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O mundo empresarial está revestido de contornos complexos, porque as organizações são na sua essência constituídas por pessoas, com diferentes idiossincrasias, ambições, desejos, motivações, expectativas, ideologias, etc. Motivar pessoas hoje em dia é substancialmente diferente do que era há algumas décadas. As pessoas, de uma forma geral, estão mais ambiciosas e intelectualmente mais capacitadas. Também pelo aumento da esperança média de vida, as pessoas irão viver mais tempo e por conseguinte poderão trabalhar mais anos, dedicando por isso mais tempo às suas carreiras profissionais e às organizações onde trabalham. Não obstante alguns ciclos económicos adversos que invertem estas tendências, a aposta em termos motivacionais faz-se agora nos níveis superiores de Maslow, ao nível de necessidades sociais, de auto-estima e de auto-realização. É inconcebível e paradoxal apostar em competitividade empresarial à custa de políticas de recursos humanos que não tenham em conta o elemento humano como fazendo parte integrante da estratégia das empresas e da sua cultura.
A aposta nesta altura deverá ir sem dúvida para as pessoas, acreditando no seu potencial, valorizando a sua criatividade, fomentando a sua iniciativa, promovendo a criação de laços de confiança duradouros e comprometendo as pessoas com a organização. Estou a falar de retenção de talentos por meio de uma avaliação de competências e de desempenho justa e coerente que possa premiar comportamentos empreendedores e inovadores que de alguma forma irão marcar a diferença na alavancagem das empresas.
E hoje, mais do que nunca e perante esta difícil conjuntura, assinala-se a motivação intrínseca como factor catalisador, na qual o capital humano é cada vez mais mobilizado por benefícios e valores intangíveis, como o sucesso, a competição, a realização pessoal ou a independência, em detrimento dos benefícios materiais ou tangíveis. Aliás, diversos estudos demonstram que o salário só aparece em terceiro lugar como factor motivador, relegando por conseguinte a motivação pelo que é tangível para segundo plano. Por isso é cada vez mais credível e realista a opção pelos benefícios em detrimento dos aumentos salariais. Por exemplo, o reconhecimento e o mérito pessoal terão mais peso na maior parte das situações que um simples aumento de salário. O que é pecuniário é efémero e não motiva a longo prazo. O que é intangível é duradouro, motiva e retém a longo prazo, principalmente os talentos que vêem reconhecido o respectivo potencial.
Também neste âmbito a aposta na formação parece ser outra das valências competitivas e motivadoras, quer facilitando o acesso à formação por parte dos colaboradores, quer apoiando a gestão individual de carreira. O acesso à formação não só é um direito constitucional, como também é dos melhores investimentos que actualmente se pode fazer. Só podemos falar em competências e competitividade se apostarmos no conhecimento, fazendo com que as pessoas possam evoluir ao máximo do seu potencial.
Por outro lado, existem outros factores de suma importância que fazem a diferença na retenção de talentos, tais como a comunicação. A comunicação aberta e transparente aproxima o colaborador das decisões. Muitas vezes, o 'feed-back' atempado e regular, o incentivo e o reconhecimento por parte das chefias constituem por si só um estímulo encorajador e uma força adicional, que motiva o sujeito a dar o melhor de si, comprometendo-se com a organização onde trabalha. A par da comunicação como mecanismo facilitador e mobilizador, hoje em dia a flexibilidade nas organizações e o 'downsizing' acentuado facilitam a mobilidade interna e a polivalência de funções e responsabilidades, permitindo aos colaboradores assumirem diversos papéis.
O capital humano é portador de uma intelectualidade enorme. Só acreditando nas pessoas é que estas podem dar o melhor de si. É disto que as empresas e o país precisa, de pessoas criativas e talentosas, motivadas e com soluções capazes de surpreenderem e de ajudar a combater o sentimento de impotência que se vive actualmente. Isto não se consegue se tivermos pessoas nas empresas com receio, desconfiadas, nas quais não se acredita, sub- capacitadas, exploradas e mal pagas. Se comprometermos as pessoas com as organizações, naturalmente que as motivaremos e por conseguinte mais fácil será a retenção e a fidelização a um projecto, a uma missão e a um conjunto de valores partilhados essenciais para a sobrevivência de uma empresa ou organização. Evita-se também de igual modo a «fuga» massiva de talentos para o estrangeiro e o empobrecimento da economia, pelo não retorno do investimento feito nos nossos talentos. É desta forma que se cria uma imagem interna forte de um país e se reforça o espírito de uma cultura corporativa empresarial sustentável, capaz de enfrentar os desafios e as tormentas que aí se avizinham.
«Se contratar as pessoas certas e lhes der a oportunidade de abrirem as suas asas - e lhes der compensações como combustível -, quase não tem de as gerir.»
( Jack Welch)
«O talento humano de pouco vale se não lhe for dada oportunidade para o demonstrar.»
( José Guerra) |