Desde a revolução industrial que os principais parâmetros para a fixação das empresas foram a localização dos seus principais mercados, o capital, o fácil acesso às matérias-primas, etc. Contudo, hoje em dia este modelo encontra-se prescrito quando nos referimos a empresas tecnológicas.
Uma empresa tecnológica faz uma utilização intensiva do conhecimento e, consequentemente, uma utilização intensiva do trabalho, ou seja, do capital humano. Conceitos como formação e melhoria de processos consomem importantes fatias orçamentais nestas empresas, normalmente superiores às realizadas para aquisição de bens de capital. Apesar de os processos, as metodologias, os sistemas, etc serem funções-chave na competitividade, o capital humano é, sem dúvida, a principal variável de competitividade destas empresas.
De facto, considerando o capital humano como um factor primordial para a localização de uma empresa tecnológica, não devemos apenas pensar nos pontos fundamentais que fazem com que uma cidade seja atractiva para esse tipo de empresas. Devemos também questionar quando é que uma cidade é atractiva para um profissional de tecnologia.
É neste ponto que as cidades devem ter um papel activo, ao quererem mostrar-se como um ponto de referência e de atracção para reterem o talento. Em concreto, os profissionais valorizam a facilidade de acesso a vários benefícios que existem numa cidade. Refiro-me a um ambiente profissional que potencie o seu desenvolvimento, ao ambiente pessoal, aos acessos e à facilidade de mobilidade, ao acesso à habitação e à oferta de lazer e de cultura.
A nível europeu, as cidades de média dimensão estão já a competir com os grandes pólos urbanos, uma vez que se encontram a equilibrar os factores referidos com as vantagens de qualidade de vida que podem oferecer e, sobretudo, ao conseguirem manter os seus jovens talentos nas cidades.
A zona da grande Lisboa está a estabelecer-se como uma cidade que cumpre este modelo, e por este motivo consolida-se como um centro cada vez mais atraente para empresas tecnológicas. A construção de centros de ciência e tecnologia, como o Tagus Park, foi um dos primeiros impulsos neste sentido, a par da aposta das políticas governamentais em inovação e tecnologia, que têm funcionado como um forte impulso e incentivo neste sector. Os programas governamentais no âmbito do Plano Tecnológico e a aposta nas redes de nova geração em fibra óptica são considerados determinantes. O objectivo é que a cidade seja um laboratório vivo para a implantação de tecnologia: aproximando a natureza e a tecnologia.
A eleição de Lisboa para a implantação do d-Core, primeiro centro de desenvolvimento tecnológico da T-Systems e do Grupo Deutsche Telekom, não é casual. Lisboa é o terceiro pólo tecnológico da Península Ibérica, a seguir a Madrid e Barcelona, uma zona com alto nível académico, institucional, de comunicações e mobilidade, por linhas aéreas, auto-estradas, linhas ferroviários, etc.
Tanto para as empresas como para os profissionais, Lisboa encontra-se já com os elementos necessários para manter o seu prestígio de cidade de ponta e afirmar-se a nível europeu como sendo uma referência para as cidades que souberam, sabem e saberão reinventar-se através do tempo. Lisboa é uma aposta segura para as empresas tecnológicas. |