João Lopes
«Vamos continuar a melhorar os indicadores de saúde dos adultos ativos em Portugal.»

Project manager do programa «Empresas + Saudáveis», da QuintilesIMS, João Lopes fala da iniciativa que teve este ano a segunda edição e distinguiu a Philips (considerada a empresa mais saudável), a SRS Advogados e pela McDonald’s, entregando ainda três menções honrosas: «Liderança», à Montiqueijo (empresa com melhor resultado na perceção que os colaboradores têm da sua liderança); «Dedicação», à SRS Advogados (empresa com maior evolução de saúde entre o início e o final do programa); «Prémio Colaborador + Saudável», à Schindler (pela pessoa que registou maior evolução, reduzindo o seu peso em 20 quilogramas e normalizando os níveis de glicémia).

Por António Manuel Venda

 

Que balanço faz da iniciativa ao fim de duas edições?

O balanço é muito positivo. Nestas duas edições do programa «Empresas + Saudáveis» contámos com a adesão de cerca de 20 empresas, as quais participaram com aproximadamente 1.500 colaboradores. Quando analisamos os resultados após o programa, constatamos uma melhoria de saúde significativa, o que reforça a avaliação positiva que fazemos. Entre os indicadores avaliados, e que registaram melhorias assinaláveis, salientamos a redução da pressão arterial, a redução de peso, a normalização dos valores de colesterol e glicemia, a redução dos níveis de stress e o aumento dos níveis de concentração. Acreditamos que o modelo utilizado, com base num acompanhamento personalizado e feito à medida de cada colaborador, contribui para uma melhoria efetiva dos indicadores de saúde, tanto ao nível clínico como ao nível psicossocial, promovendo uma melhoria da qualidade de vida e do bem-estar.

Como podem as empresas retirar benefícios da participação na iniciativa?

O primeiro benefício a salientar será ao nível da melhoria dos indicadores de saúde dos colaboradores. Adicionalmente, a divulgação da participação da empresa no programa «Empresas + Saudáveis» acrescenta valor no espectro de recursos humanos, na medida em que revela uma preocupação consciente e orientada para a ação em relação ao bem-estar e à qualidade de vida dos colaboradores. Existe um princípio essencial: todas as empresas participantes no programa são divulgadas como tal e reconhecidas. A distinção especial é atribuída aos vencedores do ranking, empresas essas que apresentam os melhores níveis de saúde, clínicos e psicossociais. Destacamos, igualmente, empresas que revelam pontos diferenciadores no decurso da sua participação com a atribuição de três prémios distintos: «Prémio Liderança», «Prémio Dedicação» e o «Prémio Colaborador + Saudável».

Fundamentalmente, gostaríamos de salientar que as empresas beneficiarão dos efeitos positivos como resultado das melhorias de saúde dos seus colaboradores. Níveis de concentração superiores, maiores níveis de energia, redução dos níveis de stress físico e emocional, são apenas alguns dos resultados que se refletem em colaboradores mais motivados e mais produtivos. Os conceitos «corpo são e mente sã» são complementares, e quanto mais próximo deste estado o colaborador estiver, maior será o seu desempenho e mais apto estará para desenvolver a sua atividade com o melhor resultado possível. Neste âmbito, torna-se relevante referir que a alocação de recursos na melhoria das condições de trabalho e saúde dos colaboradores representa um investimento e não um custo, sendo que vários estudos defendem que todo o valor investido tem um retorno cerca de três vezes superior, e por isso deverá ser cada vez mais valorizado o desenvolvimento deste tipo de iniciativas junto das empresas.

Dos benefícios, quais destaca?

