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Os profissionais de recursos humanos vistos por um neuroestratega

E se por uns instantes conseguíssemos olhar para nós próprios como se fôssemos uma terceira pessoa? Se conseguíssemos assim perceber de que forma o nosso comportamento contribui para a concretização dos nossos objectivos e dos da nossa organização? Um modelo construído a partir do contacto com mais de uma centena de responsáveis de recursos humanos.

 

Ao longo dos dois últimos anos, tive a oportunidade de contactar com os responsáveis de recursos humanos de mais de uma centena de empresas, como consultor e formador. Sendo um neuroestratega - alguém focado em propor estratégias mentais que produzem resultados eficientes -, num primeiro contacto com uma organização interesso-me sobretudo pelos meus interlocutores, pelos seus desafios e pelas respectivas visões pessoais. Assim, com o avolumar do número de profissionais de recursos humanos contactados, pude começar a construir uma matriz comportamental que tive já oportunidade de apresentar publicamente. Como todos os modelos, a este escapa também o retrato perfeito da realidade, pois essa mesma realidade é sempre bem mais rica e complexa do que qualquer simplificação.
Ao ler as seguintes descrições, vai naturalmente identificar-se mais com uma ou com outra. Lembre-se de que estas notas foram construídas com base na minha experiência e que a intenção é simplesmente despoletar novas questões dentro de si, para que possa expandir os seus resultados pessoais como profissional de recursos humanos.

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1. O primeiro grupo de profissionais é constituído por pessoas que se dedicam de alma e coração ao respectivo trabalho, trabalham normalmente durante muita horas (10 ou mais por dia), desempenham muitas tarefas e saltam de uma para outra de forma desorganizada, têm desafios claros de planeamento, ligam-se emocionalmente aos colaboradores da empresa e têm dificuldade em desenvolver uma visão geral sobre os recursos humanos da organização. Nas reuniões falam muitas vezes em «fazer coisas diferentes», «mudar a forma como fazemos as coisas» ou «tornar o trabalho mais divertido e menos monótono».
2. O segundo grupo é formado por profissionais altamente focados na carreira e na obtenção de resultados, com objectivos pessoais e organizacionais bem definidos, com uma ligação pouco emocional com os colegas, com uma postura altamente competitiva em relação à indústria em que se inserem e aos colegas de recursos humanos de outras empresas, e têm dificuldade em perceber os seus colegas e em construir equipas sólidas. Utilizam expressões como «sermos os melhores», «aumentar rapidamente os resultados» ou «o importante é fazer rapidamente».
3. O terceiro conjunto é composto por pessoas muito concentrados no estudo e na compreensão do comportamento humano e organizacional, actualizadas em termos teóricos e por dentro das tendências internacionais. Têm dificuldade em ligar-se aos outros e em fazer 'networking', gostam mais de observar e analisar do que de agir e testar, são frequentemente críticos e com bom poder de argumentação, apresentam opiniões sólidas e fundamentadas, adiam decisões e refugiam-se em dúvidas racionais para não agirem agora. São muito frequentes expressões como «temos de estudar este assunto», «vamos fazer um diagnóstico para identificar as necessidades» ou «este pode não ser o momento certo para fazer isso».
4. O quarto grupo é formado por pessoas com altas ligações emocionais aos outros, grande foco na dimensão humana da organização, com um ritmo de trabalho lento e em que o mais importante é ter tempo para estabelecer relações pessoais com os colaboradores. São muito observadoras, defensivas em relação a tudo o que coloque alguém em causa, muito direccionadas para questões relacionadas com valores, com dificuldade em criar processos eficientes e voltados para resultados empresariais, dificuldade em agir e tomar decisões sem pedir primeiro a opinião dos outros. Nas conversas surgem muitas vezes frases como «temos de envolver a equipa», «o mais importante é a forma como as pessoas se sentem» ou «somos como uma família».

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Reviu-se nalgum destes padrões ou achou que personificam pessoas que conhece? Talvez oscile entre dois deles. O mais importante é, por uns instantes, podermos olhar para nós próprios como se fôssemos uma terceira pessoa e percebermos de que forma o nosso comportamento contribui para a concretização dos nossos objectivos e dos da nossa organização. Claro que isto pressupõe que tanto nós como a organização possuímos metas bem definidas. Essa, porém, é outra história...


28/02/10





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