Uma nova filosofia de trabalho, capaz de ajudar, e muito, na produtividade. Com espaços abertos, zonas de estar, salas criativas e tantas outras possibilidades que concorrem para o bem-estar das pessoas nas organizações.
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Ao falar da influência crescente que a eficiência laboral assumiu nas tendências que guiam as equipas de arquitectura interior quando projectam um espaço de trabalho, importa igualmente referir a evolução das metodologias, da tecnologia e dos conceitos de produtividade que sofreram grandes transformações nos últimos 20 anos. Ao olharmos para a tipologia de postos de trabalho nos anos 90 do século passado, na entrada do novo milénio e na nova década, encontramos registos significativos das alterações verificadas, que não são mais do que uma tradução da evolução conceptual do trabalho e da forma de o executar.
Se é certo que muitas das decisões de mudança ou remodelação nos escritórios encontram explicação nas preocupações por parte das empresas em racionalizar o espaço ocupado, também é certo que nem só de racionalização são feitos os escritórios da actualidade. Preocupações com a produtividade, com o bem-estar dos recursos humanos, com a proximidade e a interacção das equipas foram o principal mote para a mudança radical que hoje vemos nos ambientes empresariais. Espaços abertos, zonas de estar (usualmente designadas por ‘lounge’ e que permitem reuniões informais ou pausas relaxantes), salas criativas (onde é permitido às equipas de investigação e desenvolvimento – I&D –, ‘marketing’, entre outras, uma maior concentração em ambiente que facilite o processo criativo), gabinetes de direcção de dimensões mais reduzidas ou mesmo inexistentes que visam encurtar a discrepância em relação ao espaço utilizado pelos restantes colaboradores, deixam igualmente transparecer esta nova filosofia de trabalho.
É portanto de extrema importância estudar um espaço de trabalho tendo sempre como premissa factores como a criatividade de cada elemento da equipa, a capacidade de concentração e a facilidade de comunicação e interacção. No entanto, este não é um caminho linear para quem projecta espaços. Um ‘open space’ não pode ser estudado deixando de parte zonas de maior privacidade ou de maior tranquilidade para tarefas que assim o exijam. A forma de insonorizar e absorver o ruído é outro factor preponderante que evita a constante quebra de criatividade por desconcentração: o uso de materiais que ajudem a absorver o som – como a alcatifa, um tecto falso microperfurado com telas insonorizadoras, cadeiras e outros elementos em tecido, acabamentos em madeira, entre outros – faz toda a diferença.
No que toca à estética, impera a criação de espaços inspiradores, ou seja, escritórios arejados, com boa luminosidade, zonas de estar e de circulação. Todos nós já ouvimos falar de equipas que trabalham felizes e que atingem uma performance invejável fazendo metade do esforço do que fazem outras que vêem reflectido no seu local de trabalho um modelo sem energia pela falta de renovação, ou até mesmo um espaço em que houve intenção de inovar mas não foram tidas em conta as premissas anteriores. Não há nada pior do que termos de reiniciar constantemente o nosso raciocínio para uma tarefa que requer concentração por interrupções constantes ou por ruído excessivo, que por vezes conduz à sensação de se chegar ao final do dia com a sensação de que não se produziu mais porque o ambiente proporcionado no espaço onde trabalhamos não o permitiu.
Numa época de crise como a que vivemos, com a crescente restrição orçamental dos colaboradores das empresas, a simples criação de um pequeno espaço no local de trabalho onde se possa aquecer as refeições trazidas de casa (mais económicas do que ir almoçar fora) e partilhar momentos agradáveis com os colegas, deve ser vista como um investimento na produtividade dos recursos humanos das empresas (e não como um custo de imobilização de espaço).
Considero portanto que o serviço de arquitectura interior mantém o seu papel de extrema relevância no índice de produtividade das empresas. As transformações que sofreu permitiram chegar a níveis extremamente interessantes de equilíbrio entre a economia de espaço e a interacção das equipas, e o mesmo se pode dizer dos níveis de agradabilidade das pessoas. A diversidade de oferta nos elementos construtivos também ajuda. Não tenho dúvidas de que a produtividade vem muito da vontade e do entusiasmo que colocamos no que fazemos, pelo que o ambiente que nos rodeia deve ser sempre um factor que possa levar a essa vontade e a esse entusiasmo. A construção de ambientes, em particular de trabalho, foi desde sempre muito desafiante; e actualmente esse desafio tem um suporte mais amplo e consistente.
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