Todos os ganhos em saúde, seja ao nível clínico, seja ao nível psicossocial, são tremendamente importantes. Ainda assim, destaco os benefícios de saúde psicossocial. A generalidade dos ambientes de trabalho são cada vez mais caracterizados por elevados níveis de stress, o que acarreta inúmeras consequências: ansiedade, falta de concentração, burnouts, estado de depressão, entre outros. O desenvolvimento do programa teve em linha de consideração todos estes fatores, uma vez que sabemos do seu impacto no dia-a-dia das pessoas, tanto a nível profissional como a nível pessoal. Destaco ainda o modelo utilizado, baseado no acompanhamento telefónico por uma equipa de psicólogos. Infelizmente, o acompanhamento psicológico ainda é visto com algum estigma e timidez, algo que através do contacto telefónico é muitas vezes relativizado e até ultrapassado.

Nota diferenças entre o sector empresarial português e os de outras geografias na forma como tratam as questões ligadas a saúde e bem-estar?

A prioridade no investimento em saúde e bem-estar dos colaboradores varia consoante as geografias, mas diria que em Portugal existe uma consciência generalizada sobre a importância de investir neste campo. O investimento por parte das empresas tem sido crescente, percebendo-se, pelos artigos e estudos que podemos encontrar, que é em larga escala fomentado por exemplos de empresas estrangeiras ou multinacionais cujas políticas de saúde começaram por ser implementadas, numa fase inicial, nas suas sedes e, só depois, passaram para as suas sucursais. É um processo gradual, considerando que se trata de um investimento um tanto ou quanto inovador e em que a forma de medir o seu sucesso e o impacto que gera é difícil de avaliar. Torna-se relevante saber como utilizar a informação que dispomos, provando a sua importância e o potencial valor social e económico que este tipo de investimento representa para as empresas individualmente e, sobretudo, para o sector empresarial português.

Como é o vosso contacto com o tecido empresarial, na sensibilização para estas questões? E também na promoção da iniciativa?

Numa primeira fase, os primeiros destinatários a abordar nas organizações são os responsáveis de recursos humanos e/ ou saúde e higiene no trabalho. Numa segunda fase, apresentamos o programa à direção geral, momento que precede, normalmente, a integração da empresa no programa. Realizamos um diagnóstico factual em todas as empresas abordadas, através do qual se avalia as condições atuais da empresa no que diz respeito a infraestruturas e prioridades necessárias para garantir a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Consequentemente, é avaliado o modelo de ação certo para corrigir e/ ou melhorar os pontos menos fortes da empresa, de forma a estimarmos qual o potencial impacto positivo que o programa poderá trazer à saúde dos colaboradores da empresa. Normalmente, os modelos de ação implementados baseiam-se sobretudo no acompanhamento psicossocial dos colaboradores, na elaboração de estratégias de prevenção de eventos (psicossociais, cardiovasculares e músculo-esqueléticos) que conduzam ao absentismo e na abordagem dinâmica do bem-estar do colaborador no local de trabalho, através da realização de ações de saúde (teóricas e práticas) que possibilitem a harmonização entre o colaborador e a empresa.

O que têm preparado para a terceira edição?

Concluídas duas edições, a nossa principal motivação para a terceira edição passa pelo empenho em continuar a melhorar os indicadores de saúde dos adultos ativos em Portugal. O programa irá contar com novas parcerias que prometem dinamizar o modelo de acompanhamento dos colaboradores, aportando mais conhecimento técnico na elaboração de estratégias a implementar e uma abordagem mais prática na promoção da saúde das empresas. O objetivo será aumentar o espectro de ação do programa, tanto em número de empresas inscritas como em dimensão amostral de colaboradores a serem acompanhados pela equipa clínica do programa. Após os excelentes resultados que verificámos nas edições anteriores, temos o sentido de responsabilidade de garantir evoluções de saúde ainda mais significativas, tanto a nível clínico como a nível psicossocial. Estamos numa fase em que a necessidade de intensificar a comunicação dentro das empresas é crítica, sobretudo entre os health coachs, colaboradores e recursos humanos, no sentido de partilhar a evolução de saúde da empresa ao longo do programa.

 

 

»»» João Lopes é project manager do programa «Empresas + Saudáveis», da QuintilesIMS, multinacional que disponibiliza soluções integradas de informação, tecnologias e serviços de saúde. Mais informações sobre o programa «Empresas + Saudáveis» aqui.

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