Numa altura em que o desemprego é uma palavra recorrente e em que grande parte das licenciaturas não abre portas no mercado de trabalho, existem não licenciados bem remunerados e que trabalham em profissões onde não se fala em desemprego. Canalizador , 'd esigner' de moda, motorista de táxi ou gestor de um pequeno negócio são profissões para as quais um curso superior se revela de pouca relevância. |
Existem áreas de trabalho que precisam de menos qualificações académicas, como corretor de imóveis ou estilista, por exemplo. Aliás, na maior parte das situações um curso é menos importante para um potencial empregador do que a experiência e o sucesso na área para a qual a pessoa se candidata. Um dos trabalhos de maior remuneração é o de controlador aéreo. Entre os cinco mais bem pagos estão também o de canalizador, o de estilista e o de chefe de vendas. Na lista encontramos ainda o gerente de pequenos negócios e o chefe de vendas (embora aqui seja de notar que a área das vendas é bastante variável e está sujeita às «flutuações» do mercado).
Existem depois áreas que vão despontando como fruto da evolução das novas tecnologias e das mudanças verificadas socialmente, como as de energias renováveis, gestão energética dos edifícios, biotecnologia ou geriatria - serão sem dúvida apostas ganhas no futuro e onde já se faz sentir alguma carência de técnicos. O 'site' «Futurist.com» avança com a nanotecnologia e a realidade virtual como áreas potenciais de criação de emprego (o «Second Life» é disso um exemplo).
Todavia, não basta escolhermos a profissão; teremos, isso sim, de estar capacitados e motivados para a mesma, ou seja, sabermos ser e fazer na mesma. Entre optar por um curso superior e podermos escolher uma profissão técnica não superior, compatível com as nossas aptidões e com a preferência vocacional que nos dê perspectivas de um futuro promissor, claramente que a escolha deverá recair na segunda opção (o que não invalida evoluirmos para um curso superior mais tarde ou especializarmo-nos na área de trabalho em questão).
É essencial deixarmos de lado o paradigma social e cultural de que só um curso superior valoriza as pessoas socialmente e trás obrigatoriamente sucesso profissional e financeiro. As evidências e os factos do dia-a-dia têm provado muitas das vezes o contrário. O problema do desemprego estrutural no nosso país poderia ser atenuado se tivéssemos na população cidadãos qualificados com profissões técnicas e detentores de ferramentas-chave de trabalho, capazes de fazerem a diferença no mercado de emprego.
«Não podemos escolher uma moldura para o destino, mas podemos escolher o seu conteúdo.» - Dag Hammarskold, político sueco (1905-1961) |