da mesma. Através de métricas pré-definidas, procura-se avaliar o impacto das relações públicas e da sua acção. A área de Intelligence dedica-se essencialmente à procura de sinais que permitam antecipar crises e oportunidades para as organizações. Olhamos para a informação já não com o objectivo de medir o impacto passado mas com o objectivo de antecipar cenários futuros. Chamamos a este processo SEW – Strategic Early Warning. Focando a nossa atenção num mercado, numa marca ou numa questão específica, cruzamos toda a informação disponível de forma a apresentarmos ao cliente conclusões que possam levar a uma tomada de decisão sustentada.
Em que medida pode a área de Reputation ser útil na gestão de recursos humanos de uma empresa?
Um dos vectores de qualquer estudo de análise de reputação é precisamente os recursos humanos. Logo, uma análise reputacional terá de ter em conta a forma como a organização se relaciona com os seus recursos humanos e vice-versa.
De forma mais genérica, o que têm as empresas a ganhar em recorrer a uma empresa de gestão da informação? E qual a importância que isso pode assumir para a sua actividade?
Competitividade, claramente. Com a globalização da informação e o imediatismo e o mediatismo dos acontecimentos torna-se fundamental que qualquer empresa esteja atenta ao seu ambiente competitivo. Já não é suficiente ler os jornais. É necessário ver televisão, ouvir rádio, ler ‘blogs', redes sociais etc. E uma integração e uma gestão eficaz de toda a informação que é disseminada a cada minuto.
Acha que os empresários portugueses estão sensibilizados para isso?
Cada vez mais os empresários sabem que precisam de gerir a informação com inteligência e de forma eficaz. Já não se trata de ter acesso à informação, trata-se de filtrar a informação em excesso. O paradigma nesse campo alterou-se muito nos últimos anos.
As vossas áreas de actuação deverão exigir competências diferentes ao nível dos recursos humanos. Que características privilegiam nos candidatos quando estão a recrutar?
Funções diferentes exigem, naturalmente, competências diferentes. As características comuns que procuramos em todos os candidatos são a flexibilidade intelectual e de raciocínio, a curiosidade inata e o gosto por informação. Tudo o resto depende da função.
E quais as vossas principais preocupações ao nível da gestão de recursos humanos?
Há uma grande preocupação de bem-estar e estabilidade, quer ao nível dos vínculos, quer ao nível das próprias instalações. Estamos no centro da cidade de Lisboa, numa zona bem servida pela rede de transportes públicos, e fazemos questão de ter vínculos laborais estáveis com os colaboradores. Na empresa há uma cultura de informalidade, que promovemos. Outro aspecto relevante é a conciliação entre o trabalho e a vida familiar. Iniciámos há alguns anos um programa de teletrabalho para os colaboradores que, estando na Manchete há vários anos, têm necessidade de trabalhar a partir de casa para providenciar melhor assistência à família. É um programa que tem estado a correr muito bem e que funciona como um prémio de fidelidade dos nossos colaboradores mais dedicados e que partilham connosco uma ligação laboral mais longa.
Voltando à gestão da informação… Em que sentido acha que se vai evoluir, sabendo-se que a informação disponível e os meios através dos quais ela é veiculada são cada vez mais e a velocidade a que circula cada vez maior?
Tal como referi, não tenho dúvidas de que a questão que se coloca hoje e num futuro próximo é a questão do filtro da informação. Como ter acesso à informação que realmente interessa e apenas a essa. Esse é o desafio. Conseguir extrair conhecimento da informação e transformar esse conhecimento em suporte para as decisões críticas do negócio.

10/08/10





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